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Efeito dos 11 desfalques no Palmeiras revela uma questão maior nas Crias da Academia

Completar um treinamento é muito diferente de disputar espaço no profissional. A próxima etapa das Crias será provar que podem oferecer funções concretas

Konaté em ação durante treino na Academia de Futebol: O zagueiro do Sub-20 está inserido em momento de testes de fogo em momento crucial do Verdão - Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon
Konaté em ação durante treino na Academia de Futebol: O zagueiro do Sub-20 está inserido em momento de testes de fogo em momento crucial do Verdão - Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

O treino do último sábado (26) expôs um problema que o Palmeiras terá de administrar nas próximas semanas, já que Abel Ferreira ficou sem 11 jogadores, sendo oito convocados para as seleções principais e três para a Seleção Sub-20, e precisou recorrer à base para completar as atividades. O fato cria uma situação concreta para o clube responder a uma pergunta que já vinha sendo discutida: quando o elenco principal é desfalcado, quais jogadores da formação estão realmente preparados para assumir uma função no profissional?

Completar uma atividade é muito diferente de entrar em um planejamento de jogo. Se a ausência de convocados obrigar Abel a utilizar jogadores da base em outubro, será necessário saber quem consegue reproduzir determinadas funções do time. Um lateral precisa oferecer saída e recomposição, um meio-campista precisa compreender pressão, cobertura e circulação, um atacante precisa saber ocupar os espaços definidos pelo sistema. A questão ganha complexidade quando amplia o prisma para a reflexão sobre quantas Crias da Academia já possuem uma função que possa ser aproveitada.

O momento permite ao Palestra observar esses jogadores em contato direto com o ambiente profissional e identificar quem consegue acompanhar intensidade, tomada de decisão e exigência tática. Não significa transformar qualquer convocação para um treino em candidatura à titularidade. Significa começar a separar quem está apenas próximo do elenco de quem pode, de fato, entrar na rotação.

O calendário torna essa avaliação ainda mais objetiva. Bahia, Corinthians, Fluminense e Vasco estão no caminho do Verdão, e a ausência de tantos jogadores reduz o número de setores nos quais Abel consegue trabalhar com sua formação considerada ideal. Quando os convocados retornarem, alguns terão acumulado jogos e viagens pelas seleções. Outros poderão chegar com necessidade de controle de carga. Nesse cenário, minutos de um jovem podem ser uma maneira de preservar titulares e, simultaneamente, testar uma alternativa que o clube pretende utilizar mais adiante, em uma escolha que supera até mesmo a improvisação.

Qual a hora da verdade para a base palestrina?

Há uma diferença importante entre essa situação e simplesmente lançar um garoto porque “não há outra opção”. Se Abel identificar que determinado jogador consegue cumprir uma função específica durante os treinamentos, poderá utilizá-lo em partidas de menor risco ou em momentos controlados. Depois, esse atleta passa a ter referência concreta do que precisa melhorar. O desenvolvimento deixa de acontecer somente no Sub-20 e começa a ser medido contra jogadores profissionais. É assim que uma base deixa de fornecer apenas reposição numérica e começa a produzir profundidade esportiva.

O próprio tamanho do problema ajuda a explicar por que isso importa. O Palestra construiu um elenco suficientemente valorizado para ter oito jogadores chamados pelas seleções principais. É uma consequência positiva do nível dos atletas, mas existe um efeito colateral inevitável, pois quanto mais jogadores importantes estiverem envolvidos com seleções, maior será a necessidade de alternativas internas.

Contratar uma reposição para cada ausência seria inviável. Desenvolver jogadores capazes de ocupar determinadas funções é uma solução estruturalmente diferente. O debate sobre a base faz com que a SEP precise saber antecipadamente quais jovens estão na fila para cada posição e qual é o estágio de preparação de cada um. Se Konaté, um dos que foram chamados para compor o treino com o profissional, estiver pronto para uma determinada função, isso precisa estar incorporado ao planejamento.

Se Kauan Lima ou Erick Belé ainda precisarem de etapas intermediárias, o clube precisa definir quais são elas. E, se Heittor estiver mais distante do nível exigido, a própria avaliação já será útil. O erro seria tratar todos os jovens como um bloco único chamado simplesmente de “base”, vale lembrar que estes últimos também ficaram de fora da atividade com os profissionais por estarem na Seleção Sub-20, mas vale o exemplo.

A missão é mapear a hierarquia do elenco

Essa lógica também conversa com a discussão sobre o futuro do elenco palmeirense. A formação precisa ser uma engrenagem do planejamento esportivo, e não apenas uma proteção contra emergências. Quando um titular sai, o Palmeiras deveria saber qual é a primeira alternativa contratada, qual é a segunda opção interna e quais jovens estão sendo preparados para ocupar aquela posição no futuro. Isso cria uma hierarquia clara e evita que cada desfalque produza uma solução improvisada.

Abel terá, portanto, um teste que vai além de montar o próximo time. O treinador poderá usar esse período para descobrir quais jovens conseguem sobreviver ao salto de exigência entre a formação e o profissional. E o Alviverde poderá avaliar se sua estrutura de formação está entregando exatamente aquilo que uma equipe com calendário pesado e muitos convocados precisa, com jogadores capazes de entrar gradualmente na rotação, e não apenas atletas suficientemente bons para completar um treino.

Os 11 desfalques não são apenas um problema momentâneo, pois funcionam como um teste prático da profundidade do projeto. Ter oito jogadores nas seleções principais mostra que o clube conseguiu formar e reunir atletas valorizados internacionalmente; o desafio seguinte é garantir que a saída deles não desmonte a capacidade de treinamento e de competição. Se a base conseguir produzir alternativas funcionais para Abel, o problema de outubro terá servido para revelar uma solução de longo prazo. Se servir apenas para preencher os espaços vazios da Academia, o Palestra terá descoberto que ainda existe uma distância considerável entre formar jogadores e incorporá-los de verdade ao elenco profissional.

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