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Filipe Luís conquista licença UEFA Pro e abre precedente para outros treinadores brasileiros

Treinador do Monaco passa a ter certificação máxima da UEFA após mudança nas regras e conquista da Libertadores com o Flamengo

Filipe Luís, ex-Fla e atualmente no Monaco. Foto: IMAGO / NurPhoto
© IMAGO/NurPhotoFilipe Luís, ex-Fla e atualmente no Monaco. Foto: IMAGO / NurPhoto

A situação envolvendo Filipe Luís ganhou um novo capítulo e, desta vez, com uma mudança que pode ter impacto para outros treinadores sul-americanos. O atual técnico do Monaco passou a ter oficialmente a licença Pro da UEFA, certificação máxima exigida para comandar equipes no futebol europeu, segundo a ESPN. A alteração foi possível após uma articulação envolvendo o clube francês, Thiago Scuro, Conmebol e UEFA, e resolve uma questão que poderia limitar a atuação do treinador brasileiro na Europa.

Quando deixou o Flamengo para assumir o Monaco, Filipe Luís ainda não tinha a licença UEFA Pro. Até então, a falta da certificação poderia gerar dificuldades para que ele exercesse a função de treinador principal em determinadas competições europeias. O Monaco chegou a trabalhar em alternativas para viabilizar sua contratação, mas o cenário mudou com a nova interpretação das regras e com o reconhecimento da conquista continental obtida pelo brasileiro.

A grande novidade é que Filipe Luís não precisou cumprir novamente todo o caminho tradicional para obter a certificação. A UEFA e a Conmebol já possuem acordos de reconhecimento mútuo das qualificações de treinadores, estabelecendo procedimentos para que licenças obtidas sob uma convenção possam ser reconhecidas pela outra entidade.

Título da Libertadores abriu caminho

A mudança passa diretamente pelo trabalho realizado por Filipe Luís no Flamengo. Campeão da Libertadores em 2025, o treinador cumpriu o requisito de participação exigido na competição e, com a nova regra, a conquista passou a permitir que técnicos que atendam aos critérios tenham acesso à licença Pro sem precisar percorrer novamente todo o processo convencional de formação.

É uma alteração importante porque cria um caminho adicional para treinadores que conseguem atingir o mais alto nível de competição continental. Antes, a carreira de um profissional que quisesse chegar ao futebol europeu dependia basicamente da formação específica ou do cumprimento dos requisitos de experiência exigidos para equivalência. Agora, um título continental, associado à participação mínima estabelecida na competição, pode abrir essa porta.

O caso de Filipe Luís é particularmente simbólico porque ele teve uma transição extremamente rápida da carreira de jogador para a função de treinador. O brasileiro passou pouco mais de uma temporada no comando do Flamengo antes de assumir o Monaco. Por isso, não havia cumprido o período de experiência necessário para obter a equivalência pela via tradicional. A nova regra solucionou justamente esse obstáculo.

Filipe Luís deixa de ser uma exceção

O mais interessante da mudança é que Filipe Luís deixa de ser tratado como um caso isolado. A articulação que envolveu o Monaco não apenas resolveu a situação específica do treinador brasileiro, mas estabeleceu uma possibilidade que pode beneficiar outros profissionais que tenham trajetória semelhante no futebol sul-americano.

Na prática, passam a existir diferentes caminhos para alcançar o nível máximo de certificação: a formação tradicional para obtenção da licença, o cumprimento dos requisitos de experiência em clubes de alto nível ou, dentro dos critérios estabelecidos, a conquista de uma competição internacional com participação suficiente ao longo do torneio. A UEFA estabelece que a qualificação necessária para atuar em suas competições deve seguir as normas de sua convenção de treinadores.

O caso também mostra a importância crescente do intercâmbio entre Conmebol e UEFA. As duas entidades já formalizaram acordos para reconhecimento mútuo de qualificações e competências, além de estabelecerem critérios comuns para a formação de treinadores. Para Filipe Luís, a consequência é direta: agora ele pode trabalhar no futebol europeu com a certificação máxima, enquanto outros treinadores sul-americanos passam a enxergar uma nova possibilidade para alcançar o mesmo patamar.

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