A crise entre Uefa e Fifa ganhou um novo capítulo neste sábado (1). Horas após Gianni Infantino desistir do projeto de criar uma empresa para administrar ativos da entidade, a confederação europeia divulgou um duro comunicado e afirmou que não confia mais na atual gestão do presidente da Fifa.
Segundo a Uefa, a proposta foi conduzida sem transparência e contrariou compromissos assumidos por Infantino quando assumiu o comando da entidade, em 2016. A organização também informou que trabalhará em conjunto com suas federações e outras confederações para evitar que iniciativas semelhantes avancem no futuro.
A nota ainda afirma que a liderança da Fifa perdeu credibilidade junto a diversos integrantes do futebol mundial e defende uma análise profunda sobre o episódio para discutir possíveis medidas.
Uefa critica falta de transparência e relembra promessas de 2016
No comunicado, a entidade europeia relembrou declarações feitas por Infantino durante sua campanha à presidência da Fifa, quando prometeu maior transparência e garantiu que os recursos da organização seriam destinados ao desenvolvimento do futebol.
A Uefa afirma que essas promessas não foram cumpridas e classificou a tentativa de vender participações da nova empresa como um processo conduzido de forma “sórdida” e “tudo, menos transparente”. As aspas foram mantidas no posicionamento oficial da entidade.
O projeto previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que administraria competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A expectativa era captar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões) com a entrada de investidores privados.
Pressão internacional levou Infantino a recuar
A proposta encontrou forte resistência desde sua divulgação. A Uefa foi a primeira a anunciar que poderia boicotar futuras competições organizadas pela Fifa caso o plano fosse mantido. Concacaf e Confederação Asiática de Futebol também divulgaram manifestações contrárias, enquanto outras confederações convocaram reuniões para discutir o tema.
Diante da pressão, Infantino anunciou a retirada da proposta, alegando que o projeto havia “criado divisões” e que já não atendia ao objetivo inicialmente planejado. Em sua nota final, a Uefa agradeceu a federações, clubes, jogadores, torcedores e autoridades públicas que se posicionaram contra a iniciativa e reforçou que “o futebol não está à venda”.




