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Exclusivo: Maurício Maruca coloca projeto esportivo como prioridade e aborda futuro da Vila Belmiro

Candidato à presidência, Maruca é empresário e consultor, sócio do Santos desde 2007 e conselheiro do clube desde 2020

Maurício Maruca é sócio do Santos desde 2007 - Foto: Divulgação.
Maurício Maruca é sócio do Santos desde 2007 - Foto: Divulgação.

Em entrevista ao Bolavip Brasil, o consultor financeiro Maurício Maruca, candidato à presidência do Santos, falou sobre a possibilidade de modernizar a Vila Belmiro e outros assuntos relacionados ao clube.

Maruca recebeu 1.378 votos no último pleito

Na última eleição, Maruca e Rodrigo Marino concorreram separadamente, mas agora decidiram unir forças para a disputa. Juntos, os dois receberam 2.451 votos no pleito anterior.

Lembrando: o primeiro trecho da conversa com Maurício Maruca foi publicado na última terça-feira (15).

Confira a segunda parte da entrevista:

Bolavip Brasil: A Vila Belmiro é um dos maiores símbolos da história do Santos, mas também existe uma discussão cada vez maior sobre a necessidade de modernizar a estrutura e aumentar a capacidade de geração de receitas do estádio. Caso seja eleito, qual seria exatamente o seu projeto para a Vila: modernização do estádio atual, construção de uma nova arena ou outro modelo? E como o senhor pretende viabilizar financeiramente esse projeto sem comprometer ainda mais as contas do clube?

Maurício Maruca: A Vila Belmiro faz parte da identidade do Santos e qualquer decisão sobre seu futuro precisa ser tomada com absoluto respeito à história do clube. Ao mesmo tempo, precisamos modernizar a estrutura, melhorar a experiência do torcedor e transformar o estádio em uma fonte maior de receitas.

Sobre o projeto atual e os termos envolvendo a WTorre, não seria responsável antecipar uma decisão sem antes analisar todos os documentos, contratos, estudos e compromissos já assumidos. Vamos fazer essa análise com segurança jurídica e responsabilidade financeira.

Seja qual for o modelo escolhido, a premissa é que o projeto não pode comprometer ainda mais as contas do Santos. Pelo contrário: precisa contribuir para a sustentabilidade financeira do clube. Também vamos ouvir sócios e torcedores antes de uma decisão estrutural.

Bolavip Brasil: Pensando no Santos dos próximos anos, que tipo de futebol o senhor gostaria de ver representado pelo clube? O planejamento esportivo seria construído a partir de uma identidade definida pela diretoria, com contratações e treinadores escolhidos para se encaixar nela, ou o senhor prefere dar autonomia ao executivo de futebol para definir essa filosofia de acordo com o mercado disponível?

Maurício Maruca: O Santos precisa ter uma identidade esportiva clara. Não acredito em trocar de filosofia a cada treinador ou a cada janela de transferências.

A diretoria precisa estabelecer as diretrizes do projeto esportivo, e o executivo de futebol terá autonomia para executá-las dentro dessas premissas. O técnico também será escolhido de acordo com esse projeto: um profissional competitivo, capaz de desenvolver jogadores, trabalhar integrado à base e utilizar metodologia e dados na tomada de decisão.

As contratações precisam seguir critérios objetivos de qualidade, perfil técnico, idade, custo e capacidade de entrega. O Santos precisa voltar a montar elencos pensando em temporadas e projetos, e não apenas em resolver a próxima partida.

Bolavip Brasil: Considerando a situação financeira do Santos, o senhor acredita que o clube deveria priorizar a quitação da dívida com a NR Sports antes de realizar determinados investimentos no futebol? Ou entende que é possível conciliar o pagamento dessa dívida com contratações e outras despesas necessárias para fortalecer o elenco?

Maurício Maruca: O Santos precisa honrar seus compromissos e, ao mesmo tempo, continuar funcionando e sendo competitivo. Não acredito em colocar uma obrigação isoladamente acima de todo o restante do clube sem analisar o conjunto das contas e dos compromissos.

Nossa prioridade imediata será estabilizar o Santos. Com o apoio da Outfield, vamos chegar com capacidade financeira para colocar os salários em dia e começar a pagar as primeiras contas. A partir daí, teremos um diagnóstico completo do passivo e um planejamento financeiro para organizar os pagamentos.

É possível conciliar responsabilidade financeira com investimento no futebol, desde que exista planejamento, orçamento e capacidade de execução. O Santos não pode voltar a assumir compromissos que não consiga sustentar, mas também não pode aceitar que a crise financeira seja uma justificativa permanente para deixar o futebol para trás.

Bolavip Brasil: Imagine que sua gestão consiga viabilizar a construção de uma nova arena para o Santos. Como o senhor imagina que esse empreendimento deveria funcionar para que não fosse apenas um estádio utilizado nos dias de jogos? O projeto deveria envolver centro comercial, eventos, restaurantes e outros negócios? E quanto dessa operação deveria permanecer sob controle direto do Santos para garantir que a arena se transforme em uma fonte permanente de receitas?

Maurício Maruca: Uma nova arena, caso esse seja o modelo que se mostre mais adequado ao Santos, não pode ser pensada apenas como um lugar para receber partidas de futebol. Ela precisa ser um ativo de negócios durante todo o ano.

Isso significa avaliar a possibilidade de eventos, restaurantes, experiências, entretenimento, exploração comercial e outras atividades que gerem receita independentemente do calendário esportivo. O objetivo é transformar o ativo em uma plataforma permanente de relacionamento com o torcedor e de geração de negócios.

O modelo de operação e a participação do Santos precisam ser definidos de forma a garantir segurança financeira, governança e retorno de longo prazo para o clube. Uma arena só fará sentido se fortalecer o Santos e se transformar em uma fonte permanente de receitas, e não em uma nova fonte de endividamento.

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