O Palmeiras entra em campo neste sábado (17), às 19h30 (horário de Brasília), contra o Athletico-PR, na Arena da Baixada, sabendo que qualquer deslize pode custar caro na perseguição ao Flamengo pelo título brasileiro.
Em meio à preparação para a decisão da semifinal da Libertadores contra o Fluminense, o time de Abel Ferreira precisa dividir as atenções sem perder competitividade no Brasileirão. E existe um nome que exige vigilância durante os 90 minutos: Kevin Viveros.
O colombiano é uma das principais armas ofensivas do Furacão e, com 21 gols no Campeonato Brasileiro, lidera a artilharia da competição. Forte fisicamente, agressivo nos duelos e capaz de incomodar os zagueiros mesmo quando recebe a bola longe da área, o camisa 9 representa um teste importante para uma defesa palmeirense que terá mudanças.
Palmeiras não terá seu capitão para parar Viveros
Sem Gustavo Gómez, suspenso, Abel perde justamente seu capitão e uma das principais referências de liderança do sistema defensivo. Agustín Giay também está fora pelo acúmulo de cartões amarelos, abrindo espaço para Khellven. A tendência é que Bruno Fuchs assuma a vaga de Gómez caso o treinador mantenha a linha de três zagueiros, ao lado de Murilo e Alexander Barboza.
É nesse cenário que o Palmeiras precisa evitar um erro recorrente contra atacantes de força e mobilidade: transformar um duelo físico em uma disputa individual a qualquer custo.
O confronto do primeiro turno serve como alerta. Na vitória palmeirense por 1 a 0, em abril, no Allianz Parque, Murilo teve uma participação complicada diante de Viveros. Aos dois minutos do 2º tempo, o zagueiro foi expulso após cometer falta no colombiano, em um lance no meio de campo, próximo à linha lateral.
Murilo deixou o atacante girar e, quando perdeu o posicionamento, precisou recorrer à falta para interromper a jogada. Como já tinha cartão amarelo, acabou expulso e deixou o Palmeiras com um jogador a menos durante praticamente todo o segundo tempo.
A expulsão mudou o panorama da partida. O Verdão precisou baixar suas linhas e concentrar esforços na proteção da vantagem mínima, enquanto o Athletico ganhou espaço para pressionar. Em outro lance, Viveros também esteve envolvido em uma jogada na área com Benedetti, na qual o árbitro chegou a marcar pênalti, posteriormente anulado após intervenção do VAR.
O episódio não significa que Murilo necessariamente repetirá os mesmos erros, mas mostra como Viveros pode provocar situações de risco quando encontra espaço para girar, acelerar ou levar o defensor a uma decisão precipitada.
Palmeiras precisa controlar o duelo, não cair na provocação
A principal preocupação de Abel Ferreira deve ser coletiva. Com a ausência de Gómez, a defesa perde uma referência importante para organizar o posicionamento e controlar os momentos de maior pressão. Por isso, Fuchs, Murilo e Barboza precisarão atuar com coordenação, evitando que Viveros receba a bola em condições de atacar o espaço ou ficar isolado contra um único marcador.
O colombiano tem força para proteger a posse, velocidade para atacar a profundidade e presença física para disputar bolas diretas. Mesmo sem ser um centroavante de grande estatura — mede 1,80 m —, consegue usar o corpo para dificultar a ação dos defensores. A resposta palmeirense não pode ser apenas tentar ganhar cada dividida na força.
A cobertura entre os zagueiros será fundamental. Se um deles sair para pressionar, outro precisará proteger o espaço às costas. O meio-campo também terá papel importante para impedir que o atacante receba a bola com liberdade e consiga acelerar de frente para a defesa.
Além disso, o Palmeiras precisará ter cuidado com as faltas em regiões desnecessárias. O lance do primeiro turno mostrou que uma decisão precipitada pode deixar a equipe em desvantagem numérica e obrigá-la a mudar completamente seu planejamento.
Sem Gómez, atenção precisa ser redobrada
A ausência do capitão torna o desafio ainda maior. Gómez costuma ser uma referência na organização defensiva, na comunicação e no controle dos momentos de pressão. Sem ele, os demais jogadores terão de assumir responsabilidades adicionais para evitar desorganização diante da força ofensiva do Athletico.
O Palmeiras não precisa transformar Viveros em uma obsessão, mas tampouco pode permitir que o atacante dite o ritmo dos duelos. A melhor maneira de neutralizá-lo será reduzir seus espaços, coordenar as coberturas e evitar que os defensores sejam atraídos para situações individuais desfavoráveis.
Na disputa pelo título brasileiro, o Verdão não pode se dar ao luxo de perder o controle de uma partida por um erro evitável. Viveros já mostrou no primeiro turno o estrago que pode provocar. Em Curitiba, a defesa palmeirense terá 90 minutos para provar que aprendeu a lição.





