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São Paulo

Rafael salva o São Paulo contra o Mirassol e desafia quem o considera um goleiro nota 6

Goleiro sofreu gol contra, mas fez defesas decisivas durante o domínio dos donos da casa no primeiro tempo

SP - MIRASSOL - 24/10/2026 - BRASILEIRO A 2026, MIRASSOL X SAO PAULO - RAFAEL goleiro do Sao Paulo durante partida contra o Mirassol no estadio Jose Maria de Campos Maia pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Joisel Amaral/AGIF
© Joisel Amaral/AGIFSP - MIRASSOL - 24/10/2026 - BRASILEIRO A 2026, MIRASSOL X SAO PAULO - RAFAEL goleiro do Sao Paulo durante partida contra o Mirassol no estadio Jose Maria de Campos Maia pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Joisel Amaral/AGIF

Rafael deixou o gramado no empate por 1 a 1 entre São Paulo e Mirassol com um gol contra na conta, mas também com méritos enormes por evitar um resultado muito pior. O Tricolor foi dominado durante boa parte do primeiro tempo, sofreu com a desorganização defensiva e poderia ter chegado ao intervalo em situação desesperadora. Se o placar não virou uma goleada, muito se deve ao goleiro. Por isso, fica a provocação: ainda faz sentido chamar Rafael de goleiro nota 6 depois de uma atuação como essa?

O lance do gol sofrido aconteceu aos seis minutos, quando Reinaldo cobrou falta e Neto Moura desviou de cabeça. A bola bateu no travessão, voltou em direção ao gol e atingiu as costas de Rafael antes de entrar. Foi um episódio infeliz, daqueles que acabam marcando a imagem de um goleiro, mesmo quando há pouco que ele poderia fazer para evitar o desfecho. O problema é avaliar toda a atuação a partir desse único momento.

Depois do gol, o Mirassol cresceu e encontrou espaços com facilidade. O São Paulo tinha dificuldades para defender, perdia duelos e permitia que o adversário chegasse à área em diferentes situações. Rafael precisou intervir em finalizações de Bruno Santos e também apareceu para defender uma pancada de Reinaldo. Foram intervenções importantes em um período no qual o time de Dorival Júnior não conseguia oferecer segurança defensiva nem controlar o ritmo da partida.

Rafael impediu que o São Paulo fosse goleado

A superioridade do Mirassol no primeiro tempo foi tão evidente que o empate parecia um cenário distante diante do volume ofensivo dos mandantes. O time do interior construiu jogadas, acelerou nos contra-ataques e explorou as falhas de posicionamento do Tricolor. Enquanto a defesa sofria para acompanhar os movimentos adversários, Rafael precisava estar preparado para resolver situações que não deveriam chegar ao goleiro com tanta frequência.

É justamente nesse contexto que a avaliação sobre o camisa 23 precisa ser feita. Um goleiro não pode ser responsabilizado sozinho pelas falhas coletivas e, ao mesmo tempo, ter suas defesas tratadas como obrigação sem mérito. Rafael participou diretamente do gol contra, mas respondeu ao lance com intervenções que mantiveram o São Paulo vivo. Ignorar esse conjunto para insistir na etiqueta de goleiro nota 6 é uma maneira bastante conveniente de analisar futebol.

A reação tricolor começou antes do intervalo, quando Pedro Lima aproveitou uma sobra após toque de Bobadilla e empatou a partida. O gol mudou o cenário e permitiu ao São Paulo voltar para o segundo tempo com outra perspectiva. A equipe melhorou depois do descanso, conseguiu equilibrar as ações e também passou a ameaçar a meta de Walter. O goleiro são-paulino, que havia sido tão exigido na primeira etapa, viu seus companheiros criarem oportunidades para buscar a virada.

Afinal, o que Rafael precisa fazer para ser reconhecido?

No segundo tempo, Walter também teve trabalho em uma oportunidade cara a cara com Lucas Moura e em uma cabeçada de Luciano. Lucas ainda acertou a trave antes de deixar o campo para a entrada de Gustavo Santana. O confronto ficou mais equilibrado, e o empate acabou refletindo a reação do São Paulo depois de um primeiro tempo muito ruim. Mas a melhora coletiva não apaga o papel que Rafael desempenhou para que a equipe chegasse viva à etapa final.

O Tricolor terminou com um ponto, chegou ao terceiro jogo consecutivo sem derrota e evitou que o domínio do Mirassol se transformasse em uma derrota pesada. O resultado não elimina as fragilidades defensivas, nem significa que o time tenha feito uma grande partida. Pelo contrário: o desempenho inicial exige correções. Ainda assim, é preciso separar a análise da equipe daquela feita sobre o goleiro que evitou danos maiores.

A provocação é inevitável para quem acompanha as discussões sobre Rafael: se ele é apenas um goleiro nota 6, qual seria a nota de quem não consegue fazer as defesas que ele fez? O camisa 23 sofreu um gol contra em um lance azarado e, depois, respondeu com intervenções fundamentais. Não é necessário considerá-lo infalível para reconhecer que sua atuação foi decisiva. O futebol não pode avaliar um goleiro apenas pelo que entra, mas também pelo que ele consegue impedir.

Minha avaliação é que Rafael merece muito mais reconhecimento pelo desempenho em Mirassol. Ele não foi responsável pela desorganização defensiva do São Paulo, não criou os espaços explorados pelo adversário e tampouco teve controle sobre o desvio que originou o gol contra. Quando o time mais precisou, apareceu para evitar que a situação piorasse. Talvez o problema não seja Rafael ser um goleiro nota 6, mas a facilidade com que alguns diminuem suas atuações mesmo quando ele salva o São Paulo.

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