A Seleção Brasileira Feminina Sub-20 estreia nesta quinta-feira (5) no Sul-Americano da categoria, diante do Equador, abrindo um novo ciclo sob o comando da técnica Camilla Orlando. Em preparação na Granja Comary, em Teresópolis, o grupo vive dias intensos de treinos, ajustes e trocas, mirando não apenas o torneio continental, mas também a vaga na Copa do Mundo da categoria e a consolidação de uma geração promissora no cenário internacional.

A treinadora destacou o simbolismo de trabalhar no centro de treinamento da Seleção e a importância desse período de preparação. “Estar aqui na Granja é realmente um sonho, não só para mim, mas para as atletas também. O foco total é na preparação, é para isso que a gente veio. Ajustar detalhes, mapear o maior número possível de informações das atletas, mudanças de esquemas e sistemas que precisamos fazer”, afirmou Camilla, valorizando a intensidade dos primeiros dias.
Camilla também relembrou sua caminhada no futebol, sempre ligada ao desenvolvimento de jogadoras, e como essa vivência molda seu trabalho atual. “Eu me sinto muito realizada. Comecei trabalhando com formação de atletas, algo que sempre gostei muito. Quando eu era atleta, não tive esse processo de formação, fui formada na raça”, explicou, reforçando o aprendizado acumulado ao longo dos anos, especialmente em passagens pelo futebol profissional.
Estilo intenso e identidade bem definida
A treinadora citou experiências anteriores que hoje rendem frutos na Seleção principal, reforçando a importância do trabalho contínuo. “Em 2019, trabalhei com o sub-18 do Inter, e hoje atletas daquela época estão no profissional e na Seleção principal, como Isaís, Bruninha, Jennifer, Laíssa e Belinha”, lembrou, destacando a satisfação em acompanhar o crescimento dessas jogadoras e agora liderar um novo grupo no Sub-20.
Sobre o perfil da equipe, Camilla detalhou um modelo de jogo baseado em intensidade, pressão alta e tomada rápida de decisão. “É um time muito agressivo, intenso, que busca recuperar a bola rápido e, com a posse, entender se a vantagem é construir ou acelerar. Jogamos para encontrar o gol. Um time conectado, com sincronia, em que todas entendem sua importância”, descreveu, enfatizando o valor do coletivo.
A treinadora explicou ainda como a conexão com outras categorias fortalece o processo, sem engessar ideias. “A Seleção principal é nossa grande referência. Não existe algo engessado, mas sim observação, diálogo e respeito. O Artur deixa claro que precisamos manter nossa identidade”, afirmou, citando também a influência do Sub-17 na formação de atletas polivalentes e adaptáveis.
Sonhos, trabalho e identidade brasileira como pilares
Encerrando, Camilla projetou o que espera construir ao longo de 2026, com discurso pautado em dedicação e identidade. “Quero contar que fizemos um grande ano, com a cara do Brasil: alegria, ousadia, criatividade e identidade. Sonhamos com títulos, claro, mas o que prometemos é trabalho, dedicação e fazer história na Seleção Brasileira Sub-20”, concluiu, reforçando a ambição e o compromisso do grupo.