A história recente do Atlético Piauiense no futebol feminino se confunde com a trajetória de Renata Costa. Paranaense, 39 anos, a treinadora construiu uma carreira sólida dentro e fora de campo, marcada por resiliência e visão coletiva. Ex-jogadora da Seleção Brasileira por mais de uma década, Renata viveu Copas do Mundo, Olimpíadas e competições continentais. Em um período de pouca estrutura e visibilidade, ajudou a abrir caminhos para a modalidade. Hoje, transforma vivência em resultado concreto à beira do campo.

Renata Costa, técnica do Atlético-PI. Foto: Reprodução/Conecta Esportes
Renata Costa, técnica do Atlético-PI. Foto: Reprodução/Conecta Esportes

Foram 11 anos defendendo o Brasil, com finais disputadas e campanhas históricas, mesmo sem os títulos mais desejados. Renata destaca que cada ciclo teve papel fundamental na evolução do futebol feminino nacional. “Foram muitos anos de Seleção, com alegrias e frustrações. A gente não conquistou os maiores títulos, mas chegou em finais e ajudou a abrir caminho para o que o futebol feminino é hoje”, relembrou. A experiência internacional moldou sua leitura de jogo e liderança. Valores que hoje são base do seu trabalho como técnica.

A transição para a carreira de treinadora começou em 2019, após uma sequência de lesões e cirurgias no joelho. O desgaste físico foi decisivo para a mudança de rumo. “Chegou um momento em que eu entendi que precisava passar minha experiência de outra forma”, contou. O primeiro passo foi como auxiliar técnica no Iranduba, referência da modalidade na época. Ali, Renata iniciou um processo de aprendizado que seria fundamental para sua consolidação no comando técnico.

Renata Costa com a camisa da seleção. Foto: EMPIC Sport

Primeiros títulos e afirmação como treinadora

Após o Iranduba, Renata passou pelo 3B da Amazônia, atuou como supervisora e consultora técnica em Fortaleza, até assumir o Recanto da Criança. Foi nesse período que conquistou títulos estaduais e acessos nacionais. “Foi ali que eu dei meu pontapé inicial como técnica. Consegui título estadual, acesso e comecei a me enxergar realmente como treinadora”, destacou.

A sequência de trabalhos consolidou seu perfil competitivo e organizado. O caminho seguia sendo construído, passo a passo. Depois de passagem pelo Atlético-MT, Renata recebeu, no fim de 2024, o convite para assumir o Atlético Piauiense. Um clube novo, fora dos grandes centros e ainda distante do radar nacional.

“Quando cheguei, existiam muitas dúvidas. Era um clube novo, no Nordeste, que pouca gente conhecia”, afirmou. A resposta veio rápido: título da Série A3 do Brasileirão Feminino em 2025. “Foi algo gigantesco. Um marco para o clube, para o estado e para o futebol feminino”, resumiu.

Olhos no futuro e metas bem definidas

Com contrato renovado e elenco reformulado, Renata Costa carrega para o banco de reservas tudo o que viveu como atleta. Leitura de jogo, gestão de grupo e cobrança por união são pilares do trabalho. “É um esporte coletivo. Se não andar todo mundo junto, não funciona”, afirmou. Longe dos holofotes tradicionais, a treinadora segue ganhando espaço no cenário nacional. O sonho permanece claro: “Meu sonho é chegar à Série A1 e, um dia, estar também na seleção brasileira como treinadora”.