O executivo de futebol Rui Costa tomou a decisão de encerrar o ciclo de Hernán Crespo no comando do São Paulo. A saída do treinador não aconteceu por um único episódio específico, mas por uma série de fatores avaliados internamente pelo departamento de futebol. A análise apontou um desalinhamento entre o trabalho da comissão técnica e o projeto do clube. Diante desse cenário, a diretoria optou pela mudança.

Foto: SPFC Play/Reprodução
Foto: SPFC Play/Reprodução

Nos bastidores, dirigentes entendiam que o discurso adotado por Crespo em entrevistas coletivas não refletia a postura que o São Paulo pretende transmitir. Enquanto o clube defendia competir em alto nível mesmo com limitações financeiras, o treinador frequentemente destacava a diferença de investimento em relação a rivais como Flamengo e Palmeiras. Para a direção, esse tipo de declaração acabava reduzindo as expectativas sobre o próprio time.

Outro ponto que pesou na avaliação foi a postura após a eliminação para o Palmeiras. Internamente, a diretoria considerou que houve um tom de conformismo nas declarações da comissão técnica. O entendimento dentro do clube era de que o momento exigia uma reação mais firme. Esse sentimento também teria sido compartilhado por parte do elenco.

Rui Costa avalia postura após eliminação

A condução da semana seguinte à eliminação também gerou incômodo no departamento de futebol. Após a derrota, a comissão técnica concedeu três dias de folga ao elenco. No mesmo período, Crespo viajou para a Argentina. A decisão não foi bem recebida internamente.

Crespo comanda treino no São Paulo. Foto: Anuar Sayed/São Paulo FC

Na avaliação da diretoria, aquele momento exigia uma postura mais forte de liderança e reação. O entendimento era de que o grupo precisava trabalhar para responder rapidamente ao resultado negativo. Essa diferença de visão reforçou o distanciamento entre comissão técnica e clube.

Decisões técnicas também foram questionadas

Além das questões de comunicação e postura, algumas decisões tomadas em campo também foram analisadas pela diretoria. No clássico contra o Palmeiras, escolhas na escalação inicial e uma substituição realizada durante a partida geraram questionamentos internos. Dirigentes entendiam que outras alternativas poderiam ter sido utilizadas.

Segundo a avaliação do departamento de futebol, havia um jogador disponível em melhores condições físicas. Esse atleta inclusive já havia se destacado em confrontos anteriores contra o próprio Palmeiras. Mesmo assim, ele permaneceu no banco durante toda a partida.

Diretoria aposta em reação da equipe

Diante do conjunto de fatores, Rui Costa e a diretoria entenderam que era o momento de agir. O treinador foi comunicado pessoalmente sobre a decisão e se despediu do elenco. A avaliação interna foi de que seria melhor tomar a decisão agora do que esperar um eventual momento de crise.

O departamento de futebol acredita que o elenco tem condições de competir em diferentes frentes na temporada. A expectativa é brigar por títulos nas copas e também fazer uma campanha sólida no Campeonato Brasileiro. Internamente, a avaliação é de que o time pode ir além da meta tradicional de 45 pontos.