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Empresários já avaliam saídas do São Paulo, mas elenco não trabalha com “debandada” no fim do ano

Apuração do Bolavip Brasil aponta incômodo de representantes com os atrasos, mas jogadores ainda não discutem uma saída coletiva e aguardam o cenário eleitoral

São Paulo reunido - Foto: Rubens Chiri e Paulo Pinto/Saopaulofc.net
© Rubens Chiri / PerspectivaSão Paulo reunido - Foto: Rubens Chiri e Paulo Pinto/Saopaulofc.net

Uma informação começou a circular nos bastidores do São Paulo nos últimos dias apontando para uma possível debandada do elenco ao final da temporada. A ideia seria de que jogadores importantes estariam conversando entre si e avaliando deixar o clube caso a situação financeira não melhorasse.

O Bolavip Brasil procurou pessoas próximas a jogadores, atletas e representantes para entender se esse movimento realmente existe. A apuração encontrou um cenário diferente do que vem sendo divulgado. Existe, sim, preocupação e movimentação entre empresários, mas não há, neste momento, uma articulação dos jogadores para deixar o São Paulo em bloco.

A diferença é importante. Os empresários estão olhando para a situação profissional de seus clientes, enquanto os jogadores ainda não tratam internamente de uma possível debandada.

Empresários estão incomodados com a situação financeira

A crise financeira do São Paulo naturalmente passou a preocupar os representantes dos atletas. Há empresários que já avaliam alternativas para seus jogadores diante dos atrasos de pagamentos e da falta de previsibilidade sobre a regularização das pendências.

Um dos profissionais consultados pelo Bolavip Brasil resumiu a preocupação da seguinte maneira:

“Eu não posso, olhando a situação do São Paulo, deixar de buscar o melhor para o meu atleta.”

A lógica apresentada pelo empresário é essencialmente profissional. Mesmo que o jogador tenha identificação com o clube ou tenha feito esforço para vestir a camisa tricolor, o representante tem a responsabilidade de avaliar o que considera melhor para a carreira e para a segurança financeira do atleta.

Nesse sentido, é possível que alguns empresários procurem outros clubes e apresentem propostas aos seus clientes. Isso, porém, não significa que o jogador necessariamente aceitará sair.

Jogador e empresário podem ter decisões diferentes

O caso de Luciano ajuda a entender essa diferença. Segundo apuração do Bolavip Brasil, o staff do atacante costuma receber ou buscar possibilidades de mercado em diferentes janelas, sem que isso represente uma tentativa de obrigá-lo a deixar o São Paulo.

A lógica é simples: o empresário precisa conhecer o mercado e verificar se existe uma oportunidade profissional que possa ser melhor para seu cliente. Quando uma proposta aparece, ela é apresentada ao jogador, que então participa da decisão.

E Luciano já demonstrou, em diferentes momentos, que pode optar por permanecer. A vontade do atleta pesa na decisão final, especialmente quando existe identificação com o clube.

O próprio Calleri também é um exemplo recente de que problemas financeiros não significam necessariamente uma saída. O atacante permaneceu no São Paulo e renovou seu contrato recentemente, apesar de já ter convivido com situações de atraso durante sua trajetória no clube.

Não existe ameaça de debandada no elenco

A apuração do Bolavip Brasil é de que os jogadores não estão trabalhando atualmente com a ideia de uma saída coletiva.

Alguns atletas, naturalmente, podem ter situações individuais praticamente definidas. Há jogadores com contratos perto do fim, outros que dificilmente serão comprados e ainda aqueles que já estão buscando novos destinos.

Cauly, por exemplo, não deve permanecer em razão das condições previstas para sua contratação. Artur também tem uma situação bastante específica por causa do valor da opção de compra. Enzo Díaz e Cédric estão entre os jogadores que podem ter seus futuros longe do São Paulo, enquanto nomes como Tolói também não devem permanecer.

Esses casos, contudo, fazem parte do planejamento individual de cada atleta e não representam uma mobilização coletiva do elenco.

Alguns jogadores ficaram incomodados com a informação

A notícia de que existiria uma ameaça de debandada, inclusive, causou incômodo em alguns jogadores, justamente porque a interpretação transmitida é de que o elenco estaria partindo para um confronto direto com a administração.

Segundo a apuração, não foi isso que aconteceu.

Os atletas reconhecem os problemas financeiros do clube e existe insatisfação com a gestão de Harry Massis, como o Bolavip Brasil já revelou. Os atrasos de direitos de imagem, salários e outras pendências são conhecidos internamente.

Mas o grupo também decidiu, neste momento, não transformar essa insatisfação em uma ameaça pública de saída. Os jogadores estão concentrados em terminar a temporada e depois avaliar o que será feito.

Eleição pode mudar completamente o cenário

Outro fator importante é o calendário político do São Paulo. O clube terá eleições no fim do ano, e a definição da próxima administração pode alterar o planejamento financeiro e esportivo para 2027.

Por isso, seria precipitado tratar hoje como definitiva uma decisão que pode ser tomada somente depois do processo eleitoral. Um novo presidente, seja de situação ou de oposição, naturalmente deverá conversar com o elenco e apresentar seus planos para o clube.

A partir daí, cada jogador poderá avaliar se acredita no novo projeto, se pretende continuar e quais condições considera necessárias para permanecer.

Esse cenário também explica por que o elenco ainda não trabalha com uma debandada. Ainda existe muita coisa para acontecer até o fim do ano.

R$ 140 milhões da Ticketmaster também entram na equação

Outro elemento que pode alterar completamente o ambiente é a possibilidade de entrada de recursos relacionados ao acordo com a Ticketmaster.

Caso o São Paulo consiga viabilizar o adiantamento financeiro estimado em cerca de R$ 140 milhões, a administração poderá ter maior capacidade para equacionar parte das dívidas e regularizar compromissos.

Isso não significa que o dinheiro esteja garantido ou que resolverá automaticamente todos os problemas do clube. Mas, caso o recurso seja efetivamente obtido e utilizado para colocar as contas em ordem, o cenário para os jogadores pode ser muito diferente daquele observado hoje.

Por isso, dentro do elenco existe também a percepção de que ainda não é hora de tomar decisões definitivas baseadas exclusivamente na situação atual.

O que pode acontecer até o fim do ano?

A possibilidade de empresários buscarem alternativas no mercado é real e faz parte do trabalho de representação. Se a situação financeira não melhorar, a tendência é que essa movimentação aumente, principalmente entre profissionais preocupados com a estabilidade de seus clientes.

Mas isso é diferente de afirmar que os principais jogadores já decidiram sair do São Paulo.

Hoje, a apuração aponta para um elenco que prefere esperar, observar os próximos acontecimentos e decidir individualmente. Alguns jogadores sairão por questões contratuais, outros podem receber propostas e alguns podem optar por permanecer mesmo diante das dificuldades.

O futuro também dependerá do resultado das eleições e da capacidade da próxima administração de reconstruir a confiança dos atletas. A crise existe, a insatisfação existe e o movimento dos empresários existe — mas uma debandada do elenco ainda não é uma realidade.

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