A mesa do Conselho Deliberativo do Santos colocou para 8 de novembro a votação de mudanças no estatuto pelos sócios. As duas principais alterações propostas são a possibilidade de o clube vender até 80% das ações em uma venda da SAF e o fim do Comitê Gestor. Contudo, a oposição vê a medida como ilegal e divulgou uma nota oficial sobre o assunto.
Texto não foi devidamente aprovado no Conselho
O UOL Esporte havia noticiado que Fernando Akaoui, presidente do Conselho Deliberativo, se comprometeu a ler todas as mudanças no estatuto antes da aprovação final na reunião com os conselheiros. A medida veio após um pedido de José Augusto Faia Conrado, conselheiro santista.
Em reunião de 18 de maio, Faia defendeu a leitura de todos os artigos do texto antes da aprovação final em reunião com os conselheiros. Fernando concordou. Porém, os conselheiros do Peixe entendem que essa etapa não foi concluída, e alegam que não houve uma votação definitiva no Conselho.
O Bolavip Brasil entrou em contato com os quatros candidatos confirmados à presidência do Santos: José Renato Quaresma, Ivan Luduvice, Wladimir Mattos e Maurício Maruca. Em conjunto, os opositores da atual gestão emitiram uma nota oficial de repúdio no qual contestam a decisão da mesa do Conselho Deliberativo.
“Reiteramos nosso entendimento de que o novo Estatuto Social ainda não foi devidamente aprovado pelo plenário do Conselho Deliberativo, uma vez que as emendas aprovadas não teriam sido consolidadas em um texto final submetido à apreciação e à votação dos conselheiros”, diz um trecho da nota.
“Conselheiros contrários a esse encaminhamento já se manifestaram publicamente, apontando a ausência de uma versão final consolidada e formalmente aprovada, circunstância que suscita sérios questionamentos quanto à regularidade do procedimento adotado”, explicaram os opositores.
“Na primeira sessão, o presidente do Conselho Deliberativo assegurou que o texto consolidado seria lido integralmente para a aprovação final. Já na sessão subsequente, após a votação das emendas e dos dispositivos não emendados, informou que os conselheiros teriam o prazo de 15 dias para avaliar o conteúdo e que, em uma nova reunião extraordinária, seria realizada a consolidação integral do texto”, diz outro trecho do comunicado.
“Diante disso, eventual reconhecimento da aprovação definitiva da reforma estatutária e a consequente convocação da Assembleia Geral para o dia 8 de novembro, sem o cumprimento das etapas anunciadas e dos prazos estatutários aplicáveis, representariam uma grave preocupação institucional e poderiam comprometer a legitimidade de todo o processo”, afirma a nota. O comunicado completo está logo abaixo.
Pedido dos candidatos aos sócios
Por fim, caso a Assembleia Geral seja realizada no dia 8 de novembro, os candidatos Wladimir Mattos, Quaresma, Ivan Luduvice e Maruca aconselham os associados a votar contra as mudanças estatutárias sugeridas pela atual gestão. A recomendação, segundo eles, busca garantir a transparência e garantir a segurança jurídica do processo.

Wladimir Mattos conversou com a reportagem do Bolavip Brasil através de mensagens e detonou a atual diretoria e disse que as mudanças sugeridas só não foram piores por causa das movimentação das torcidas organizadas. Em maio, durante reunião do Conselho, santistas fizeram protestos contra algumas propostas apresentadas.
“Essa reforma foi feita na base do afogadilho. Só não está pior graças a movimentação das torcidas organizadas que evitaram um mal maior. Agora tentam enfiar goela abaixo do associado um estatuto mal acabado com a desculpa de resolver a questão da SAF. Esse ato da mesa do conselho deliberativo “coroa” uma gestão que ficará marcada pelo oportunismo, proselitismo e compadrio”, disse o candidato.
Vale lembrar que a gestão de Marcelo Teixeira, com auxílio da XP Investimentos, liderou a prospecção do mercado para a venda do clube e aceitou uma oferta não-vinculante da SDC Sports, fundo de investimentos com sede nos Estados Unidos.
Representantes da empresa norte-americana se reuniram no fim de agosto com conselheiros do Santos. Para avançar nas tratativas da compra do clube, o fundo de investimentos exige que o Peixe altere o estatuto para permitir a aquisição de até 80% das ações da SAF. Atualmente, o Alvinegro só pode negociar 49%.





