A investigação sobre a exploração ilegal de camarotes no estádio do São Paulo avançou e ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (25). De acordo com apuração divulgada há pouco pelo Ge.Globo, a polícia já reúne provas de que o esquema vinha sendo praticado de forma recorrente ao menos desde 2023.

Não é um caso isolado a venda ilegal de camarotes
Vale mencionar que o foco inicial da investigação era entender se a comercialização irregular de espaços no Morumbis havia sido um episódio isolado. As evidências coletadas indicam que não.
Documentos e dados analisados pela força-tarefa apontam para uma conduta reiterada de exploração clandestina dos camarotes em diversos eventos realizados no estádio, sempre à margem de qualquer reconhecimento formal ao clube.
Entre os possíveis crimes investigados estão corrupção privada no esporte e associação criminosa, além de suspeitas de lavagem de dinheiro. O caso está sob responsabilidade do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania em conjunto com o Ministério Público, e as apurações seguem em estágio considerado avançado, com análise contínua de materiais apreendidos.
Investigados seguem prestanto depoimentos
Nos últimos dias, alguns dos investigados começaram a ser ouvidos. Rita de Cássia Adriana Prado compareceu à delegacia, mas optou por permanecer em silêncio alegando problemas de saúde. Outros nomes citados no inquérito também devem prestar depoimento.
O inquérito trata o clube como possível vítima do esquema. As suspeitas recaem sobre atos praticados durante a gestão do então presidente Julio Casares, entre 2021 e janeiro de 2026. Além do caso dos camarotes, há outras frentes de apuração envolvendo o ambiente interno do clube social.
Um dos elementos que impulsionaram a investigação foi um áudio revelado anteriormente, no qual dirigentes mencionam a utilização de um camarote identificado como sala presidencial no setor leste do estádio. O direito de uso do espaço teria sido repassado a uma intermediária responsável por comercializar ingressos a preços elevados.
No show realizado em fevereiro de 2025, ingressos teriam sido vendidos por valores que chegaram a R$ 2,1 mil. Apenas um dos camarotes teria gerado faturamento estimado em R$ 132 mil. Para a polícia, os indícios reforçam a tese de que a prática não era pontual, mas parte de um modelo repetido ao longo dos últimos anos, agora sob investigação formal.