Quem é Lucas Mugni e por que ele se destaca no Mirassol?
Lucas Mugni é o meia argentino do Mirassol que, em 2025, se consolidou como um dos principal organizador da Série A, sendo peça-chave no modelo de jogo. Meia clássico, ele se destaca pelo passe curto, leitura de jogo e atuação em bolas paradas, trazendo mais qualidade e controle ao meio-campo. O camisa 26 tem o papel de líder criativo e referência técnica, assumindo a responsabilidade de conduzir as jogadas e organizar o ritmo da equipe.

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Como foi o início da carreira de Lucas Mugni na Argentina?
Revelado pelo Colón, Lucas Mugni se destacou ainda jovem como uma das principais promessas do futebol argentino. O caminho do meia começou muito cedo, aos 5 anos, no Gimnasia Citadel Club, em Santa Fé. Pouco tempo depois, aos nove anos, ele se juntou às categorias de base do Colón, clube onde cresceu como jogador e passou por toda a formação até chegar ao profissional.
Aos 18 anos, o argentino teve sua primeira oportunidade no time principal, estreando em 2 de maio de 2010, em uma partida que terminou 0 a 0 contra o Atlético Tucumán. Com a chegada do técnico Roberto Sensini, o meio-campista ganhou destaque e foi ganhando espaço até assumir a titularidade, recebendo a camisa 10. Seu primeiro gol com a camisa do clube veio em 25 de março de 2012, na vitória por 3 a 0 sobre o Independiente, pelo Campeonato Argentino.
Logo no início, Mugni chamou atenção pela habilidade e qualidade técnica, chegando a ser comparado ao francês Zinedine Zidane, campeão mundial. Ainda em 2012, ele se firmou como uma peça importante no Colón e começou a despertar interesse internacional: marcou seu primeiro gol em competições internacionais na Copa Sul-Americana contra o Racing Club, e chegou a ser procurado pelo Santos para substituir Ganso, mas a negociação não avançou por causa dos valores pedidos pelo clube argentino. Além disso, clubes europeus como Milan, Juventus e Atlético de Madrid monitoraram o jogador, e o Real Madrid chegou a enviar olheiros para observá-lo.
Ao fim de sua passagem pelo Club Atlético Colón, Lucas Mugni atuou em 75 partidas e anotou seis gols, deixando claro que sua evolução precoce o colocou entre os jovens mais promissores do futebol argentino.
Por que Lucas Mugni teve dificuldades para se firmar em clubes maiores?
No Brasil, Mugni enfrentou contextos instáveis, trocas constantes de treinadores e sistemas pouco favoráveis ao seu estilo. Depois de deixar o Colón, o meia chegou ao Flamengo em 2014 como reforço estrangeiro e assinou um contrato de quatro anos.
A negociação envolveu cerca de 1,25 milhão de dólares e 10% de uma futura venda. Apesar de ter momentos de destaque, o argentino nunca conseguiu se manter como peça fixa no time, sofrendo com a rotatividade de treinadores e com mudanças de posição. Em 2015, o Mengão decidiu emprestá-lo ao Newell’s Old Boys, onde ele ficou até julho de 2016, tentando recuperar a sequência de jogos.
Mesmo com o empréstimo, o Flamengo renovou o contrato de Mugni até janeiro de 2018, mas ele não voltou a se firmar no clube. No ano de 2017, ele se transferiu para o Rayo Majadahonda, da Espanha, numa tentativa de retomar a carreira fora do Brasil. Essa passagem foi curta e, em seguida, o atleta retornou ao futebol brasileiro e acertou com o Sport em dezembro de 2019, assinando até o fim de 2020. No Leão, ele teve participação relevante e marcou gols importantes, mas não conseguiu permanecer por causa de divergências salariais ao final do contrato.
Em 2021, Mugni foi anunciado pelo Gençlerbirligi, da Turquia, assinando por duas temporadas. Ainda naquele ano, voltou ao Brasil e foi confirmado pelo Bahia em julho, com vínculo até o final de 2022. Ele acabou ficando três temporadas no clube, com 98 jogos, oito gols e oito assistências.
O próximo passo da carreira do meio-campista foi o Ceará, que o contratou em dezembro de 2023 para a temporada de 2024. No Vozão, o jogador se destacou na campanha de acesso à Série A, participando de 46 partidas, com três gols e 10 assistências em 2024, o que acionou cláusulas de renovação automática do contrato até o final de 2025.
A sequência de mudanças, empréstimos e contratos curtos dificultou a construção de uma trajetória sólida em um clube de grande porte. Além disso, em times que exigiam mais força física e ritmo de jogo, Mugni acabou sendo deslocado para funções diferentes da sua característica principal, o que comprometeu sua continuidade e o colocou em um cenário de constantes adaptações.
Quando Lucas Mugni chegou ao Mirassol e qual era o contexto?
Mugni chegou ao Mirassol como aposta experiente para liderar tecnicamente um projeto organizado e coletivo. O Leão Caipira anunciou a contratação do argentino no dia 5 de janeiro de 2026, buscando reforçar o elenco com um jogador de perfil técnico e experiência internacional.
A chegada do meio-campista aconteceu em um momento especial para o clube, que vinha de uma temporada histórica em 2025. Naquele ano, o Mirassol disputou sua primeira Série A e surpreendeu ao se consolidar entre os melhores times da competição, terminando na 4ª colocação e garantindo, pela primeira vez, uma vaga na Copa Libertadores de 2026, resultado que elevou o clube ao maior patamar de sua história.
Esse contexto vitorioso refletia uma estrutura sólida e um projeto bem definido, com um grupo competitivo e uma proposta de jogo coletiva. Por isso, Mugni foi contratado não apenas como reforço, mas como um dos pilares técnicos do time, com um papel claro em campo e a confiança da comissão técnica para assumir a responsabilidade de organizar o meio-campo. A expectativa é de que ele agregue experiência, controle de jogo e qualidade de passe a um elenco que já vinha mostrando evolução e estabilidade.
Como Lucas Mugni se tornou o cérebro do Mirassol?
Com liberdade criativa e responsabilidade na construção, Mugni virou o principal articulador do time. Logo de cara, o camisa 26 mostrou que poderia ser mais do que um reforço e marcou um gol na sua estreia, ajudando o time a vencer o São Paulo por 3 a 0 no Campeonato Paulista e quebrando um tabu de quase 16 anos sem gol de estrangeiro pelo clube.
Embora ainda seja cedo na temporada 2026 para estatísticas completas, é possível ver o papel central que Mugni assume em campo. Na equipe comandada por Rafael Guanaes, ele tem sido escalado como meio-campista com liberdade para organizar as jogadas e ditar o ritmo de jogo, recebendo a bola em zonas criativas e sendo responsável por conectar defesa e ataque com passes que iniciam transições e oportunidades ofensivas. Isso se alinha com sua experiência recente, em 2025, no Ceará, o jogador foi um dos maiores criadores de jogo do time, com 10 assistências e 4 gols em 51 partidas, além de ser peça constante na organização das jogadas de ataque.

