Capitã, camisa 8 e uma das atletas mais experientes do elenco, Djeni inicia mais uma temporada com o Flamengo reafirmando sua identificação com o clube. A volante destaca o peso de vestir a camisa rubro-negra e a responsabilidade de liderar um grupo jovem. Para ela, representar um time de massa exige competitividade, entrega e consciência diária. A renovação até 2027 simboliza confiança mútua entre atleta e clube. Dentro e fora de campo, Djeni se tornou referência.

Torcida do Flamengo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
© Thiago Ribeiro/AGIFTorcida do Flamengo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Natural de Bicaré, no interior de Santa Catarina, Djeni deixou cedo a cidade natal para perseguir o sonho no futebol. Em 2010, ainda adolescente, foi para o Kindermann, em Caçador, onde iniciou sua trajetória no alto rendimento. “Eu fui um achado, literalmente. Disputava campeonatos municipais e fui vista numa final pelo treinador do Kindermann. Foi ali que tudo começou”, relembra. No clube catarinense, conquistou estaduais, Copa do Brasil e decisões nacionais. A base sólida moldou sua carreira.

Após o Kindermann, Djeni passou por equipes tradicionais como São José e Iranduba, acumulando títulos e vivências importantes. Ao longo da carreira, dividiu campo com nomes históricos da modalidade. “Joguei com Formiga, com a Marta na seleção, hoje jogo com a Cris. Quando olho para trás, sei que vou poder contar grandes histórias. Isso me orgulha muito”, afirma. Ela também recorda a campanha continental com o São José. “Naquele ano, a gente ficou em terceiro na Libertadores. Foi marcante.”

Jogadoras do Flamengo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

De torcedora a capitã rubro-negra

A chegada ao Flamengo, em 2024, teve um significado especial para Djeni, que sempre se declarou torcedora do clube. “Eu brinco que sou uma torcedora dentro de campo. Lá no interior de Santa Catarina a gente assistia muito o Flamengo na televisão. Desde o berço, eu sou flamenguista”, conta. A identificação foi imediata e extrapolou as quatro linhas. A renovação de contrato até 2027 reflete essa conexão. “Foi um casamento que deu certo”, resume a volante.

Com a readequação orçamentária e o fortalecimento das categorias de base, Djeni enxerga um caminho promissor. Para a capitã, as jovens que subiram ao profissional mostraram merecimento. “As meninas da base não subiram por acaso. Elas mostraram dentro de campo que mereciam estar aqui”, avalia. Ela reforça o papel das atletas experientes nesse processo. A ideia é dar suporte e tranquilidade às mais novas. O equilíbrio entre juventude e liderança é visto como fundamental.

Para Djeni, ser capitã vai além da braçadeira. É entender pessoas, momentos e contextos diferentes dentro do elenco. “Tem atleta que responde bem à cobrança mais dura, tem atleta que trava se você gritar”, explica. Segundo ela, conhecer o grupo é essencial para extrair o melhor de cada jogadora. A liderança, portanto, passa pela escuta e pelo exemplo. Essa leitura fina do ambiente é uma de suas principais responsabilidades. O objetivo é manter o grupo unido e competitivo.

Desempenho, pressão e grandes sonhos

Dentro de campo, Djeni viveu uma de suas temporadas mais produtivas em 2025, com sete gols e três assistências. “Eu sei que volante tem que marcar, isso é fato. Mas também posso chegar como elemento surpresa na área”, afirma. A pressão de jogar no Flamengo é constante. “Vestir essa camisa é ser cobrada o tempo todo”, reconhece. O sonho de atuar no Maracanã é tratado com cautela. E o grande objetivo é claro: conquistar o Campeonato Brasileiro pelo clube.