O São Paulo começou o ano em um turbilhão político causado pelas pesadas denúncias contra a gestão de Julio Casares. O caso avançou em uma escala inimaginável, e o impeachment do atual presidente ganha força a cada dia nos bastidores. Contudo, a situação não se restringe apenas às questões administrativas e já impacta o planejamento do time que vai disputar a intensa temporada.

Isso porque o Clube da Fé, que se movimenta para reforçar e resolver situações pendentes na equipe comandada por Hernán Crespo, decidiu que nenhuma negociação terá o veredito cravado antes que se conclua o processo de impeachment.
Os trâmites para a medida extrema que ceifará o mandato de Casares têm desdobramentos que indicam problemas para o mandatário.
Mas, a preocupação está na maneira como o Clube projeta a temporada. Na próxima sexta-feira (16), haverá a reunião que pode selar o destino, mas, antes da decisão, Casares não tomará nenhuma medida que define o curso das negociações com atletas.
SPFC vai deixar conversas congeladas, mas isso não significa desistência
Segundo apuração do Uol Esporte, o executivo de futebol do clube, Rui Costa, não interromperá nenhuma negociação vigente mesmo em meio à possibilidade de impeachment do mandatário. A decisão vem da tentativa da alta cúpula em ‘blindar’ o CT da Barra Funda.
Ainda assim, ninguém espere anúncios, assinaturas ou fotos com novos atletas com o Manto Sagrado Tricolor nos próximos dias. O mercado pode até estar aberto, mas o cofre segue fechado. A cabeça — e a obsessão — da alta cúpula está em outro jogo, bem mais pesado: vencer a votação de sexta-feira, às 18h30, no Morumbis, onde o placar fora das quatro linhas vale mais do que qualquer contratação.
Neste contexto, duas pontas distintas do mercado da bola ficam afetadas: a venda de Rodriguinho ao Red Bull Bragantino. O acordo está bem avançado, esperando o “ok burocrático do São Paulo. O valor, revelado pelo UOL, gira na casa dos 3 milhões de euros — algo como R$ 19 milhões — cifra que, em tempos de turbulência política, costuma pesar menos do que deveria quando a sobrevivência manda mais que o planejamento.
E o Allan, vem ou não para o Tricolor?
Outra negociação que entrou em banho-maria atende pelo nome de Allan, volante do Flamengo. Com o Tricolor, o jogador já alinhou bases contratuais, como se diz no jargão. Falta combinar com o outro lado. O Rubro-Negro, cauteloso — ou oportunista —, resolveu puxar o freio de mão até que o destino de Casares seja decidido. Enquanto isso, o Corinthians observa de camarote, pronto para entrar no jogo se a mesa virar, pois também entrou na disputa pelo meio-campista.