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Wesley, Alcaraz e Gonçalves: o “bolão” que o Flamengo ainda vai receber por vendas parceladas

Balancete do primeiro trimestre de 2026 revelou que o clube aguarda cerca de R$ 180 milhões em parcelas de transferências recentes e ainda cobra outros valores na justiça esportiva

Bap presidente do Flamengo durante reunião no clube
© FOTO MARIANA SÁ/FLAMENGOBap presidente do Flamengo durante reunião no clube

O Flamengo fechou o primeiro trimestre de 2026 com um recorde histórico de investimentos, mas o balancete divulgado pelo clube também trouxe à tona um detalhe que passou quase despercebido: o Rubro-Negro ainda tem uma quantia expressiva para receber por vendas de jogadores realizadas de forma parcelada. O levantamento aponta que três transferências recentes mantêm parcelas ativas que somam aproximadamente R$ 180 milhões. O dinheiro já está comprometido nos planos financeiros do clube, mas ainda não entrou no caixa, e cada vencimento faz diferença no planejamento da diretoria.

A maior fatia vem da venda do lateral-direito Wesley para a Roma, da Itália. Do total de 25 milhões de euros acertados na época, cerca de R$ 163 milhões na cotação de julho de 2025, ainda restam aproximadamente R$ 90 milhões a serem recebidos pelo Flamengo. A transferência foi uma das mais lucrativas da história recente do clube e segue gerando retorno financeiro mesmo depois de encerrada. O lateral hoje atua na capital italiana e deixou o Brasil como uma das maiores vendas da era atual do futebol rubro-negro.

Na sequência, aparecem os valores referentes à negociação do meia argentino Carlos Alcaraz com o Everton, da Inglaterra. A transferência foi fechada por 15 milhões de euros, equivalentes a R$ 96 milhões na cotação de maio de 2025, e o saldo pendente gira em torno de R$ 55,6 milhões. Completando o trio de parcelamentos ativos, o Flamengo ainda aguarda R$ 32,7 milhões pela venda do meia Matheus Gonçalves ao Al-Ahli, da Arábia Saudita, negociado por 8 milhões de euros, o equivalente a R$ 50 milhões na época da transferência.

Bons valores?

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Cobranças na Fifa e disputa com clube espanhol

Além dos parcelamentos regulares, o clube da Gávea também trava batalhas na justiça esportiva para receber por transferências mais antigas. Três casos correm através da Fifa: a venda do atacante Werton ao Leixões, de Portugal, por 1 milhão de euros (R$ 5,8 milhões); a negociação do atacante André com o Estrela da Amadora, também português, por 500 mil euros (R$ 2,8 milhões); e a transferência do volante Igor Jesus, vendido ao mesmo clube lusitano por 2 milhões de euros, o equivalente a R$ 12,5 milhões na cotação de agosto de 2024.

Igor Jesus, vale lembrar, já foi revendido pelo Estrela da Amadora ao Los Angeles FC, dos Estados Unidos, mas o Flamengo ainda não recebeu sua parte original. Há ainda uma pendência com o Almería, da Espanha. O clube europeu deve ao Rubro-Negro 1,8 milhão de euros, cerca de R$ 10,5 milhões na cotação atual, referentes a encargos tributários sobre a transferência de um jogador em 2022. O valor principal da venda, de sete milhões de euros, foi quitado normalmente na época, mas os encargos fiscais seguem em aberto e o Flamengo cobra a diferença. É o tipo de disputa burocrática que consome tempo e energia da área jurídica do clube, mas que representa dinheiro real no orçamento.

Wesley em ação contra a Juventus (ITA) – Paolo Bruno/Getty Images

Wesley em ação contra a Juventus (ITA) – Paolo Bruno/Getty Images

No total, somando parcelamentos ativos e cobranças judiciais, o Flamengo aguarda receber cifras que ultrapassam com folga os R$ 200 milhões em valores de transferências já realizadas. Para um clube que registrou recorde de gastos no trimestre, com o custo total de Lucas Paquetá superando os R$ 300 milhões, cada parcela que entra no caixa ajuda a equilibrar as contas e a sustentar o alto nível de investimento que a torcida passou a exigir.

Flamengo gasta e planeja ao mesmo tempo

O balancete também deixou evidente que o Flamengo opera em dois trilhos simultâneos: investe pesado e ao mesmo tempo gerencia recebimentos e pagamentos de forma parcelada. O clube tem a pagar nos próximos anos cerca de R$ 450 milhões por contratações feitas em parcelas, um compromisso relevante que exige previsibilidade no fluxo de caixa. Nesse contexto, saber exatamente quando cada parcela das vendas vai chegar é tão importante quanto fechar um novo reforço. O equilíbrio entre as duas pontas é o que sustenta o modelo financeiro do clube.

Para o torcedor, o recado é claro: o Flamengo de 2026 não é apenas o maior investidor do futebol brasileiro no trimestre, mas também um gestor ativo de contratos, cobranças e parcelas espalhadas por diferentes países e competições legais. A fotografia financeira do clube é mais complexa do que qualquer linha isolada do balancete consegue mostrar, e o primeiro trimestre deste ano escancarou isso com números históricos, tanto nas despesas quanto nos créditos ainda por receber.