A comunidade Reg Life é um grupo de estudos sobre poker liderados por Yuri Martins, dono de dois braceletes da WSOP, e Gustavo Mastelotto “22ehnutzz”. Fazem parte também desse segmento o casal Mario Júnior e Fernanda Lopes. Ele, jogador de poker profissional, ela, uma criadora de conteúdo digital com vasta experiência no meio. Os dois estão neste momento vivendo um sonho que não é só deles, mas sim de todo jogador de poker.

Mesmo com todas as dificuldades dos brasileiros de entrar nos Estados Unidos nesse período de pandemia os dois conseguiram se mandar pra Las Vegas no final de junho. A WSOP deve acontecer entre os dias 30 de setembro e 23 de novembro, período que o casal deve permanecer na terra do Tio Sam.

“Decidimos unir o útil ao agradável, ficar nos Estados Unidos até a WSOP e ganhar ‘casca` de torneio live, produzir mais conteúdos, ter essa experiência de morar em outro país, falar outra língua e viver outros costumes que a gente sempre teve muita vontade”, disse Fernanda Lopes em entrevista exclusiva ao Bola Vip.

A Fernanda e o Mario devem ser um dos poucos brasileiros que terão a chance de disputar essa WSOP. Os problemas passam pelo visto americano que está sendo dificultado por conta da pandemia, além da quarentena de 14 dias em países como o México que brasileiros tem que se submeter antes de entrar nos Estados Unidos.

“Eu não acho que nós vamos ter tantos brasileiros disputando braceletes nessa WSOP ao vivo. Acaba que você precisa gastar mais pra estar aqui, fazer essa quarentena, porém, eu torço para que venha o máximo possível de brasileiros. Está edição vai ser muito especial”, comentou Fernanda.

Confira a entrevista completa com Fernanda Lopes

Bola Vip: Como foi a decisão de ir para Las Vegas com tanta antecedência antes da WSOP?

Fernanda Lopes: Desde que sai de Vegas em 2014, quando vim com o Akkari Team, coloquei na minha cabeça que iria voltar, só não sabia como. Ao longo dos anos trabalhei em vários projetos e esse ano me programei financeiramente junto ao meu trabalho para vir a WSOP que tenho certeza, será uma festa muito bonita.

No ano passado, o Yuri convidou a mim e ao Mario Júnior para ir no casamento dele no México. Compramos o pacote, mas o casamento foi cancelado, como existe uma necessidade de fazer uma quarentena de 14 dias em um país aprovado como é o caso do México juntamos um desejo com uma possibilidade, uma oportunidade que surgiu e a gente decidiu ficar esses meses aqui pra criar ‘casca’ para jogar alguns eventos da WSOP.

BV: Quanto tempo demorou o planejamento dessa viagem? E quais foram as dificuldades?

FL: O planejamento durou 10 dias. Foi bem acelerado porque naquele momento o Gustavo (Mastelotto “22ehnutzz”) e a Jessica, noiva dele, fariam a viagem conosco, mas retornariam ao Brasil em agosto por conta da WSOP Online no GGPoker.

As dificuldades foram inúmeras, desde encontrar passagem, remarcar a viagem para o México, algo que as companhias aéreas dificultam. Também tivemos que fechar a nossa vida no Brasil, vender carro, outras coisas, deixar a nossa cadelinha com a minha sogra. Tudo isso em dez dias. Em relação a visto, passaporte, a gente já tinha tudo certinho, não tivemos problema.

BV: Você já jogou alguns torneios desde que chegou, como foi o desempenho?

FL: Eu cheguei aqui fazem quatro dias. Jogamos em dois deles e nos outros aproveitei para resolver coisas como chip do telefone e trabalho com a Reglife. Joguei cinco torneios e fiz uma mesa final, mas premiavam seis pessoas e fui eliminada na nona posição. Também fiz um acordo no 3-Handed de um torneio diário no Flamingo com bounty e peguei o valor do segundo colocado.

BV: Vocês pretendem disputar o Main Event da WSOP? Montaram uma grade dos torneios que vão engatar?

FL: Sim, muito sim, na realidade esse é o principal objetivo de ter vindo pra cá. Vamos jogar esses torneios diários para conseguir uma banca para dar o buy-in do Main Event da WSOP que é o sonho de qualquer jogador, eu acho. Tem todo o status, glamour e também a jogabilidade, uma estrutura incrível.

Não montamos uma grade de torneios, nem da WSOP nem desses diários que estamos jogando. Principalmente porque acabamos de chegar e estamos entendendo qual é a dinâmica dos cassinos, por exemplo onde tem o melhor field e estrutura. Também dependemos de ir bem nas competições menores para ter uma banca e encarar os eventos da série.

BV: Quais as diferenças do field de Las Vegas para o Brasil?

FL: Eles falam inglês e pagam em dólar (risadas). No geral são bem recreativos, algo que já acontece no poker ao vivo ai no Brasil também. Tudo bem tranquilo, uma galera super gente boa, com bastante turistas – talvez essa seja a diferença – um pessoal que está ali por pura diversão. Encontrei ‘spots’ cascas até agora, o pessoal quer mesmo dar risada e exercitar a mente.

BV: Como estão os cuidados com a pandemia nos cassinos?

FL: Como por aqui a vacinação está bem acelerada, até mesmo as crianças já tomaram vacina, o uso da máscara se tornou opcional na maior parte dos lugares, inclusive nos cassinos. É normal as pessoas jogarem sem máscara, mas ouvi boatos que nesta sexta-feira (30) pode mudar, que vai voltar a ser obrigatório.

Dentro dos cassinos tem várias notificações avisando para lavar as mãos com álcool em gel, mas a galera tá bem tranquila aqui o que não é legal porque o Covid está voltando, mas os funcionários todos usam máscara porque para eles é obrigatório.

Nota da redação: O governo do Estado de Nevada, onde fica Las Vegas, instaurou um decreto de emergência retornando com a obrigatoriedade das máscaras em lugares fechados. A medida se faz necessária por conta do aumento de contaminados pelo Coronavírus.

BV: Para finalizar, explica para o nosso leitor como funciona a comunidade Reglife?

FL: Ela é um grupo de estudos na qual o aluno faz uma assinatura anual e poderá assistir todas as aulas que já passaram e também as novas, sempre com o Yuri Martins e o Gustavo Mastelotto, além de convidados. Temos como objetivo trazer conteúdos que o nosso público demanda através do nosso grupo no Discord e se lá percebemos muitas dúvidas sobre reta final, por exemplo, criamos aulas sobre isso.

Esse espaço é a nossa cereja do bolo, já que o pessoal pode interagir entre eles, um impulsionar o outro. Eu acho que isso é o maior poder dentro do poker, trocar ideias com pessoas que estão trilhando a mesma jornada, querem seguir ou já alcançaram um objetivo em comum.