Lucas Mugni atuando pelo Mirassol. Foto: JP Pinheiro/Agência Mirassol
Por que Lucas Mugni nunca recebeu mais atenção no cenário nacional?
O fato de atuar fora dos grandes centros e não ser um jogador de explosão física limita sua visibilidade. Lucas Mugni nunca recebeu grande destaque no cenário nacional principalmente por atuar, na maior parte da carreira, em clubes fora dos grandes centros e por ter um perfil mais técnico do que físico. Comparado a armadores da Série A que jogam em clubes de maior visibilidade, o argentino exerce uma função igualmente importante, mas menos chamativa, já que sua contribuição vai além de gols e dribles, aparecendo na organização coletiva e na inteligência tática.
O que Lucas Mugni diz sobre seu momento no Mirassol?
Mugni destaca a confiança e a clareza do projeto como fatores decisivos. Desde que chegou ao clube, ele tem deixado claro que entende o peso do projeto e o papel que lhe foi atribuído. Após marcar na estreia, o meia destacou que foi contratado justamente para assumir responsabilidade em um time que vive um momento histórico, com metas ambiciosas e um modelo de jogo bem definido.
Para ele, a confiança da comissão técnica, a clareza sobre sua função em campo e o ambiente coletivo são fatores que potencializam seu desempenho e facilitam a adaptação, reforçando que sua chegada está diretamente ligada ao desafio de ajudar o time a competir em alto nível: “Eu vim pra isso (marcar gols). Tenho muita fé no meu trabalho, agradeço o staff e o treinador que confiou em mim.”
Qual é o legado de Lucas Mugni no Mirassol?
Mugni caminha para ser um dos símbolos técnicos da história recente do clube. Mesmo com a chegada recente no Mirassol, o atleta argentino rapidamente se tornou uma referência técnica no meio-campo, organizando o jogo e contribuindo na criação ofensiva. A contratação aconteceu após uma temporada histórica do clube, que garantiu vaga na Libertadores, e o argentino chegou com contrato válido até dezembro de 2027, o que dá ao clube estabilidade para manter sua base e seguir crescendo.
A expectativa é de que Mugni seja peça importante na campanha do Mirassol nas competições que o clube disputará, incluindo Libertadores, Campeonato Paulista, Brasileirão e Copa do Brasil, ajudando a equipe a manter o nível e a ambição do projeto. Por atuar como articulador e líder técnico, ele tende a ser lembrado como um dos símbolos do momento mais forte da história recente do Mirassol, especialmente se continuar influenciando diretamente o desempenho coletivo.
A trajetória de Lucas Mugni mostra que ele precisou de um contexto certo para voltar a brilhar. Revelado no Colón, da Argentina, o meia passou por grandes clubes como Flamengo, Sport, Bahia e Ceará, além de experiências no Newell’s Old Boys, Rayo Majadahonda e Gençlerbirligi, mas não conseguiu se firmar por causa da falta de continuidade e de sistemas que não valorizavam seu perfil técnico.
No Mirassol, com projeto mais organizado e função clara, Mugni reencontrou espaço para ser o articulador e referência técnica, mostrando que seu impacto em campo costuma ser maior do que a atenção que recebe na mídia. Isso levanta a questão: o futebol brasileiro ainda sabe valorizar meias como Mugni? Ou esses jogadores vão continuar brilhando longe dos holofotes, mesmo sendo fundamentais para o desempenho coletivo?

Lucas Mugni atuando pelo Mirassol. Foto: JP Pinheiro/Agência Mirassol








