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Com salários atrasados, pagamento de 1 milhão à vista para Pottker é o estopim da crise declarada no Cruzeiro; jogadores e funcionários estão insatisfeitos

Cruzeiro depositou montante na mesma época em que já devia salários em seu plantel

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O atacante Rafael Sóbis, ao final da partida em que o Cruzeiro perdeu para o Oeste, soltou uma enigmática frase: “As pessoas não sabem ainda de 10% do que está acontecendo“. Foi apenas mais um sinal de alerta para a diretoria, que já havia enfrentado o protestos dos jogadores que não se concentraram para o duelo contra o time paulista. Não se concentrar foi um recado para a gestão sobre os três meses e meio de salários atrasados.

Nesta segunda-feira(18), o jornalista Victor Martins publicou em seu Blog do Victão, um dos estopins que levaram à fala de Sóbis. O elenco não aprovou o pagamento à vista de 1 milhão para o atacante William Pottker. Funcionários da Raposa também ficaram insatisfeitos com a atitude.

O pagamento em questão se refere às tratativas para trazer o jogador ao Cruzeiro no princípio de novembro, quando foi anunciado como reforço. A negociação envolvia a transferência de Maurício para o Internacional. Pottker pediu como condição para aceitar a ida para o time Celeste, o depósito da quantia como garantia a sua assinatura de contrato. Segundo apuração do repórter Guilherme Piu, o pagamento de R$ 1 milhão foi afetuado dia 6 de novembro, mesmo período em que o clube já atrasava grande parte dos salários.

No início de dezembro, todos na Raposa ficaram sabendo sobre o pagamento de R$ 1 milhão para Pottker, o fato levantou uma onda de irritação no ambiente do Cruzeiro. O último pagamento feito para os jogadores aconteceu na segunda quinzena de outubro, enquanto que os funcionários do clube receberam o seus últimos salários em novembro.

Para que o problema fosse revelado ao público, os jogadores aguardaram o momento em que as chances de rebaixamento para a Série C se tornassem praticamente nulas. Desta forma, teriam segurança de promover as declarações como forma de pressão para que a diretoria tome providências.

De fato, a vitória por 1 a 0 sobre o Sampaio Moreira, deixou o Zeiro com a remota chance de 1% de cair. Na sequência, veio o jogo contra o Oeste, ao qual os jogadores adotaram a medida de não se concentrar. Em um mês, só resta ao time Celeste, cumprir a tabela da Série B e pensar em soluções financeiras para preparar o clube para a reação tão necessária para a próxima temporada.