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Análise: Abel muda o Palmeiras e desfalques obrigam uma reviravolta tática contra o Athletico-PR

A provável escalação do Palmeiras expõe mudanças que vão além da troca de titulares. Abel terá de ajustar os encaixes defensivos sem perder força na busca pela liderança

Abel Ferreira foi obrigado a mudar contra o Athletico - PR - (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
Abel Ferreira foi obrigado a mudar contra o Athletico - PR - (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

A decisão de Abel Ferreira de não poupar jogadores contra o Athletico-PR ganha contornos mais interessantes quando a provável escalação é colocada diante dos problemas específicos que o Palmeiras terá de resolver em Curitiba. O treinador não pretende escolher entre o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, mas a ausência de Gustavo Gómez, Giay e Vitor Roque obriga o Verdão a mexer em três posições importantes. O desafio está em descobrir se as alternativas disponíveis conseguem responder às exigências de um confronto que reúne o terceiro colocado do Brasileirão e um concorrente direto na briga pelo título.

O primeiro detalhe é a escolha de Bruno Fuchs para substituir Gómez. Isso porque o Verdão perde seu capitão e um defensor experiente justamente diante de um adversário que possui uma referência ofensiva particularmente perigosa. Viveros soma 21 gols em 28 partidas pelo Campeonato Brasileiro. É um número que ajuda a dimensionar o tamanho do problema. Sem Gómez, Abel terá de confiar em outra combinação de posicionamento, antecipação e proteção da área para conter um atacante que vem demonstrando capacidade de decidir.

A questão chama atenção porque o Athletico deve atuar com três zagueiros, estrutura que também aparece como uma possibilidade para o Palestra. Nesse desenho, os corredores podem assumir papel decisivo, tanto na progressão ofensiva quanto na recomposição. Khellven, provável substituto de Giay, precisará oferecer amplitude sem permitir que o adversário explore suas costas. Do outro lado, Piquerez terá de medir o momento de avançar, sobretudo se o Athletico conseguir acelerar as jogadas pelos lados. A ausência do argentino pede uma nova leitura dos encaixes defensivos.

Há um segundo problema, talvez ainda mais relevante para o funcionamento ofensivo: Vitor Roque segue em tratamento da entorse no tornozelo direito e deve desfalcar o time. A tendência é que Flaco López continue como referência central, com Jhon Arias e outras alternativas disputando espaço ao seu redor. A escolha reduz a possibilidade de utilizar a velocidade de Vitor Roque para atacar as costas da defesa e obriga Abel a encontrar outras maneiras de ameaçar o gol adversário.

Flaco tem duelo individual na Arena da Baixada

Flaco, aliás, terá um duelo simbólico pela frente. O argentino registra nove gols em 27 jogos no Brasileirão, enquanto Viveros apresenta 21 em 28 partidas. Os números não contam toda a história de dois jogadores com funções e contextos diferentes, mas evidenciam a disparidade de produção na competição. O Palmeiras precisa que seu centroavante transforme a presença na área em uma ameaça constante, especialmente se a equipe encontrar dificuldades para construir ataques longos. Sem Vitor Roque, a contribuição de Flaco para segurar a bola, disputar os cruzamentos e finalizar as jogadas ganha ainda mais peso.

É nesse ponto que Andreas Pereira merece atenção especial. Se Abel mantiver o meio-campo projetado nas últimas escalações, o camisa 8 terá responsabilidade na ligação entre a recuperação da posse e a chegada ao ataque. Contra uma equipe que pode povoar a última linha com cinco jogadores durante a fase defensiva, circular a bola sem acelerar a jogada tende a favorecer o sistema adversário. A SEP precisará encontrar passes que tirem os zagueiros de posição, acionar Arias entre as linhas e criar situações nas quais Flaco receba em condições de finalizar. A ausência de Vitor Roque torna essa conexão ainda mais importante, pois não basta chegar ao campo ofensivo; será necessário transformar a posse em ameaça real.

O problema é que o Verdão chega a Curitiba carregando uma sequência que contrasta com a vitória sobre o Fluminense no Maracanã. A equipe está há quatro partidas sem vencer como visitante no Campeonato Brasileiro: perdeu para o Fluminense por 3 a 2 e empatou com Mirassol, Botafogo e Grêmio. A última vitória fora de casa na competição foi o 4 a 0 sobre o Vitória, em 29 de julho. Embora continue com uma das melhores campanhas como visitante, o retrospecto recente indica que o desempenho na Libertadores ainda não se traduziu em uma resposta semelhante no torneio nacional.

Palmeiras de olho em retomada positiva como visitante

Contudo, a equipe comandada por Abel Ferreira também precisa recuperar uma capacidade de competir fora de casa que já foi uma de suas principais virtudes. Contra o Athletico, um empate prolongaria a sequência sem vitórias no Brasileirão; uma derrota poderia custar terreno na disputa pela liderança. O Flamengo, que tem um ponto de vantagem, visita o Bahia no domingo. O Palestra não controla o resultado do rival, mas pode evitar que a equipe dependa de tropeços alheios para continuar na briga pelo título.

A escolha de manter os principais jogadores disponíveis também precisa ser analisada sob essa perspectiva. O Alviverde não tem uma equipe reserva capaz de reproduzir automaticamente todas as relações táticas do time titular, e promover uma rotação extensa poderia comprometer o resultado justamente em uma rodada decisiva. Por outro lado, preservar a base da equipe não significa ignorar a condição física de quem atuou por mais de 45 minutos contra o Fluminense. Abel terá de avaliar quais titulares estão em condições de sustentar a intensidade exigida sem perder rendimento ao longo dos 90 minutos.

A resposta pode estar menos na quantidade de mudanças e mais no momento de realizá-las. Se o Verdaço conseguir controlar as transições e evitar que Viveros receba em condições favoráveis, terá condições de administrar o confronto sem transformar cada ataque do Athletico em uma situação de emergência. Se, por outro lado, a equipe sofrer para proteger a área e perder força para sair jogando, Abel precisará intervir antes que o desgaste comprometa o plano. As opções de Felipe Anderson, Mauricio e Sosa aparecem justamente como alternativas para alterar características da equipe durante a partida, sem que isso represente necessariamente abandonar a busca pelos três pontos.

A provável escalação e os desafios espalhados do elenco a Abel

A escalação provável, que conta com Carlos Miguel; Murilo, Bruno Fuchs e Barboza; Khellven, Marlon Freitas, Lucas Evangelista, Andreas Pereira (Felipe Anderson) e Piquerez; Arias (Mauricio) e Flaco López (Sosa), revela uma escolha coerente com a ambição do Palmeiras, mas também expõe riscos que não podem ser ignorados.

Bruno Fuchs terá de responder à ausência de Gómez diante de um dos atacantes mais produtivos do campeonato, Khellven precisará ocupar o espaço deixado por Giay sem fragilizar o corredor e Flaco terá de sustentar a referência ofensiva sem o parceiro de ataque lesionado. São problemas concretos que podem definir o resultado em Curitiba.

Abel não precisa escolher entre dois títulos antes de a bola rolar. Precisa mostrar que sua ‘equipa’ consegue disputar os dois sem confundir força máxima com repetição automática da escalação. O confronto com o Athletico é uma oportunidade de pressionar o Flamengo e, ao mesmo tempo, testar a capacidade do elenco de absorver ausências sem perder sua identidade competitiva. Se o Verdão vencer, demonstrará que pode ir além da preservação física e produzir respostas dentro de campo. Se tropeçar, a discussão sobre a administração do elenco ganhará outra dimensão.

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