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Palmeiras se pronuncia sobre ingressos da Libertadores e detalha pontos da polêmica

A polêmica ultrapassa a velocidade com que os ingressos se esgotaram Pacotes de viagem, relações comerciais e suspeitas de cambismo ampliaram os questionamentos

Leila Pereira acompanha de perto o problema que impactou nos ingressos para a torcida Alviverde acompanhar o Palestra no Estádio Centenário (Photo by Buda Mendes/Getty Images)
© Getty ImagesLeila Pereira acompanha de perto o problema que impactou nos ingressos para a torcida Alviverde acompanhar o Palestra no Estádio Centenário (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

A classificação para mais uma final de Libertadores mobilizou a torcida do Palmeiras, mas a corrida por um lugar no Estádio Centenário, em Montevidéu, acabou produzindo um capítulo menos festivo. A comercialização dos ingressos destinados exclusivamente aos palmeirenses provocou reclamações, denúncias de possíveis ações de cambistas e questionamentos sobre os critérios de distribuição das entradas. Diante da repercussão, o clube divulgou uma nota oficial neste sábado (7) para esclarecer sua participação no processo e apresentar as medidas adotadas contra a revenda ilegal.

O primeiro dado ajuda a dimensionar o problema. A carga de 12.750 ingressos destinada ao setor exclusivo do Palestra esgotou-se em aproximadamente três horas, depois da abertura das vendas na sexta-feira (6). Cada entrada custava 95 dólares, cerca de R$ 520. A velocidade da comercialização, por si só, não comprova qualquer irregularidade, mas expôs a distância entre a quantidade de bilhetes disponíveis e o contingente de torcedores interessados em acompanhar a decisão contra o Estudiantes, marcada para 28 de novembro.

Parte da insatisfação surgiu justamente da ordem de prioridade estabelecida para a compra. Os primeiros acessos contemplaram associados com maior pontuação de assiduidade, integrantes do plano Diamante e determinados grupos de sócios ‘Avanti’ do clube. Torcedores com planos mais baratos, mesmo frequentando partidas ao longo da temporada, questionaram a possibilidade de terem ficado sem ingresso enquanto outras modalidades de acesso avançavam na fila. A discussão, portanto, envolve a percepção de justiça na distribuição de uma quantidade naturalmente restrita de entradas.

Outro elemento ampliou o desconforto. Pacotes comercializados pela Century Travel e Turismo, operadora da Palmeiras Travel, também passaram a integrar o debate. Uma das opções anunciadas custava R$ 13.975 e incluía transporte aéreo de Guarulhos a Montevidéu, deslocamento para o estádio, seguro e coordenação, sem hospedagem.

Avião, preços superiores e divisão de responsabilidades entraram no pacote da polêmica

A utilização de aeronaves fretadas da Placar, empresa ligada à presidente Leila Pereira, levantou questionamentos entre torcedores sobre possível conflito de interesses. O Palmeiras esclareceu que a agência contratou diferentes companhias aéreas, entre elas Gol, Azul e Placar. Também foi informado que o clube recebe royalties sobre os pacotes comercializados pela operadora.

A possibilidade de cambismo acrescentou uma dimensão ainda mais delicada à controvérsia. Torcedores relataram ofertas de entradas da final por valores muito superiores aos praticados na venda oficial, com anúncios que chegariam a R$ 4 mil e R$ 5 mil. São denúncias que precisam ser verificadas, não irregularidades que possam ser tratadas como comprovadas. Ainda assim, a circulação dessas ofertas tornou inevitável a cobrança por explicações sobre a segurança do processo e a capacidade de identificar quem efetivamente adquiriu os bilhetes.

Na nota, o Palmeiras procurou delimitar sua responsabilidade operacional. O clube afirmou que não é responsável pela comercialização dos ingressos da final, atribuição que cabe à CONMEBOL e à plataforma utilizada pela entidade. Ao mesmo tempo, reconheceu sua participação em uma integração sistêmica com o sistema de vendas, realizada para assegurar que o setor destinado aos palmeirenses fosse reservado à torcida alviverde e que os associados do Avanti tivessem prioridade de compra. A distinção é importante: o clube diz não conduzir a venda, mas participou da estrutura que organizou o acesso dos seus associados.

A diretoria também explicou por que tantos torcedores habilitados não conseguiram comprar entradas. Segundo o comunicado, a capacidade do setor exclusivo é inferior ao número de associados aptos a participar da primeira pré-venda, considerando tanto a categoria do plano quanto a assiduidade nos jogos. A SEP acrescentou que nenhuma diretriz do Avanti foi alterada para essa comercialização. A justificativa esclarece a insuficiência da oferta diante da procura, embora não elimine os questionamentos sobre a distribuição das oportunidades de compra nem sobre a presença de ingressos em pacotes turísticos.

Cambismo na mira do Palmeiras

O combate ao cambismo recebeu espaço considerável no posicionamento oficial. O clube lembrou que implementou a biometria facial em 100% dos ingressos que comercializa em 2023 e afirmou ter desenvolvido novas ferramentas antifraude, além de endurecer regras do Avanti. Citou, inclusive, a limitação para substituição de dependentes isentos do plano Diamante, que passou a ocorrer somente a cada seis meses, com máximo de duas alterações no período.

O comunicado também mencionou uma investigação iniciada a partir de informações da auditoria interna, que levou a Polícia Civil a cumprir 15 mandados de busca e apreensão em outubro contra suspeitos de envolvimento em um esquema de revenda ilegal de entradas para partidas do clube.

Sobre as denúncias relacionadas à final, o Alviverde afirmou que analisará os dados dos compradores e se colocou à disposição da empresa parceira da CONMEBOL responsável pela comercialização para colaborar com eventuais investigações. Caso sejam identificadas irregularidades envolvendo cambismo, o clube declarou que adotará as medidas cabíveis. É uma resposta que estabelece um compromisso de apuração, mas que também deixa uma etapa importante em aberto: a identificação da origem dos ingressos eventualmente oferecidos no mercado paralelo e a responsabilização dos envolvidos, caso as suspeitas sejam confirmadas.

A última chance de comprar ingresso

Por fim, o comunicado informou que a CONMEBOL abrirá uma nova etapa de venda de ingressos da Categoria 2 na quarta-feira (11), destinada ao público em geral. Trata-se de uma oportunidade adicional de acesso à decisão, mas não de uma reabertura do setor exclusivo palmeirense, cujas entradas já foram esgotadas.

O Palmeiras encerrou a nota reconhecendo a frustração dos torcedores que não conseguiram garantir presença em Montevidéu e ressaltando o significado de representar o clube em mais uma final continental. A manifestação organiza a versão oficial e esclarece responsabilidades, mas a dimensão da insatisfação mostra que, para além da classificação em campo, a experiência de chegar à decisão também depende de um processo de acesso que inspire confiança.

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