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Direto da Redação

Por que o brasileiro ama mais seu clube do que a Seleção e isso não deveria surpreender

Clubes e Seleção despertam paixões diferentes. Entenda por que o vínculo diário com o time costuma falar mais alto

Torcedor segura uma imagem de São Judas Tadeu e um terço após a vitória do Flamengo contra o Al Hilal, pela semifinal do Mundial de Clubes 2019. Foto: Bárbara Dias/AGIF
© Bárbara Dias/AGIFTorcedor segura uma imagem de São Judas Tadeu e um terço após a vitória do Flamengo contra o Al Hilal, pela semifinal do Mundial de Clubes 2019. Foto: Bárbara Dias/AGIF

Toda vez que a Seleção Brasileira joga mal, não lota um estádio ou gera menos interesse do que o esperado, surge a mesma análise preguiçosa: “O brasileiro não liga mais para a Seleção.”

O problema é que essa explicação parte de uma premissa errada, a de que o brasileiro deixou de se importar com a Seleção, o que não é verdade. O que mudou foi o que se compara.

Durante décadas, a Seleção ocupou um espaço privilegiado no imaginário do torcedor, até por ser o auge do futebol brasileiro: era onde os maiores jogadores do país se encontravam e a “camisa que enverga varal”, reunia diferentes torcidas em torno de um mesmo objetivo.

Com o tempo, o futebol mudou e o torcedor mudou junto. Hoje, muita gente se espanta ao perceber que um clássico estadual, uma disputa pelo título brasileiro ou até uma janela de transferências consegue gerar mais conversa do que um amistoso da Seleção ou mesmo que a Seleção em si. Mas por que isso deveria causar surpresa?

Infográfico feito com auxílio de IA

Infográfico feito com auxílio de IA

O clube oferece algo que a Seleção não consegue oferecer

O clube oferece algo que a Seleção jamais conseguirá oferecer: presença. O torcedor vive seu clube todos os dias. Acompanha contratações, negociações frustradas, a promessa da base, a crise política, a troca de treinador, a preparação para o próximo jogo e a expectativa para a próxima temporada.

A Seleção aparece em capítulos isolados. Por isso, acredito que a questão não é que falta amor, mas, sim, que falta frequência. Ninguém constrói um vínculo profundo aparecendo apenas algumas vezes por ano. Além disso, o retorno emocional do torcedor quanto ao seu time é constante, diferente do que acontece com a Seleção.

Rayan comemora gol durante amistoso contra o Panamá. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Rayan comemora gol durante amistoso contra o Panamá. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

O clube faz parte da biografia do torcedor

O clube não é apenas entretenimento, mas, sim um marcador da própria vida, com experiências, brigas aos domingos e reconciliações às quartas de noite. Por essas e outras, a comparação com a Seleção costuma ser injusta: enquanto a Seleção representa o país, o clube representa a história pessoal do torcedor.

É como se estivéssemos falando de histórias pessoais versus conceitos abstratos e talvez a maior prova disso seja a própria Copa do Mundo, que mobiliza milhões de pessoas a cada quatro anos. Durante algumas semanas, a Seleção consegue fazer o que os clubes fazem o ano inteiro, que é estar próxima daqueles que respiram futebol.

Quando a Copa termina, porém, cada torcedor retorna para aquilo que nunca deixou de ocupar o centro da sua rotina emocional, que é o seu clube. Por isso não existe um afastamento do brasileiro em relação à Seleção, e sim uma interpretação equivocada sobre a força dos clubes.

Se seu clube fosse campeão este ano ou o Brasil ganhasse a Copa, o que te deixaria mais feliz?

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A Seleção não perdeu relevância, apenas enfrenta uma disputa impossível

A pergunta nunca deveria ter sido “por que o brasileiro gosta mais do seu time do que da Seleção”. A pergunta correta é outra: “por que alguém esperava que fosse diferente?”.

O torcedor não ama o clube apenas porque ele representa um escudo. Ele ama o clube porque ele aparece em todos os capítulos importantes da sua vida. A Seleção representa uma nação. O time representa a infância, os amigos, a família, as derrotas e as vitórias que ele realmente viveu.

É uma disputa injusta. A Seleção compete contra uma biografia. E identidade quase sempre fala mais alto.

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