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Direto da Redação

Análise: Palmeiras vira time que só cerca e preocupa para decisão contra LDU na altitude

Alviverde só desarmou quatro vezes em todo 1º tempo contra reservas do São Paulo e liga sinal de alerta para a volta de intensidade na marcação às vésperas de 'decisão' na Libertadores

Palmeiras só desarmou quatro vezes em todo 1º tempo contra reservas do São Paulo e liga sinal de alerta para a Libertadores
© Marcello Zambrana/AGIFPalmeiras só desarmou quatro vezes em todo 1º tempo contra reservas do São Paulo e liga sinal de alerta para a Libertadores

O Palmeiras venceu o São Paulo por 2 a 0 no último sábado, pelo Campeonato Brasileiro, mas o resultado não consegue esconder um problema que vem se tornando cada vez mais evidente na equipe de Abel Ferreira: a queda de intensidade, principalmente na marcação.

O contexto do Choque-Rei torna o alerta ainda maior. O São Paulo entrou em campo com uma equipe toda reserva. E mesmo assim, o Palmeiras, com seus titulares, encontrou enorme dificuldade para se impor, especialmente durante o 1º tempo.

E o problema não está apenas na dificuldade para criar. Está na maneira como o Palmeiras marca. Segundo o Sofascore, o Alviverde só desarmou quatro vezes no 1º tempo, em grande parte quando o SPFC jogou com 11 atletas. E mesmo com a expulsão de Osorio, o rival tricolor terminou a etapa com sete roubadas a mais que o SEP.

Palmeiras cerca, mas não apertae faz tempo que isso acontece

Há algumas partidas, o Palmeiras passa a impressão de ser um time que cerca muito mais do que pressiona.

A equipe chega próxima ao adversário, ocupa espaços e acompanha a movimentação, mas raramente consegue encurtar de maneira agressiva, roubar a bola e transformar a pressão em domínio territorial. Isso não é comum em uma equipe comandada por Abel Ferreira.

Durante boa parte do trabalho do português no Palmeiras, a intensidade sem a bola foi uma das marcas do time. O adversário era incomodado, pressionado e tinha pouco tempo para pensar. Hoje, a sensação é diferente.

O Palmeiras não está necessariamente desorganizado. Está passivo. E essa passividade ficou escancarada nos números do Choque-Rei.

Desarmes mostram passividade do Palmeiras em momento decisivo

Com superioridade numérica no 2º tempo, o Palmeiras aumentou sua quantidade de desarmes. Foram sete, mas, ainda assim, perdeu de um São Paulo já às cordas, que roubou 11 bolas na etapa final.

O número, sozinho, não determina a qualidade de uma marcação. Mas, neste caso, ele ajuda a traduzir em estatística aquilo que os olhos vêm mostrando há algum tempo. O Palmeiras está apertando menos.

Cansaço começa a aparecer

É claro que existe uma explicação possível para isso. O calendário brasileiro é cruel. O Palmeiras vem enfrentando uma sequência pesada de partidas, com jogos no meio e no fim de semana, pouco tempo para recuperação e menos espaço para trabalhos específicos durante a semana.

Pode ser cansaço. Pode ser desgaste acumulado. Pode ser simplesmente uma queda natural de intensidade depois de uma sequência tão pesada. Mas, independentemente da causa, o efeito está aparecendo em campo.

O Palmeiras parece fisicamente menos agressivo. A equipe demora mais para encostar no adversário, recupera menos bolas no campo ofensivo e permite que o rival tenha mais tempo para construir suas jogadas.

É um cenário especialmente preocupante justamente neste momento da temporada.

Porque a LDU é outro tipo de desafio

Na próxima quarta-feira (16), o Palmeiras terá pela frente a LDU, em Quito, pela Libertadores. E a altitude muda completamente o cenário.

O adversário equatoriano tem limitações técnicas e o Palmeiras possui, no papel, um elenco superior. Mas jogar em Quito, 2.850m acima do nível do mar, significa enfrentar também um fator que potencializa o mandante. Por isso, o Palmeiras precisará ser muito mais intenso sem a bola.

Na altitude, oferecer espaço ao adversário pode custar ainda mais caro. Um time que já demonstra dificuldades para pressionar em condições normais terá de encontrar uma intensidade diferente para suportar os momentos de pressão da LDU.

Lições para o ‘jogo do ano’

A vitória no Choque-Rei foi importante e mantém o Palmeiras vivo na disputa pelo Brasileiro. Mas o jogo também deixou um aviso que não pode ser ignorado. O Palmeiras parece esfarelar fisicamente, e a marcação é o principal sintoma.

Se o desgaste for realmente o motivo, a comissão técnica terá de encontrar soluções rapidamente. Porque quarta-feira não será apenas mais um jogo. Será uma decisão de Libertadores.

E, para não comprometer uma temporada inteira, o Palmeiras precisará mostrar na altitude aquilo que vem faltando nas últimas partidas: intensidade, agressividade e pressão na marcação. Contra a LDU, cercar não será suficiente.

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