Além da presença de jogadoras brasileiras, outro fator determinante para a construção do Boston Legacy é o comando técnico. A franquia será liderada pela treinadora portuguesa Filipa Patão, nome que ganhou projeção internacional pelo trabalho desenvolvido no Benfica. A escolha reforça a proposta do clube de unir formação, competitividade e identidade clara de jogo. Para atletas que já trabalharam com a técnica, a decisão pesa diretamente na escolha pelo projeto. O comando europeu se soma à ambição da franquia.

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Laís Araújo foi uma das jogadoras que citou a treinadora como fator decisivo para aceitar a proposta. “O que mais me motivou foi a chance de competir no mais alto nível e voltar a trabalhar com a treinadora Filipa”, afirmou. A defensora destacou a confiança no método de trabalho e no papel que Patão teve em seu desenvolvimento. A possibilidade de reencontro criou segurança esportiva em um projeto ainda em fase inicial. A relação prévia se tornou um diferencial competitivo.
Aos 36 anos, Filipa Patão construiu uma trajetória sólida no futebol feminino português. No Benfica, comandou a equipe principal por seis temporadas consecutivas, acumulando títulos nacionais, taças e supertaças. Além dos resultados, ganhou reconhecimento pela capacidade de desenvolver jovens atletas. Muitas delas alcançaram seleções nacionais e projeção internacional. O histórico reforça a proposta de longo prazo do Boston Legacy.

Amanda Gutierres se despede do Palmeiras. Foto: Fabio Menotti/Palmeiras
Boston como vitrine estratégica do futebol feminino
Antes de assumir equipes profissionais, Patão passou por projetos de base, futsal e futebol reduzido. Essa formação diversificada moldou um perfil técnico fortemente ligado ao desenvolvimento individual e coletivo das atletas. No Benfica, a treinadora ficou conhecida por lançar e consolidar jogadoras como Kika Nazareth e Ana Vitória. Esse DNA formativo dialoga com o momento da NWSL, que busca equilíbrio entre espetáculo e sustentabilidade esportiva.
A escolha de Boston como sede da franquia também carrega peso simbólico. A cidade possui tradição esportiva consolidada, com torcidas engajadas e cultura vencedora. Segundo Leonardo Scheinkman, a chegada da NWSL à cidade reforça a ambição da liga. “Boston é uma das cidades mais tradicionais do esporte norte-americano”, afirmou. A localização amplia o alcance do projeto no cenário internacional.
O crescimento do futebol feminino nos Estados Unidos é fruto de um processo estrutural. A modalidade está inserida no sistema educacional e universitário, garantindo base ampla de formação. A hegemonia histórica da seleção norte-americana e políticas de incentivo ao esporte feminino criaram um ecossistema sustentável. Hoje, o futebol feminino é tratado como entretenimento, produto comercial e ativo global.

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Futebol feminino dos EUA se consolida como produto global
Projetos como o Boston Legacy indicam que a expansão da NWSL não é pontual, mas parte de uma estratégia de consolidação mundial. A combinação entre treinadora europeia, atletas sul-americanas e mercado norte-americano sintetiza esse movimento. “O futebol feminino deixou de ser apenas promessa e se tornou uma realidade sólida”, concluiu Scheinkman. O Boston Legacy surge, assim, como símbolo dessa nova fase.








