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Gómez e os cinco pendurados revelam o problema que pode complicar o Palmeiras contra o Corinthians

Desgaste da Data Fifa amplia a preocupação além dos cartões e mexe com a estratégia de Abel Ferreira

Gustavo Gómez treina na Academia: O capitão está pendurado junto com mais cinco importantes jogadores - Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon
Gustavo Gómez treina na Academia: O capitão está pendurado junto com mais cinco importantes jogadores - Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

O Palmeiras volta a campo nesta quinta-feira (8) diante do Bahia com mais uma preocupação além de conquistar os três pontos. Há seis jogadores pendurados: Gustavo Gómez, Giay, Piquerez, Mauricio, Luis Pacheco e Flaco López. Um cartão amarelo pode tirar qualquer um deles do Derby contra o Corinthians, marcado apenas dois dias depois. A notícia parece circunstancial, mas revela que o Verdão terá de administrar duas partidas decisivas praticamente ao mesmo tempo.

A primeira preocupação está justamente em tratar o Bahia como uma espécie de preparação para o clássico. Não é. A SEP tem 57 pontos, ocupa a segunda colocação e está três atrás do Flamengo. Além disso, não vence há duas partidas no Brasileirão. Do outro lado estará um Bahia que aparece em quinto, com 46 pontos, e que vinha de uma sequência invicta de 11 jogos antes da derrota para o Athletico-PR. Portanto, poupar demais pensando no Corinthians pode significar comprometer a perseguição ao líder.

Aí que a lista de pendurados ganha outra dimensão. Não existem seis jogadores com o mesmo peso e nem seis decisões idênticas. Gómez é uma referência defensiva e de liderança. Piquerez e Giay podem oferecer características importantes pelos lados. Mauricio participa da construção ofensiva. Flaco é o centroavante que ganhou protagonismo ao longo da temporada. Pacheco, por sua vez, ocupa outro estágio nessa hierarquia. O amarelo de cada um produziria uma consequência diferente.

O problema fica ainda maior porque parte desses jogadores sequer teve uma semana convencional de preparação. O Verdão precisou montar uma logística especial para buscar os convocados durante a Data Fifa, com três voos organizados para acelerar os retornos. Gómez e Mauricio voltaram do Paraguai, enquanto Giay e Flaco estavam com a Argentina e Piquerez com o Uruguai. O desgaste, portanto, não está apenas nos minutos disputados, mas também nas viagens e no intervalo reduzido para recuperação.

Giay, Piquerez e Flaco, inclusive, só eram aguardados de volta ao clube entre terça e quarta-feira. A comissão técnica precisaria avaliá-los antes de definir utilização e minutagem. Isso cria uma equação curiosa: alguns dos jogadores que podem ser mais importantes para o Derby são justamente aqueles que chegam ao confronto com menos tempo de recuperação. Além do desgaste físico, existe o risco disciplinar. Um cartão transforma uma decisão de quinta-feira em problema para o Derby do final de semana.

A escolha certa e uma armadilha no caminho da SEP

Só que existe uma pergunta incômoda: até onde vale proteger um jogador para o Derby sem comprometer o jogo que vem antes? A resposta não pode ser simples. O Maior Campeão do Brasil está numa disputa pelo título e precisa voltar a vencer. Entrar contra o Bahia com uma formação excessivamente cautelosa seria quase admitir que o campeonato pode esperar enquanto o clássico ganha prioridade. Não é o momento da tabela para fazer esse tipo de escolha.

Outro fator indiscutível vem de uma possível armadilha embutida nessa história, já que o medo do amarelo pode ser tão perigoso quanto o próprio amarelo. Um jogador que entra preocupado em não fazer determinada falta, evita uma disputa mais agressiva ou atua com receio de receber punição pode acabar oferecendo ao Bahia exatamente o espaço que o adversário precisa.

Isso não significa, evidentemente, ignorar o Derby. Contudo, o mais interessante é perceber que a comissão técnica não está diante de uma escolha entre Bahia e Corinthians. Está diante da necessidade de administrar uma sequência inteira. Depois dos dois jogos, ainda virão Fluminense, Athletico-PR e outras decisões de Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. São dez partidas programadas em apenas um mês.

Uma lista de desafios

Por isso, a questão dos pendurados é apenas a ponta de um problema maior do Palestra em outubro, que é preservar jogadores sem perder competitividade. O clube já precisou lidar com 11 atletas fora durante a Data Fifa e chegou a abrir mão de um jogo-treino justamente porque não havia jogadores suficientes para reproduzir uma atividade de competição. A pausa serviu como laboratório, mas também interrompeu o ritmo de quem estava em campo e não descansou aqueles que estavam nas seleções.

Existe também uma diferença importante entre administrar e poupar. Administrar pode significar reduzir a minutagem de Mauricio ou Gómez, por exemplo, caso a partida permita. Pode significar avaliar Piquerez e Giay depois do retorno internacional. Pode significar deixar Flaco fora de determinados minutos se o contexto do jogo oferecer essa possibilidade. Mas poupar indiscriminadamente seria outra coisa. O Bahia não é um adversário contra o qual o Palmeiras possa entrar pensando apenas no desgaste futuro.

Há um componente adicional: Abel Ferreira sequer estará à beira do campo contra o Bahia, em razão da suspensão imposta pelo STJD. A responsabilidade pela leitura da partida e pela administração dessas circunstâncias recairá sobre sua comissão. Isso torna ainda mais relevante a preparação anterior ao jogo e a clareza sobre os diferentes cenários possíveis durante os 90 minutos.

Muita calma nessa hora, Palestra!

O cartão amarelo pode ser apenas o detalhe mais visível do retorno palestrino. O Palmeiras não pode jogar contra o Bahia como se o Corinthians não existisse, mas também não pode enfrentar o Bahia pensando demais no Corinthians. O desafio está justamente no meio desse caminho: conquistar os três pontos, controlar o desgaste, reduzir riscos desnecessários e chegar ao Derby com o maior número possível de peças importantes. A verdadeira dificuldade não é ter seis pendurados. É administrar duas decisões antes mesmo de terminar a primeira.

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