O surgimento do Boston Legacy está diretamente ligado ao processo de expansão do futebol feminino nos Estados Unidos. Fundado em setembro de 2023, o clube fará sua estreia na National Women’s Soccer League (NWSL) em 2026, temporada em que a liga passará a contar com 16 equipes. A nova franquia surge em um momento de amadurecimento institucional da competição. O crescimento vai além do campo e envolve governança, sustentabilidade financeira e maior exposição midiática. Nesse cenário, a entrada de novos projetos ganha relevância estratégica.

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Nos últimos anos, a NWSL passou por transformações profundas em sua estrutura. Contratos de transmissão mais robustos, aumento da média de público nos estádios e fortalecimento do engajamento digital reposicionaram a liga no mercado global. Segundo Leonardo Scheinkman, da Triumph Sports Foundation e da Triumph Sports Marketing, o Boston Legacy nasce como reflexo direto dessa nova fase. “O futebol feminino vive um momento histórico de crescimento nos Estados Unidos”, afirmou. Para ele, a criação da franquia simboliza investimento, visão estratégica e impacto internacional.
Dentro desse contexto, cresce também a presença de jogadoras brasileiras na liga. O Boston Legacy já se movimenta de olho no mercado do Brasil, considerado estratégico para a formação do elenco. A escolha segue uma tendência observada em outras franquias da NWSL, que enxergam nas atletas brasileiras uma combinação de qualidade técnica e adaptação ao modelo físico da competição. Para Scheinkman, o movimento é natural. “Cada vez mais atletas do Brasil enxergam a NWSL como um destino estratégico para suas carreiras”, explicou.

Amanda Gutierres pela Seleção. Foto: Lívia Villas Boas/CBF
Amanda Gutierres explica escolha pelos Estados Unidos
Um dos principais exemplos desse processo é a atacante Amanda Gutierres, ex-Palmeiras, que detalhou os motivos que a levaram a aceitar o projeto do Boston Legacy. “Foi uma conversa longa, mas o que mais me conquistou foi algo que a gente já vinha falando. Era uma nova fase, um novo ciclo”, afirmou. A jogadora revelou ter recebido propostas da Inglaterra, mas destacou o estilo de vida e a organização do futebol norte-americano como fatores decisivos. A condução da negociação também pesou positivamente.
Além de Amanda, o clube acertou a contratação de Laís Araújo, que retorna ao futebol dos Estados Unidos após passagem pelo Benfica. A atleta já atuou por Asa College NY e Florida Gators e vê o Boston Legacy como um passo planejado na carreira. “Recebi essa oportunidade com muita alegria e ambição”, disse. Segundo Laís, mesmo sendo um clube novo, o projeto já demonstra organização e perspectivas de crescimento esportivo.
A presença de brasileiras no elenco também dialoga com o contexto local. A região de Massachusetts abriga uma das maiores comunidades brasileiras dos Estados Unidos, fator que contribui para a conexão cultural entre clube, atletas e torcedores. Essa proximidade é vista internamente como uma oportunidade de fortalecimento da identidade do Boston Legacy. A aposta no Brasil, portanto, extrapola o campo e se estende ao posicionamento de marca.

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Com isso, o Boston Legacy se apresenta como um projeto alinhado às transformações do futebol feminino global. A combinação entre expansão da NWSL, mercado brasileiro e uma cidade com forte tradição esportiva cria um ambiente favorável ao crescimento. A estreia em 2026 será observada de perto, especialmente pelo impacto que pode gerar na relação entre o futebol feminino brasileiro e o mercado norte-americano.








