Celebrado em 14 de janeiro, o Dia do Treinador serve como ponto de reflexão sobre quem ocupa os cargos de comando no futebol feminino brasileiro. Na elite do Brasileirão Feminino, o retrato atual revela uma presença feminina ainda minoritária à frente das equipes. Apesar do crescimento da modalidade, os cargos de treinadora seguem concentrados majoritariamente entre homens. O levantamento considera os nomes anunciados até o momento. Não há confirmação de que todos permanecerão ao longo da temporada.

Rosana Augusto na final do Paulistão. Foto: Diego Soares/Ag.Paulistão
Rosana Augusto na final do Paulistão. Foto: Diego Soares/Ag.Paulistão

Atualmente, o Brasileirão Feminino conta com 18 equipes na Série A. Deste total, apenas duas são comandadas por mulheres, enquanto 16 têm treinadores homens. Os dados refletem a configuração vigente no início da temporada. O cenário evidencia um desequilíbrio de gênero nos cargos de liderança técnica. A presença feminina, embora simbólica, ainda é pontual na principal competição nacional.

Uma das duas treinadoras da elite é Fabi Guedes, que está à frente do Atlético-MG. A profissional integra o seleto grupo de mulheres no comando técnico da Série A. Sua presença representa um avanço em meio a um contexto historicamente masculino. O trabalho desenvolvido no clube mineiro coloca Fabi como referência dentro da competição. Ela é uma das exceções no atual panorama do Brasileirão Feminino.

Lucas Piccinato, técnico do Corinthians. Foto: Anderson Romão/AGIF

Maioria masculina domina os bancos de reservas

A outra mulher no comando técnico da elite é Rosana Augusto, treinadora do Palmeiras. Ícone histórico do futebol feminino brasileiro como atleta, Rosana ocupa hoje um dos cargos mais relevantes da modalidade. No clube paulista, ela representa a continuidade da presença feminina em posições estratégicas. Sua atuação reforça a importância de trajetórias que transitam do campo para a área técnica. Ainda assim, casos como o dela seguem raros.

Os outros 16 clubes da Série A são comandados por treinadores homens. América-MG, Bahia, Botafogo, Red Bull Bragantino, Corinthians, Cruzeiro e Ferroviária estão entre as equipes com técnicos masculinos. Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Juventude e Santos seguem o mesmo padrão. São Paulo, Vitória e Mixto completam a lista. O domínio masculino no comando técnico é amplo e consistente.

O cenário atual do Brasileirão Feminino reflete uma estrutura histórica que limita o acesso de mulheres a cargos de liderança técnica. Mesmo com o crescimento da modalidade, a transição de ex-atletas para funções de treinadora ainda enfrenta barreiras. A discrepância nos números evidencia a falta de oportunidades em alto nível. O dado chama atenção especialmente por se tratar da principal competição do país. O debate sobre diversidade ganha força a partir desses números.

Presença simbólica e desafios futuros

A presença de Fabi Guedes e Rosana Augusto simboliza resistência e avanço dentro do futebol feminino brasileiro. No entanto, os números mostram que a igualdade ainda está distante. O Dia do Treinador reforça a necessidade de discutir formação, acesso e permanência de mulheres nesses cargos. A elite do Brasileirão segue como reflexo desse desafio estrutural. O tema permanece central para o futuro da modalidade no país.