A semana que antecede a votação do impeachment promete ser uma das mais tensas da história recente do São Paulo. Às vésperas da decisão no Conselho Deliberativo, o presidente Julio Casares decidiu se manifestar diretamente em um grupo interno de WhatsApp, elevando o tom do debate político no clube, segundo Gabriel Sá, em matéria no UOL Esporte.

A troca de mensagens teve início após o conselheiro vitalício Daurio Speranzini reforçar a importância da presença dos conselheiros na votação. Sem defender abertamente um lado, ele destacou que participar do processo é uma obrigação estatutária e um dever com a instituição.
A resposta de Casares veio em tom firme. O presidente questionou a legitimidade de julgamentos internos e alertou para o risco de injustiças históricas. Em uma das mensagens, citou episódios do passado do clube para argumentar que decisões precipitadas podem manchar reputações de forma irreversível.
Casares cita passado e questiona julgamentos
Em sua fala, Casares lembrou o caso de um ex-presidente campeão do clube que, segundo ele, foi expulso e posteriormente reintegrado. O dirigente usou o exemplo para provocar reflexão entre os conselheiros e afirmou que “injustiças sempre cobram seu preço”, reforçando que decisões desse tipo deixam marcas profundas.
Em outra mensagem enviada ao grupo, o presidente trouxe o aspecto jurídico para o centro do debate. Casares afirmou que o Conselho Consultivo já teria se posicionado pela ausência de elementos legais para sustentar um pedido de impeachment, argumento que considera decisivo neste momento.
Daurio respondeu tentando baixar a temperatura da discussão. O conselheiro reforçou que sua intenção nunca foi atacar pessoalmente o presidente, mas apenas estimular a participação democrática no processo. Mesmo assim, o clima permaneceu tenso, com novas manifestações de Casares defendendo seu ponto de vista.
Sexta-feira decisiva no Morumbis
A votação do impeachment está marcada para esta sexta-feira (16), a partir das 18h30, no Morumbis. Para que o processo avance, são necessários 191 votos favoráveis no Conselho Deliberativo, o que resultaria no afastamento imediato do presidente do cargo.
Caso o pedido seja aprovado, o presidente do Conselho terá até 30 dias para convocar uma Assembleia Geral. Nessa etapa, a decisão passará para os sócios do clube, e a destituição definitiva dependerá apenas de maioria simples dos votos.
Enquanto o futebol tenta seguir seu curso dentro de campo, o São Paulo vive dias de instabilidade fora dele. O desfecho político desta semana pode redefinir não apenas a presidência, mas também os rumos administrativos do clube nos próximos anos.