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Abel Ferreira pode explorar instabilidade defensiva do Vasco em decisão da Copa do Brasil

Pedro Emanuel, técnico vascaíno, promoveu mudanças na estrutura defensiva para tentar conter a sequência de gols sofridos. A escolha para enfrentar o Palmeiras pode revelar um novo desafio para a última linha

Abel Ferreira durante treino na Academia de Futebol - Foto: César Greco - SEP
Abel Ferreira durante treino na Academia de Futebol - Foto: César Greco - SEP

O Vasco chega à decisão da vaga na final da Copa do Brasil, que acontece neste domingo (8), com um problema que não se resolve apenas com mudanças na escalação. Nos últimos seis jogos, a equipe sofreu 12 gols, média de dois por partida. O número ajuda a dimensionar uma dificuldade que ganhou contornos mais delicados às vésperas de enfrentar o Palmeiras. Pedro Emanuel precisa reorganizar justamente o setor que mais tem exigido respostas, enquanto do outro lado encontrará o melhor ataque da competição, com 16 gols em sete partidas.

A situação se agrava pela indisponibilidade de dois defensores. Alan Saldivia está suspenso depois de ser expulso no primeiro confronto, enquanto Carlos Cuesta, com um problema no quadril, precisará passar por cirurgia e não atua mais nesta temporada. Gabriel Pereira aparece como favorito para formar a dupla com Robert Renan. A questão é que o zagueiro teve somente três titularidades desde que chegou ao clube, duas delas ao lado do próprio Robert. É uma solução necessária, mas que não oferece ao treinador a continuidade que normalmente se procura em uma partida dessa dimensão.

Dessa forma, o Vasco também procura uma configuração defensiva que consiga oferecer maior segurança. Na vitória sobre o Athletico-PR, Pedro Emanuel utilizou três zagueiros, numa tentativa de corrigir problemas que vinham aparecendo nas partidas anteriores. Para enfrentar o Verdão, entretanto, a tendência é retornar à linha de quatro. A mudança acrescenta uma questão à preparação vascaína: além de substituir peças, o treinador precisa encontrar uma estrutura capaz de funcionar com uma formação que não vem sendo utilizada de maneira contínua.

O Palestra, naturalmente, tem motivos para observar esse cenário com atenção. A equipe de Abel Ferreira construiu uma campanha ofensiva expressiva na Copa do Brasil e chega ao Rio de Janeiro com um repertório que não depende de um único jogador para produzir situações de perigo. Os 16 gols marcados na competição representam um argumento concreto diante de um adversário que sofreu gols em sequência e agora terá de lidar com uma formação defensiva modificada.

Duas lições ao Palmeiras no primeiro duelo contra Vasco

Há também um precedente recente que merece ser considerado. Na partida de ida, o Alviverde venceu por 1 a 0, com gol de Maurício, depois de um primeiro tempo em que conseguiu impor seu ritmo e produzir mais ofensivamente. A participação de Marlon Freitas na construção da jogada, com assistência ao camisa 18, ilustra como o time conseguiu envolver diferentes jogadores no lance decisivo. O Vasco cresceu depois do intervalo, mas terminou derrotado e agora precisa reverter a vantagem alviverde em São Januário.

A presença de Flaco López, Maurício e Jhon Arias oferece a Abel alternativas importantes para explorar as dificuldades adversárias. São jogadores com características diferentes, capazes de participar da construção, ocupar espaços próximos à área e dar continuidade às jogadas ofensivas. Não se trata de presumir que a defesa vascaína cometerá erros, mas de reconhecer que uma última linha com pouca continuidade terá pela frente um ataque que dispõe de mais de uma maneira de produzir perigo.

Flaco representa uma referência importante nesse desenho. Sua presença oferece ao time um jogador capaz de disputar espaço com os zagueiros e participar das ações dentro da área. Maurício, por sua vez, pode aparecer em regiões mais próximas da intermediária ofensiva, enquanto Arias acrescenta mobilidade e capacidade de participação pelos lados. A combinação permite que o adversário tenha de lidar com ameaças de naturezas diferentes. Para uma defesa que ainda procura estabilidade, a necessidade de responder a movimentos variados representa uma exigência adicional.

Outro ponto de atenção está no gol vascaíno. Léo Jardim também chega pressionado pelo desempenho recente, especialmente depois da eliminação diante do Boca Juniors, quando falhou no lance que selou a queda da equipe. O goleiro terá pela frente um ataque que já demonstrou eficiência ao longo da competição. Não seria correto atribuir a ele a responsabilidade isolada pelos problemas defensivos do Vasco, mas a atuação individual pode adquirir peso ainda maior quando a equipe precisa corrigir dificuldades coletivas.

Oportunidade que se abre ao Palestra

O contexto, portanto, oferece ao Verdão uma oportunidade que vai além dos desfalques vascaínos. A instabilidade da defesa, a pouca continuidade da provável dupla de zaga e a necessidade de reorganização do sistema formam um conjunto de fatores que Abel pode procurar explorar. O treinador precisa fazer com que o Alviverde aproveite as características que já possui diante de um adversário obrigado a montar respostas em um momento particularmente delicado.

A vantagem de 1 a 0 conquistada em São Paulo também permite ao Palmeiras administrar a eliminatória sem abandonar sua capacidade de atacar. O Vasco precisa vencer e terá de conviver com a pressão de uma decisão em casa. Para o Palestra, o desafio passa por transformar a instabilidade defensiva vascaína em vantagem competitiva. Em uma semifinal, conhecer o problema do adversário é importante. Saber como fazê-lo pagar por ele é o que pode separar uma vantagem construída de uma classificação confirmada.

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