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Memphis e os R$ 15 milhões: especialista explica cláusula que virou entrave no Corinthians

R$ 15,4 milhões no contrato de Memphis geram dúvidas, e especialista explica como funcionaria a cláusula comercial

Memphis Depay - Foto Alexandre SchneiderGetty Images
Memphis Depay - Foto Alexandre SchneiderGetty Images

A renovação de Memphis Depay com o Corinthians chegou a ter nos R$ 15,4 milhões previstos em ações comerciais um dos principais pontos de resistência. O valor era considerado alto pelo clube e ajudou a explicar por que a renovação não foi assumida de imediato na última semana. O acordo, porém, acabou avançando.

Com a permanência do atacante encaminhada, ficou uma dúvida para a torcida: como, afinal, o Corinthians poderia gerar esses R$ 15,4 milhões? O valor sairia de novos patrocínios? De campanhas com Memphis? E o clube teria condições de transformar o potencial comercial do jogador em receita?

Para entender como esse tipo de cláusula funciona e o que ela representava para o Corinthians, a reportagem do Bolavip Brasil ouviu Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports & Marketing. O especialista explica como o clube poderia explorar comercialmente a imagem de Memphis e quais seriam os riscos de assumir uma garantia desse tamanho.

Afinal, como funcionavam os R$ 15,4 milhões?

O acordo previa uma garantia mínima de R$ 15,4 milhões de lucro líquido para Memphis em oportunidades comerciais prospectadas pelo Corinthians. O valor seria pago em quatro parcelas: R$ 6,16 milhões em dezembro de 2026 e outras três de R$ 3,08 milhões, previstas para junho de 2027, dezembro de 2027 e julho de 2028.

Além da garantia mínima, o contrato também estabelecia regras para os valores que ultrapassassem esse piso. Para entender como o Corinthians poderia alcançar essa quantia, é preciso olhar para a estratégia comercial por trás da contratação.

Quando um contrato estabelece uma meta desse tipo, o clube precisa investir para criar ações que possam ser transformadas em negócios. Não é simplesmente colocar o jogador em uma campanha e esperar que o dinheiro apareça. É preciso investir em planejamento, ativação, estrutura comercial e prospecção para transformar o potencial de exposição daquele atleta em novas oportunidades e receitas para o clube.

Na prática, os R$ 15,4 milhões não representavam uma meta de faturamento anual entre o clube e o jogador. Era o lucro líquido mínimo previsto para o jogador a partir das oportunidades comerciais intermediadas pelo clube.

Um jogador pode “se pagar” comercialmente?

A ideia de uma estrela ajudar a bancar o próprio investimento não é inédita no futebol brasileiro. Wolff cita Ronaldo Fenômeno como exemplo, mas ressalta que a presença de um jogador famoso, por si só, não garante retorno financeiro.

O Ronaldo mostrou que um jogador pode, sim, se pagar comercialmente. Mas isso depende de planejamento estratégico. Não estamos falando exatamente do mesmo modelo, mas o princípio é parecido: não basta se propor a fazer isso, é preciso planejar como transformar a contratação em negócios. É necessário estruturar as ações, buscar parceiros e criar oportunidades comerciais a partir da presença do atleta. Quando não existe esse planejamento, uma meta que poderia ser uma oportunidade acaba se transformando em dívida.

No caso de Memphis, a lógica seria a mesma. O atacante tinha potencial para ajudar o Corinthians a gerar novas receitas, mas isso dependeria da capacidade do clube de transformar sua imagem em negócios. Sem esse planejamento, o que poderia ser uma fonte de receita poderia acabar se tornando mais um compromisso financeiro.

O que uma marca enxerga em Memphis?

O potencial comercial de Memphis não está apenas na exposição de um jogador conhecido. O atacante também possui alcance internacional e pode ajudar o clube a ampliar sua presença em mercados e apresentar novas propriedades comerciais às marcas.

Para Wolff, esse valor pode ser explorado de diferentes maneiras: “O efeito Memphis vai muito além da exposição de um jogador. Ele pode contribuir para títulos, para a internacionalização da marca Corinthians e para ampliar a presença do clube em mercados que talvez não fossem alcançados da mesma maneira. Esse é o valor que precisa ser apresentado às marcas. Mas, para transformar isso em investimento, o clube precisa mostrar como essa visibilidade e essa internacionalização podem gerar resultados concretos para o parceiro.

Um jogador caro pode ser um bom investimento?

É por isso que o salário, sozinho, não determina se a contratação de um jogador é cara ou vantajosa. No caso de Memphis, o Corinthians também precisava considerar o potencial de receitas gerado pela exposição do atacante.

O ponto central, segundo Wolff, é diferenciar o potencial de retorno do dinheiro efetivamente gerado. Um jogador pode ter um custo elevado e ainda assim ser vantajoso para o clube, desde que consiga gerar receitas e valor de marca compatíveis com esse investimento.

Com certeza. O custo de um atleta não pode ser analisado exclusivamente pelo salário quando ele também gera valor em mídia, audiência, patrocínios, venda de propriedades e relacionamento com marcas. Um jogador pode ter um custo elevado e, ainda assim, apresentar uma relação custo-benefício muito interessante para o clube se conseguir gerar receitas e valor de marca compatíveis. Mas é importante separar potencial de resultado realizado. O mercado precisa medir o retorno efetivamente gerado, e não apenas projetar o que aquele atleta poderia gerar.

No caso de Memphis, essa diferença era ainda mais importante porque o contrato não tratava apenas de um potencial comercial: havia uma garantia mínima prevista para o jogador.

E se a meta não fosse atingida?

Esse era um dos principais riscos para o clube alvinegro. Caso as oportunidades comerciais buscadas pelo clube não fossem suficientes para atingir o valor mínimo previsto no acordo, o Corinthians teria que arcar com a diferença, conforme os termos divulgados sobre o contrato.

O acordo, porém, também previa exceções. Nem todos os negócios envolvendo Memphis entrariam nessa conta. Ficavam de fora, por exemplo, oportunidades conquistadas de forma independente pelo próprio jogador, contratos ligados a material esportivo e vestuário, além de outros acordos previstos na cláusula.

A conta poderia fechar?

Os R$ 15,4 milhões ajudaram a tornar a renovação mais complexa para o Corinthians, justamente porque acrescentavam uma garantia financeira a um contrato já considerado caro. Isso, porém, não significa que o modelo fosse necessariamente inviável.

A lógica apontada por Wolff é que o holândes tem potencial para gerar novas receitas, mas o resultado dependeria da capacidade do clube de transformar essa exposição em negócios concretos.

No fim, a questão não era apenas quanto Memphis custava ao Corinthians, mas quanto o clube conseguiria transformar o potencial comercial do atacante em receita. É nessa diferença entre expectativa e resultado que estava, ao mesmo tempo, a oportunidade e o risco da cláusula.

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