O sonho do Cruzeiro de retornar à elite do futebol nacional ficou ainda mais distante no último fim de semana, depois de um empate com o Botafogo na Série B. No entanto, a possibilidade de permanecer mais um ano na segunda divisão conta apenas parte da crise. Nesta quarta-feira (13), o elenco celeste emitiu uma carta para criticar a diretoria por atrasos salariais e deu início a uma greve.

"Confessamos que é desgastante e angustiante escrever essa carta para alcançarmos direitos, mas em razão das insustentáveis condições, não iremos nos calar. Por esse motivo, estamos aqui para dar voz principalmente aos funcionários que têm sofrido com a atual situação", diz o texto atribuído ao elenco, divulgado pelo goleiro Fabio em suas redes sociais. "Faremos a paralisação dos treinamentos em voz a todos os colaboradores que amam o clube e estão desamparados. Infelizmente, ficou intolerável e injustificável a forma como atletas e funcionários estão sendo geridos", adiciona.


A paralisação tem efeito imediato, e inicialmente não há qualquer previsão sobre o retorno dos jogadores aos treinamentos. O levante dos atletas não afetará a participação do Cruzeiro nos jogos da Série B.

 

Segundo o repórter Samuel Venâncio, da Rádio Itatiaia, o movimento liderado pelos atletas tem apoio do técnico Vanderlei Luxemburgo. O presidente do clube, Sérgio Santos Rodrigues, está em Portugal para dar palestra em um evento sobre gestão esportiva.

Segundo a apuração de Venâncio, ainda há débitos com jogadores do ano passado. Na carta, os jogadores falam de "até seis meses de atraso". Não está descartado um movimento similar nas categorias de base. 

A questão salarial pode afetar também o futuro do Cruzeiro. Quando contratado, Luxemburgo havia condicionado o acerto a uma equalização da situação financeira do clube.