Após a queda para a segunda divisão na temporada 2020, um personagem de grande influência no cotidiano do clube de General Severiano se pronunciou. Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo, escreveu uma carta analisando o tétrico ano do Glorioso. No texto do ex-cartola, é possível encontrar críticas, apontamentos de erros e fatos dos bastidores. A informação é da reportagem de Luciano Paiva, do portal O Dia.

O desabafo de Montenegro foi endereçado a um grupo de e-mails de pessoas ligadas ao clube. A primeira argumentação escrita, para iniciar o testemunho, foi citar o erro da criação do Comitê de Futebol, grupo do qual era a maior liderança:
“Como foi o ano de 2020 para o Botafogo? Começou no fim de 2019, com alguns expoentes do ‘Mais Botafogo’ (antigo grupo político que dirigiu o clube nos últimos anos) me pedindo para ajudar, obviamente com dinheiro, para a sobrevivência do clube. Desde 1996, quando deixei a presidência, nunca mais tive cargo, nem caneta, mas sempre disse que o Botafogo era ingovernável. Não existe boa gestão com R$ 1 bi de dívidas, R$ 160 milhões de faturamento anual e somente 20/30 entrando no caixa, pois o resta está penhorado. Qualquer empresa estaria falida com esse quadro”, disparou.
Na sequência, o ex-mandatário falou sobre o que seria outro erro: “O Autuori me liga e se oferece quase de graça para ajudar o Botafogo. Foi o segundo erro: apesar de bom treinador, o discurso era de que queria ir embora. Sempre. E com posições fortes sobre o sistema político do futebol. Nesse momento veio o falecimento do (Valdir) Espinosa (atuava como gerente de futebol do Botafogo). Veio a pandemia. Talvez aí o Autuori deveria ter saído”.
O ex-presidente também discorreu sobre ocupantes do cargo de direção no departamento de futebol. Afirmou que Túlio Lustosa não conseguiu ajudar, bem como, Lúcio Flávio. Ao citar Anderson Barros, fez um questionamento sobre a importância do dinheiro para se executar a gestão do futebol: “O Anderson Barros entrou e ninguém gostava muito dele. Saiu. E sendo uma pessoa que não aconteceu aqui, se transformou em campeão da Libertadores. Aprendeu a trabalhar ou o que conta é o dinheiro?”, indagou Montenegro.
A carta lista problemas como a passagem de Ramón Díaz, que causou desconforto ao deixar o filho tanto tempo o substituindo para se tratar de um câncer. “Alguns falavam: Não contratamos o filho. Outros: vamos esperar. E o time sempre mal”. Montenegro abre o jogo que antes de barroca, o Glorioso tentou outros treinadores: “É bom saber que antes de Barroca tentamos Luxemburgo, Lisca e Roger…ninguém quis”, revelou o polêmico então gestor do Fogão.