O cargo de treinador da Seleção Brasileira permanece sem dono desde a eliminação da equipe na Copa do Mundo no Catar, quando Tite anunciou que não permaneceria na função. Desde então uma das questões que se discute é a possibilidade de um treinador estrangeiro possa assumir o comando da equipe canarinho, algo que vem dividindo opiniões. Mas a CBF e o seu presidente Ednaldo Rodrigues vem encarando a opção de um técnico estrangeiro de ponta como uma prioridade.
Caso a CBF opte por um treinador estrangeiro está não será nenhuma novidade afinal de contas três técnicos de outras nacionalidades já estiveram à frente da equipe canarinho, o primeiro deles foi o uruguaio Ramón Platero, em 1925, em seguida ainda tivemos o português Joreca e o argentino Filpo Nuñez, porém todos eles comandaram o time apenas em algumas partidas.
O Brasil também não seria uma exclusividade entre as outras seleções, inclusive entre as oito que já ergueram a taça, apenas três delas nunca tiveram estrangeiros como treinadores, sendo elas a Alemanha, Argentina e Espanha. Mas vale destacar que a escolha por um técnico estrangeiro ainda é pouco comum e a popularidade vem reduzindo ainda mais nas últimas edições da Copa do Mundo.
Na Copa do Mundo no Qatar, das 32 seleções, apenas 11 chegaram com treinadores estrangeiros, sendo que o técnico do Marrocos, nasceu na França, mas se naturalizou marroquino durante a vida adulta. Na Copa de 2018, na Rússia, eram 12 os estrangeiros, em 2014, no Brasil, esse número era ainda maior, sendo 14 no total. Outro detalhe que chama atenção é que nenhum brasileiro comandou outras seleções há três edições do Mundial, indicando que os técnicos do Brasil já não têm o mesmo prestígio que tiveram no passado.
Mas para além da constatação de que técnicos estrangeiros não são mais tão bem vindos em seleções, a CBF precisará levar em conta um grande tabu, isso porque os gringos nunca levantaram a taça de uma Copa do Mundo. Todos os títulos foram conquistados por técnicos nacionais, incluindo os cinco conquistados pelo Brasil.
Até então os campeões foram: Alberto Horacio Supicci (Uruguai, 1930); Vittorio Pozzo (Itália, 1934 e 38); Juan López Fontana (Uruguai, 1950); Sepp Herberger (Alemanha, 1954); Vicente Feola (Brasil, 1958); Aymore Moreira (Brasil, 1962); Alf Ramsey (Inglaterra, 1966); Mário Zagallo (Brasil, 1970); Helmut Schön (Alemanha, 1974); César Menotti (Argentina, 1978); Enzo Bearzot (Itália, 1982); Carlos Bilardo (Argentina, 1986); Franz Beckenbauer (Alemanha, 1990); Carlos Alberto Parreira (Brasil, 1994); Aimé Jacquet (França, 1998); Luiz Felipe Scolari (Brasil, 2002); Marcello Lippi (Itália, 2006); Vicente del Bosque (Espanha, 2010); Joachim Löw (Alemanha, 2014); Didier Deschamps (França, 2018) e Lionel Scaloni (Argentina, 2022).
Entre as campeãs, a França foi comandada pelo inglês George Kimpton que comandou a equipe na Copa de 1934, na ocasião a equipe foi eliminada nas oitavas de final. O romeno Ștefan Kovács liderou os franceses entre 1973 e 1975 , mas a equipe ao menos se classificou para a Copa de 1974, na Alemanha Ocidental. Já a Inglaterra teve estrangeiros comandando a equipe em três Copas em 2002, 2006 e 2010, na primeira sob o comando do sueco Sven Goran Eriksson, a equipe foi eliminada pela Seleção Brasileira nas quartas de final. Ainda sob o comando de Sven Goran Eriksson, os ingleses voltaram a ser eliminados pelo Brasil, na Copa de 2006. Em 2010, o italiano Fabio Capello liderou a equipe, mas fracassou nas oitavas de final com uma goleada por 4 a 1 diante da Alemanha.
Quem teve uma experiencia bem negativa com treinado estrangeiro foi a Itália, na única ocasião em que a equipe foi comandada por um gringo, o fracasso veio mais rápido do que o esperado. Em 1954, o time chegou para a Copa sob o comando do húngaro Lajos Czeizler, e foi eliminado ainda na primeira fase após sofrer duas derrotas.
O Brasil precisará contar com essa ‘zica’ na hora de decidir se realmente deseja prosseguir com a ideia de um estrangeiro no comando da tradicional equipe canarinho. Vale lembrar que se prosseguir com a ideia além de tentar quebrar este tabu, a equipe também vai precisar superar um jejum que já dura mais de duas décadas em mundiais. Se um técnico de outra nacionalidade assumir o posto vai também ter toda essa bagagem extra em seus ombros.





