Arte e união em Teresópolis
Em um momento marcado por sensibilidade e criatividade, as jogadoras da Seleção Brasileira Feminina participaram de uma dinâmica artística na Granja Comary. Após encerrar a preparação para a Copa América, o grupo teve uma tarde de lazer conduzida pelo artista urbano Juan de Melo Fajim.

A proposta foi criar, por meio do grafite, uma representação visual da identidade e dos sonhos que carregam com a Amarelinha. A atividade contou com duas superfícies: em uma, Fajim trouxe seu estilo figurativo e geométrico, inspirado pela natureza, música e espiritualidade.
Coube às atletas finalizar a obra com traços pessoais. “Na bandeira representamos a união delas com as mãos entrelaçadas, a Fênix, a bola com letras musicais e a casa com a estrela da bagagem que cada uma traz”, explicou o artista. O mural resultou em uma simbólica fusão entre arte e futebol.
Obra coletiva das atletas
A segunda bandeira foi criada inteiramente pelas jogadoras, que se dividiram entre tintas e sprays para representar, com liberdade, o que sentem ao vestir a camisa da Seleção. A taça da Copa América, o campo de futebol, palavras como “foco”, “respeito” e “união”, além da estrela almejada em 2027, ganharam destaque na composição. Foi um momento de expressão pura, em que cada traço refletia o espírito coletivo do grupo.
A goleira Claudia destacou o desafio e a emoção da atividade: “Foi difícil sair do nosso mundo e mostrar criatividade, mas conseguimos unir nossas vozes numa só bandeira. Isso aqui tem tudo a ver com o Brasil e com quem somos dentro e fora de campo”. Para a comissão técnica, o exercício teve efeito positivo ao integrar o time emocionalmente em uma fase decisiva da temporada.
Além de criar arte, a ação fortaleceu o senso de identidade das jogadoras com a camisa da Seleção. O uso do grafite, expressão historicamente ligada à resistência e à ocupação de espaços públicos, simboliza também a luta por visibilidade no futebol feminino. “A Fênix representa aquelas que ressurgiram de lesões, os preconceitos que superaram”, afirmou Fajim, que mantém projetos sociais com jovens em Teresópolis.
A estrela que ainda será pintada
A estrela que aparece em ambas as obras simboliza mais do que um título: representa o objetivo da Seleção na Copa América e o sonho maior da Copa do Mundo de 2027. O trabalho artístico virou símbolo do processo de amadurecimento coletivo e do compromisso com o futuro. “Essa bandeira é a nossa cara, tem cor, tem música, tem garra. Agora a gente quer pintar a história com títulos”, resumiu uma das atletas.