A informação foi inicialmente publicada pela ESPN e confirmada pela reportagem do Bolavip Brasil: uma empresa ligada à família de Delcir Sonda acionou a Justiça contra o Internacional para cobrar quase R$ 17 milhões. A dívida tem origem na contratação de Andrés D’Alessandro pelo Colorado, em 2008, e voltou a ganhar força após o descumprimento de um acordo firmado entre as partes.
A Icipar Empreendimentos e Participações S.A. entrou com uma ação de cumprimento de sentença no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. No processo, a companhia apresenta uma cobrança atualizada de R$ 16.969.333,98, valor que já considera os encargos acumulados ao longo do período.
O caso está relacionado a uma das operações que envolveram a chegada de D’Alessandro ao Beira-Rio. Na época, o Internacional contou com o apoio de Delcir Sonda e do grupo DIS para viabilizar a contratação do argentino junto ao San Lorenzo.
Dívida surgiu na contratação de D’Alessandro
O acordo firmado naquele período previa que o parceiro seria ressarcido posteriormente em uma eventual venda dos direitos econômicos de D’Alessandro. Como a negociação que permitiria esse ressarcimento não aconteceu, a obrigação financeira permaneceu pendente ao longo dos anos.
Em dezembro de 2020, o Internacional reconheceu formalmente uma dívida de aproximadamente R$ 18,9 milhões relacionada à operação. Parte desse montante, posteriormente, foi direcionada à Icipar, empresa que integra o grupo empresarial ligado à família Sonda.
A companhia passou então a cobrar do clube uma parcela de aproximadamente R$ 8,2 milhões. Em 2023, Inter e Icipar chegaram a um acordo para que o débito fosse quitado de forma parcelada, em 50 prestações.

O acordo, porém, não foi cumprido integralmente pelo Internacional. Com a inadimplência, a empresa voltou à Justiça para exigir o pagamento da obrigação, agora com a atualização dos valores decorrente de multa, juros e correção.
Valor chegou a quase R$ 17 milhões
De acordo com a cobrança apresentada no processo, o débito alcançou R$ 16.969.333,98. Sobre o valor original foram aplicados, entre outros encargos, multa de 10%, atualização pela Selic e juros de mora de 0,5% ao mês.
A Icipar pede que o Internacional seja intimado para realizar o pagamento no prazo de 15 dias. Caso a dívida não seja quitada dentro do período determinado, a empresa também solicita a aplicação de nova multa de 10% e a adoção de medidas para garantir o recebimento.
Entre as possibilidades indicadas pela credora estão valores existentes em contas bancárias do clube e créditos que o Internacional tenha a receber. A empresa também cita receitas relacionadas aos direitos de transmissão junto à CBF e à Liga Forte União, além de valores provenientes de contratos comerciais e de patrocínio.
A ação está em fase de execução. Isso significa que a discussão atual não está concentrada na existência original da obrigação, mas na tentativa de fazer com que o pagamento reconhecido judicialmente seja efetivamente realizado pelo clube.
Inter acompanha processo na Justiça
A petição foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul na segunda-feira, dia 31, e aguarda a análise do Judiciário. Até o momento, o caso está nos procedimentos iniciais da execução, sem que tenha sido determinado bloqueio definitivo de contas ou penhora de bens.
O próximo passo é o avanço das medidas processuais e a manifestação das partes. Se o Internacional não realizar o pagamento voluntariamente ou não houver uma nova composição, a Justiça poderá analisar pedidos de constrição patrimonial para garantir o cumprimento da obrigação.
A cobrança representa mais um capítulo das antigas pendências financeiras envolvendo o Inter e negócios realizados com empresas ligadas a Delcir Sonda. A Icipar tem entre seus dirigentes Igor Sonda e Claudio Erik Sonda, filhos do empresário.





