Anunciado em 12 de maio de 2025 como treinador da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti começará a conduzir o ciclo rumo à Copa do Mundo de 2026, que se inicia em junho, trazendo uma bagagem que transcende títulos e traz à tona seu estilo italiano.

- Ancelotti vai escalar Endrick como titular na Seleção Brasileira
- Ex-goleiro Doni é acusado de golpes financeiros nos EUA
O técnico representa a incorporação direta de uma escola de futebol historicamente marcada pela organização, leitura de jogo e pragmatismo, agora aplicada a um elenco com uma cultura bastante diferente.
A proposta de Ancelotti não passa por romper com a identidade brasileira, mas por ajustá-la. O treinador entende que a criatividade, a improvisação e o talento individual dos brasileiros são os ativos centrais da Seleção.

RJ – RIO DE JANEIRO – 02/11/2025 – BRASILEIRO A 2025, VASCO X SAO PAULO -Carlo Ancelotti tecnico da Selecao Brasileira visto antes da partida entre Vasco e Sao Paulo no estadio Sao Januario pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Organização defensiva e liberdade ofensiva
Conhecido pela capacidade de adaptação, Ancelotti evita sistemas fixos e prefere moldar o time de acordo com as características dos jogadores disponíveis. Essa leitura flexível permite variações de formação e comportamento ao longo das partidas, algo que tem sido decisivo em sua trajetória nos clubes europeus.
No Brasil, essa abordagem surge como resposta a ciclos recentes em que a Seleção mostrou dificuldade para se ajustar a adversários mais fechados. Na fase defensiva, o toque italiano é mais evidente.
O time passa a atuar de maneira mais compacta, com linhas próximas e maior comprometimento coletivo na marcação. A recuperação da bola acontece de forma coordenada, criando o cenário ideal para transições rápidas, aproveitando a velocidade e a capacidade de definição dos atacantes brasileiros em campo aberto.

Veja também
Albertini revela dois jogadores da Itália que “fugiram” dos pênaltis contra a seleção brasileira em 1994
Mesmo com maior rigor defensivo, Ancelotti não busca engessar o jogo ofensivo. Jogadores como Vinícius Júnior e Rodrygo recebem liberdade para se movimentar, flutuar entre setores e quebrar linhas, sempre sustentados por uma base que garante equilíbrio atrás.
Experiência e equilíbrio no caminho até 2026
Ao longo da carreira, o treinador reforçou a imagem de “camaleão tático”. Napoli, Chelsea, Bayern de Munique e, principalmente, Real Madrid deram a Ancelotti um repertório raro de adaptações.
No clube espanhol, ele soube potencializar atletas brasileiros como Vinícius Júnior e Rodrygo, oferecendo liberdade ofensiva sem abrir mão de organização defensiva e disciplina coletiva. Essa experiência pesa diretamente na forma como o italiano enxerga o atual elenco da Seleção Brasileira.
Na equipe nacional, a ideia não é importar o “calcio” de maneira rígida, mas incorporar seus princípios mais eficientes. O time tende a ser mais compacto sem a bola, com linhas próximas e maior compromisso coletivo na recomposição.
Um novo caminho
Ainda assim, parte da torcida e da imprensa observa o novo ciclo com cautela. Há quem tema que o pragmatismo europeu limite a espontaneidade que sempre caracterizou o futebol brasileiro, especialmente em jogos de menor margem para improviso. O receio existe, mas não domina o debate, já que os primeiros sinais apontam para um equilíbrio entre organização e liberdade criativa.
No fundo, a aposta na união entre disciplina italiana e talento brasileiro nasce da necessidade de adaptação aos tempos atuais. O futebol mudou, tornou-se mais físico, estratégico e imprevisível. Sob o comando de Ancelotti, a Seleção tenta encontrar um caminho moderno e competitivo, sem abdicar da identidade que a transformou em referência mundial.








