Quem é Lucas Paquetá e por que seu retorno ao Flamengo é tão simbólico?
Lucas Paquetá é um meia-campista brasileiro de 28 anos que retorna ao Flamengo, clube que o revelou, após uma trajetória consolidada no futebol europeu. O retorno carrega um peso simbólico enorme, não apenas pela identificação com a torcida, mas pelo momento de maturidade vivido pelo jogador.

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Conhecido por sua versatilidade tática, Paquetá reúne a criatividade de um camisa 10 clássico com a intensidade defensiva exigida no futebol moderno. É um atleta que flutua entre setores, participa da construção e também pisa na área com frequência.
O simbolismo da volta passa também pela liderança. Paquetá retorna mais experiente, após disputar Copa do Mundo, finais europeias e assumir protagonismo em clubes de alto nível.

Paquetá em apresentação no Flamengo. Foto: Gilvan de Souza / CRF
Como foi a primeira passagem de Paquetá pelo Flamengo?
Lucas Paquetá chegou ao Flamengo ainda criança, aos oito anos de idade, e rapidamente se destacou nas categorias de base, sendo tratado internamente como uma joia do clube. A estreia no profissional aconteceu em 2016, após a conquista da Copinha, quando passou a integrar o elenco principal e ganhar minutos no Campeonato Carioca.
Desde muito jovem, Paquetá se destacou nas categorias de base do Flamengo. Com inteligência acima da média, rapidamente passou a ser tratado como uma das grandes promessas da geração. Sua liderança em campo e a facilidade para decidir jogos chamaram atenção de treinadores e torcedores.
Seu primeiro gol como profissional saiu em 19 de fevereiro de 2017, contra o Madureira, em uma vitória por 4 a 0, momento que marcou sua afirmação no elenco. Sob o comando de Reinaldo Rueda, Paquetá ganhou espaço atuando como falso 9 e meia ofensivo, evidenciando sua capacidade de adaptação tática.
O ano de 2018 consolidou seu protagonismo. Paquetá terminou a passagem pelo Flamengo com 96 jogos e 18 gols, além de ser eleito o melhor meia do Brasileirão, conquistando o Troféu Bola de Prata da ESPN.

Paquetá em 2018 pelo Flamengo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Como foi a chegada de Paquetá ao futebol europeu?
O destaque no Brasil despertou interesse europeu, e Paquetá acertou com o Milan, em uma negociação de aproximadamente 35 milhões de euros, uma das maiores da história do Flamengo na época.
Na Itália, viveu momentos irregulares. Alternou boas atuações com partidas discretas em um Milan que passava por reconstrução, somando um gol e três assistências em 44 jogos. A virada de chave veio em 2020, com a transferência para o Lyon. Na França, Paquetá encontrou um ambiente mais favorável ao seu estilo de jogo.
Com a saída de Memphis Depay, assumiu a camisa 10 e se tornou o principal jogador da equipe, acumulando boas atuações e ganhando espaço na Seleção Brasileira, onde foi convocado para a Copa do Mundo de 2022. De acordo com o “Transfermarkt”, foram 21 gols e 13 assistências em 80 jogos pelo Lyon, desempenho que o colocou novamente no radar dos gigantes europeus.

