Durante participação no Humans of Faria Lima Podcast, Pedro Silveira, ex-diretor financeiro do Corinthians, revelou que a chegada de Memphis Depay, que está disputando a Copa do Mundo de 2026 pela Holanda, ocorreu apenas depois das negociações com Mario Balotelli e Gabigol não avançarem.
“Eu fui uma das pessoas que conduziu isso dentro do Corinthians. Para dar um contexto, a gente tinha acabado de renovar o patrocínio com a Esportes da Sorte e havia uma verba de R$ 57 milhões para dois anos destinada a um craque midiático. Então, precisávamos encontrar alguém com um impacto muito grande, que viesse para o Corinthians e destravasse esse dinheiro do contrato”, iniciou.
“O primeiro nome que surgiu foi o do Balotelli. Tivemos as conversas iniciais, mas, obviamente, não fazia sentido financeiramente. O segundo nome tentado foi o Gabigol, só que ele ainda tinha contrato com o Flamengo. Começamos uma conversa, mas ela não avançou. O tempo foi passando, a janela do meio do ano estava se fechando e, como não havia diretor estatutário de futebol, mas apenas o diretor executivo, que era o Fabinho, eu e outros diretores acabávamos fazendo um papel de diretor de futebol junto com o presidente”, complementou.
Ausência de gols:
A necessidade por gols aumentou a procura: “Lembro que foi após uma derrota. O Corinthians estava em 18º lugar no campeonato. Era um domingo, por volta das 22h, quando meu telefone tocou. Era um dos diretores. Começamos a conversar: ‘Cara, o Corinthians não faz gol, está difícil’. Tínhamos perdido por 1 a 0 para o Fortaleza. Então falamos: ‘Precisamos achar alguém. Vamos usar aquela verba da Esportes da Sorte’“, contou Silveira.
“Começamos a procurar. Fomos à internet e pesquisamos ‘jogador com passe livre’. Aí apareceu o nome do Memphis. Entramos no Transfermarkt, site que mostra os valores dos jogadores, pegamos o e-mail dos advogados dele, que na época também atuavam como seus representantes. Mandamos o e-mail às 22h30, horário do Brasil: ‘Oi, tudo bem? Aqui é Pedro Silveira, CFO do Corinthians. Gostaria de falar sobre Memphis Depay. Queríamos muito que ele jogasse no Corinthians e gostaríamos de marcar uma reunião com vocês’. O não eu já tinha. Fomos dormir com a cabeça cheia e acordamos no dia seguinte com a resposta: ‘Vamos conversar’. A reunião foi marcada para as 17h30 da Europa, 12h30 no Brasil, e as conversas começaram“, continuou.
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Parte financeira, segundo o ex-dirigente, sempre foi preocupação: “Os advogados questionavam: “O Corinthians não paga. Estamos vendo isso em todos os jornais”. Aí eu respondi: ‘Enquanto eu estiver aqui, eu garanto. Você pode confiar que vamos ter recursos para pagar’. Foram uma ou duas semanas de negociações. Estávamos no limite do que poderíamos oferecer”, destacou.
Ronald Koeman “ajudou”:

“No dia seguinte, saiu a convocação da Holanda. O Memphis já sabia que não estaria nela. Porém, havia um jogador que tinha deixado o Ajax para atuar na Arábia Saudita e ficou fora da lista. Perguntaram ao Ronald Koeman o motivo, e ele respondeu: ‘Para mim, quem vai para a Arábia Saudita perdeu a noção esportiva e não será mais convocado’. O cara soltou essa declaração bem no meio da nossa negociação. Pouco tempo depois, meu telefone tocou. Eu mantive a posição e disse que não iria melhorar a proposta. Conclusão: conseguimos fechar o contrato”, acrescentou.






