O estádio do Centro de Alto Rendimento de Futebol Feminino (CARFEM), em Ypané, ocupa lugar especial na trajetória da zagueira Sofia. Foi nesse palco que ela conquistou o Sul-Americano Sub-17 em 2024 com a Seleção Brasileira de Futebol Feminino. Na decisão, marcou o último gol da goleada por 5 a 1 sobre o Paraguai, selando o título continental. Agora, retorna ao mesmo ambiente para disputar o Sub-20. O reencontro carrega memória, identidade e amadurecimento.

Sofia com a Seleção. Foto: Staff Images/CBF
Sofia com a Seleção. Foto: Staff Images/CBF

Ao revisitar o local do primeiro troféu, Sofia relembra a importância daquela campanha. “O Sul-Americano 17 foi a minha primeira competição importante com a seleção, e foi incrível. A gente ganhou, era uma energia muito boa também, com as atletas. Eu acho que eu não tinha tanta experiência quanto outras tinham, mas ao mesmo tempo fui crescendo junto com elas, porque era um elenco novo. Foi sensacional”, afirmou à CBFTV. A experiência marcou uma virada pessoal. O ambiente ajudou a moldar sua confiança.

Foi também no CARFEM que a defensora anotou seu primeiro gol com a camisa da Seleção. “Meu primeiro gol com a seleção foi aqui no CARFEM, contra o Paraguai. Foi uma emoção incrível. Tinha torcida do Paraguai aqui, tambor batendo, eu fiz o último gol, o gol do título. Fiquei muito feliz de ter realizado esse sonho com a seleção, principalmente um campeonato daquele tamanho”, recordou. O momento consolidou seu protagonismo. A lembrança segue viva na memória da atleta.

Sofia durante o Sul-Americano. Foto: Staff Images/CBF

Família como alicerce da caminhada

Após o título, veio o Mundial Sub-17, experiência que trouxe desafios e amadurecimento. Eliminado ainda na fase inicial, o Brasil não alcançou o objetivo esperado. Ainda assim, o torneio foi decisivo no crescimento da jogadora. “Foi muito desafiador. Acho que ali eu cresci mais, sabe? Dei uma virada de chave. Acho que com derrota a gente aprende. A gente fechou o ciclo daquele jeito, com muitos aprendizados”, destacou. A frustração virou combustível para evolução.

Natural do Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Sofia iniciou no futebol acompanhando o irmão gêmeo. Começou na escolinha do Grajaú Tênis Clube aos seis anos e, mesmo após breve afastamento por falta de oportunidades, manteve o vínculo com o esporte. Aos 15, participou de peneira no Clube de Regatas do Flamengo e permaneceu. “Fiz a peneira, passei no Flamengo e fiquei primeiro no monitoramento, de 2022 até o início de 2023. Depois subi para o Sub-17 com 15 anos. E estou no Flamengo até hoje”, contou.

A evolução foi rápida e exigiu adaptação. “Todo mundo fala que foi um crescimento muito rápido. Quando joguei em 2023 no Flamengo, eu não sabia nem dominar no campo direito. Eu tinha muitos trejeitos do futsal. Aí comecei a aprender, aprendi a jogar de zagueira, porque eu era alta e rápida”, explicou. A primeira convocação veio para o Torneio de Algarve, em Portugal. “Soltou a lista, eu estava em casa. Quando vi, comecei a chorar. Minha mãe chorou, meu irmão chorou, minha prima chorou. Foi inesquecível”, relembrou.

Confiança renovada para o duelo contra a Colômbia

De volta ao Sul-Americano Sub-20, Sofia encara novo desafio diante da Colômbia, nesta quinta-feira (19), às 20h (de Brasília), no Estádio Luis Alfonso Giagni. A defensora acredita na evolução do grupo na fase final. “A gente conversa muito com o grupo de ser uma crescente e chegar no dia 28 como melhor jogo da competição. Acho que aprendemos o que tinha que aprender na primeira fase, e agora cada jogo é uma final”, afirmou. E concluiu com confiança: “Foi uma fase difícil para entender o clima, a arbitragem, os outros times. Mas acho que agora é ir para cima com o máximo que a gente tem”. Para ela, o sentimento predominante é claro: “Vem um nervosismo a mais, mas ao mesmo tempo é muita motivação. A gente já viveu o que tinha que viver, já ganhou, já perdeu. Agora é mais motivação do que qualquer outra coisa”.