A Copa do Mundo costuma reunir histórias improváveis, mas poucas chamam tanta atenção quanto a de Roberto “Pico” Lopes. O zagueiro de Cabo Verde está no Mundial de 2026 após receber uma convocação inusitada por meio do LinkedIn, rede social voltada para contatos profissionais.
Nesta segunda-feira (15), o defensor entra em campo contra a Espanha pela segunda rodada do Grupo H. A partida ganha contornos ainda mais especiais quando se conhece a trajetória do jogador até chegar ao maior torneio do futebol mundial.
Nascido e criado em Dublin, na Irlanda, Lopes construía uma carreira discreta no futebol local quando recebeu uma mensagem do técnico Rui Águas, então comandante da seleção cabo-verdiana. O treinador havia descoberto que o atleta possuía ascendência cabo-verdiana por parte do pai.
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Mensagem em português quase acabou com o sonho
O primeiro contato, porém, não teve sucesso. A mensagem enviada pela comissão técnica estava escrita em português, idioma que o jogador não dominava. Acostumado a utilizar o LinkedIn apenas para assuntos acadêmicos e profissionais, Lopes ignorou completamente o convite.
Sem entender o conteúdo da mensagem, o defensor acreditou que se tratava de uma tentativa de golpe. Meses depois, a federação de Cabo Verde insistiu na investida e enviou um novo contato, desta vez em inglês, explicando o interesse em contar com o atleta.

Perfil no LinkedIn que rendeu a Roberto “Pico” Lopes uma vaga na seleção de Cabo Verde. — Foto: Reprodução / Caixa
A mudança foi decisiva para o futuro do zagueiro. Após compreender a proposta, Roberto Lopes aceitou representar Cabo Verde e estreou pela seleção em 2019. Desde então, tornou-se uma das lideranças da equipe nacional.
Cabo Verde disputa sua primeira Copa do Mundo
Em entrevista ao site da Fifa, o jogador relembrou o episódio com bom humor e admitiu que poderia ter utilizado ferramentas de tradução para entender a mensagem original. A situação acabou se transformando em uma das histórias mais curiosas da competição.
Grande parte do elenco nasceu fora do arquipélago, mas possui raízes familiares que permitem defender a seleção. Foi justamente esse modelo que ajudou os chamados “Tubarões Azuis” a alcançarem uma vaga inédita no Mundial de 2026 e transformarem histórias como a de Roberto Lopes em realidade.