Paquetá pelo Lyon. (Photo by Eddie Keogh/Getty Images)
West Ham, protagonismo e título europeu
Em 2022, Paquetá foi contratado pelo West Ham por cerca de 60 milhões de euros, tornando-se uma das maiores contratações da história do clube inglês. Na Premier League, mostrou evolução física, mental e tática, sendo peça-chave na campanha do título da Conference League 2023, o primeiro do West Ham em 43 anos.
Na final contra a Fiorentina, deu a assistência decisiva para o gol do título, entrando definitivamente para a história do clube. Na temporada seguinte, assumiu a camisa 10 e se consolidou como líder técnico da equipe.
A polêmica das apostas e a ruptura com a Inglaterra
Em maio de 2024, Paquetá passou a ser investigado por suposto envolvimento em esquema de apostas, o que travou uma negociação com o Manchester City. A acusação girava em torno de cartões amarelos e apostas realizadas na região onde o jogador nasceu, no Rio de Janeiro, o que gerou grande repercussão.
Paquetá sempre negou as acusações e, em julho de 2025, foi absolvido, com as denúncias consideradas não comprovadas. Apesar da liberação, o clima no futebol inglês já não era o mesmo, o que acelerou os rumores sobre seu retorno ao Brasil.
Como foi o retorno de Paquetá ao Flamengo?
Em janeiro de 2026, Lucas Paquetá acertou seu retorno ao Flamengo, em uma negociação estimada em 42 milhões de euros (R$ 260 milhões), tornando-se uma das maiores da história do futebol brasileiro. O contrato vai até 2030, e a contratação foi tratada internamente como um marco do poder financeiro do clube.
Paquetá chega para ser meia articulador, atuando como interno ou mais avançado, trazendo liderança, experiência internacional e alto nível técnico. Apresentado oficialmente no CT, o jogador destacou sua maturidade: “Eu volto uma pessoa diferente, obviamente. Eu cresci não só como profissional, mas também como ser humano”.
Lucas Paquetá já entrou em campo pelo Flamengo nesta sua segunda passagem pelo clube. O meia fez sua reestreia oficial no dia 1º de fevereiro de 2026, entrando no segundo tempo da decisão da Supercopa Rei contra o Corinthians, realizada no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, participando de cerca de 38 minutos de jogo e quase marcando em lance nos acréscimos, porém a equipe saiu derrotada.

Lucas Paquetá, jogador do Flamengo durante partida contra o Internacional no estadio Maracana pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Comparações com outros retornos históricos no Flamengo
O retorno de Paquetá inevitavelmente remete a outros movimentos semelhantes na história recente do Flamengo. Jogadores como Adriano Imperador e Júlio César também voltaram ao clube após carreiras consolidadas fora do país, cada um com impacto distinto.
No caso de Paquetá, a diferença está na idade e no timing. Enquanto muitos retornaram em fase final de carreira, ele chega aos 28 anos, teoricamente no auge físico e técnico. Isso eleva o patamar de expectativa e também amplia sua responsabilidade dentro do projeto esportivo.
Há também uma diferença no perfil técnico. Paquetá não retorna apenas para compor elenco ou ser uma opção pontual. Ele chega para ser protagonista absoluto, organizador do meio-campo e referência criativa, algo que poucos retornos conseguiram assumir de forma tão clara desde o início.
Paquetá, liderança, vestiário e impacto fora das quatro linhas
Além do aspecto técnico, o retorno de Lucas Paquetá traz um impacto significativo no vestiário e na dinâmica interna do elenco do Flamengo. Trata-se de um jogador acostumado a ambientes de alta pressão, que conviveu com estrelas internacionais, disputou competições continentais e lidou com críticas severas na Premier League. Esse repertório faz diferença em momentos decisivos da temporada.
Paquetá chega com perfil de liderança silenciosa, diferente do líder que grita ou confronta. Sua influência acontece pelo exemplo, pela intensidade nos treinos, pela entrega em jogos grandes e pela capacidade de assumir responsabilidades quando o time precisa. Jogadores mais jovens tendem a vê-lo como referência natural, especialmente por sua origem na base do clube.
Outro ponto relevante é o peso simbólico no vestiário. Em um elenco recheado de atletas contratados já consolidados, Paquetá representa o elo entre a formação rubro-negra e o futebol de elite europeu. Ele personifica o caminho que muitos garotos sonham em trilhar: sair da base, vencer na Europa e retornar ao clube de origem no auge da carreira.
Encaixe no time e o que esperar de Paquetá
A expectativa é que seja um jogador fundamental na quebra de linhas, na chegada ao ataque e na distribuição de assistências. A cobrança será alta, mas proporcional ao que ele representa. Em um Flamengo forte e competitivo, Paquetá tem a chance de escrever um novo capítulo histórico no clube.
A pergunta que fica é direta: Lucas Paquetá vai se tornar um dos grandes ídolos da era recente do Flamengo ou o peso da expectativa falará mais alto?

Lucas Paquetá, jogador do Flamengo durante partida contra o Internacional no estadio Maracana pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF








