A venda ilegal de camarotes no Morumbis entrou de vez no radar das autoridades e ganhou contornos graves nesta quarta-feira. A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação com mandados de busca e apreensão ligados ao estádio do São Paulo, aprofundando a crise institucional vivida pelo clube, segundo o G1.

Ao todo, quatro endereços foram alvos da ação, incluindo locais ligados a Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos. Ambos pediram licença dos cargos. A investigação aponta que camarotes eram negociados de forma paralela e irregular.
Outro nome citado é Rita Adriana, apontada como responsável direta pela comercialização ilegal dos espaços. Ela não foi encontrada, mas a polícia apreendeu anotações consideradas relevantes para o avanço do inquérito. Na residência de Mara Casares, cerca de R$ 20 mil em dinheiro vivo também foram recolhidos.
Morumbis vira símbolo de crise institucional no clube
Um dos investigadores chegou a classificar o Morumbis como uma “gigantesca máquina de caça-níqueis”, em referência ao suposto esquema. Em nota oficial, o São Paulo afirmou ser vítima do caso e garantiu colaboração total com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
Douglas Schwartzmann não estava no país no momento da operação. A defesa alegou constrangimento e afirmou que a Polícia Civil tinha ciência prévia da viagem ao exterior. Mesmo assim, os agentes cumpriram o mandado e recolheram materiais na residência, atendidos por familiares.
O episódio se soma a um momento delicado nos bastidores. O clube vive uma das maiores crises políticas recentes, com o afastamento de Julio Casares da presidência após votação no Conselho Deliberativo, além de outras frentes de investigação em andamento.
Investigação amplia pressão sobre dirigentes do São Paulo
Segundo a polícia, entre 2021 e 2025 houve saques em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 11 milhões das contas do clube, além de depósitos de R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Casares. As defesas negam irregularidades e afirmam que os fatos não têm relação direta entre si.
Enquanto o clube tenta organizar documentos e reunir notas fiscais para justificar movimentações financeiras, o impacto institucional já é sentido internamente. A definição da Assembleia Geral de Sócios, que decidirá o futuro definitivo de Casares, ocorre em meio a um ambiente de forte desgaste.
A investigação sobre os camarotes ilegais ainda está em fase inicial, mas o caso amplia a pressão sobre a atual e a antiga gestão. O São Paulo tenta se reposicionar como vítima, enquanto vê o Morumbis virar palco de mais um capítulo turbulento fora de campo.