Durante a tarde desta quarta-feira (27), o São Paulo divulgou o balanço financeiro mais recente do clube, tão aguardado pelos torcedores. No documento, o Tricolor do Morumbi registrou, durante o exercício de 2021, uma dívida de R$ 642 milhões. Este valor, entretanto, gera discussões e discordâncias de diferentes partes. Ainda assim, segundo o próprio balanço, o endividamento aumentou em 10,5% desde 2020.
Por outro lado, de acordo com o economista e sócio da consultoria Convocados, César Grafietti, em contato com o Globo Esporte, a dívida são-paulina é, na verdade, de R$ 739 milhões. O aumento neste valor ocorre porque, segundo ele, o clube calcula a dívida levando em conta todos os passivos, mas tirando da conta os ativos. Isso não é uma prática necessariamente errado, mas não é o modelo habitual.
Comandado pelo presidente Julio Casares, o São Paulo contesta este valor e se atém ao publicado no balanço. Em 2020, a dívida era de R$ 574 milhões. O que causa estranhamento da torcida é que, por outro lado, o faturamento também aumentou no mesmo período. O total em receitas foi de R$ 465 milhões, em comparação com R$ 358 milhões do ano anterior. As despesas, entretanto, aumentaram.
Ainda de acordo com o balanço divulgado pelo clube, o São Paulo também pagou R$ 82 milhões em dívidas com terceiros, como empresários. Alguns dos casos levantados envolviam os direitos econômicos de jogadores como Tiago Volpi, Pablo, Kaká, que corria desde 2014, e até mesmo da intermediação da venda de Antony ao Ajax, da Holanda. Além disso, o Tricolor gastou R$ 49 milhões na compra de atletas.
Justamente no dia em que o São Paulo publica valores referentes ao ano anterior com aumento expressivo na dívida geral, a diretoria anuncia que renova com Luciano — entre os jogadores mais aclamados pela torcida. Controle da imprensa e domínio da narrativa. Coincidências da vida.
— Caio Alves (@CaioAlves) April 27, 2022




