O São Paulo optou por entrar com uma equipe completamente alternativa no clássico contra o Palmeiras, neste sábado, no Nubank Park, e a decisão gerou questionamentos principalmente após a derrota. No entanto, a escolha da comissão técnica de Dorival Júnior teve uma explicação específica: a prioridade foi chegar em melhores condições físicas para a partida de volta contra o Boca Juniors, na terça-feira, pela Copa Sul-Americana.
A decisão já era discutida internamente antes mesmo do Choque-Rei. Segundo apuração do Bolavip Brasil, a comissão técnica entende que o confronto com o Boca tende a exigir bastante fisicamente do São Paulo, além de ser uma partida em que o time argentino pode adotar uma postura mais fechada, cadenciar o jogo e tentar tirar o Tricolor da sua zona de conforto.
Dorival priorizou recuperação para o Boca
Um dos pontos considerados foi o intervalo curto entre os compromissos. O São Paulo enfrentou o Palmeiras no sábado e terá o Boca Juniors novamente na terça-feira. Além disso, o elenco tricolor já vinha de uma sequência com viagem internacional e do desgaste provocado pela partida de ida, disputada em Buenos Aires.
Dentro do clube, existe também um entendimento entre os jogadores de que o gramado sintético aumenta a dificuldade de recuperação física. Não se trata de uma conclusão científica utilizada como justificativa médica, mas de uma percepção recorrente dos atletas com quem o Bolavip Brasil conversa. A avaliação é de que o corpo demora aproximadamente 48 horas, ou até mais, para voltar a apresentar melhores condições após determinados esforços.
Por isso, na visão da comissão técnica, colocar os principais jogadores em campo contra o Palmeiras poderia significar chegar ao jogo de terça-feira ainda carregando parte desse desgaste. A opção foi preservar os titulares e tentar fazer com que eles tenham o maior tempo possível de recuperação antes da decisão contra o Boca.
Dorival Júnior também abordou a necessidade de administrar o elenco na entrevista coletiva. A explicação pública do treinador conversa com o que foi apurado internamente: o planejamento não considera apenas a importância do clássico, mas também o cenário específico da Sul-Americana e as condições físicas dos dois times.
Boca chega em condição física diferente
Outro fator importante para a decisão foi justamente a situação do Boca Juniors. O time argentino chega ao segundo confronto com uma condição de descanso considerada mais favorável pelo São Paulo.
Antes do duelo de ida, o Boca optou por preservar jogadores em seu compromisso anterior e chegou a Buenos Aires com uma equipe mais descansada. Depois do jogo contra o Tricolor, voltou a utilizar uma escalação alternativa na sexta-feira, novamente administrando seus principais jogadores.
Dessa maneira, a avaliação do São Paulo é de que o Boca chegará à terça-feira com seus principais atletas descansados. O Tricolor, por outro lado, teria de administrar um calendário mais apertado, com o clássico contra o Palmeiras encaixado entre os dois confrontos da Sul-Americana.

A comissão técnica, então, avaliou que não seria apenas uma questão de enfrentar o Palmeiras. O risco era gastar fisicamente os principais jogadores no sábado e, três dias depois, encontrar um Boca descansado em uma partida que pode exigir muita intensidade, concentração e capacidade de suportar um jogo mais amarrado.
Escalação foi totalmente alternativa
A decisão explica também a escolha por uma equipe praticamente inteira formada por reservas. Carlos Coronel começou no gol, enquanto a linha de três teve Newton, Rafael Tolói e Osório.
Victor Sá e Wendell foram utilizados como alas, com Pablo Maia, Jorginho e Cauly formando o meio-campo. No ataque, Dorival escalou Ferreirinha e André Silva.
A informação importante é que nenhum desses jogadores que começou o Choque-Rei está projetado para ser titular contra o Boca Juniors na terça-feira. Ou seja, não houve uma preservação parcial: a comissão técnica decidiu, de fato, separar completamente as duas partidas.
A escolha, naturalmente, envolvia um risco. O clássico contra o Palmeiras também tinha peso esportivo e o São Paulo sabia que uma derrota poderia gerar repercussão. O resultado acabou confirmando esse lado negativo da estratégia, já que o Tricolor deixou o campo derrotado.
Ainda assim, internamente, a avaliação da comissão técnica não parte do resultado isolado do Choque-Rei. A ideia foi fazer uma escolha pensando no cenário considerado mais importante neste momento: chegar ao Morumbis na terça-feira com os titulares fisicamente preparados para tentar reverter a vantagem do Boca Juniors.
O planejamento, portanto, não significa que o clássico tenha sido considerado irrelevante. A leitura foi de prioridade dentro de uma sequência extremamente apertada e diante de um adversário que, segundo a análise do São Paulo, terá uma condição física melhor para a decisão.
Agora, a escolha feita por Dorival será colocada à prova justamente na terça-feira. Com os titulares preservados no sábado, o treinador espera contar com um São Paulo mais inteiro fisicamente para enfrentar um Boca que deve apostar em um jogo de muita disputa, concentração e paciência.





