O Ceará aprovou a proposta orçamentária para 2026 e confirmou aumento no investimento destinado ao futebol feminino. Mesmo com a ampliação, a modalidade seguirá representando menos de 1% das despesas totais do clube. O valor previsto é de R$ 1.268.266,67, o equivalente a aproximadamente 0,86% de um orçamento global estimado em R$ 147,3 milhões. O dado reforça a disparidade histórica na distribuição de recursos entre os departamentos esportivos. Ainda assim, o montante representa crescimento em relação ao ciclo anterior.

O maior volume de recursos segue concentrado no futebol profissional masculino, que consumirá R$ 105.744.884,15 em 2026. Esse valor corresponde a 71,8% de todo o orçamento do Ceará para o próximo ano. Somente as despesas de pessoal do masculino somam R$ 70,6 milhões, incluindo salários, direitos de imagem, encargos trabalhistas e custos com comissões técnicas. Na comparação direta, o futebol feminino receberá cerca de 1,2% do valor destinado ao time principal masculino. A diferença expõe prioridades claras no planejamento alvinegro.
Além do futebol masculino, outros departamentos também recebem fatias maiores do orçamento em relação ao feminino. As categorias de base, por exemplo, terão R$ 11 milhões previstos, enquanto o programa de sócio-torcedor contará com R$ 4,8 milhões. A administração geral aparece com R$ 23,7 milhões em custos estimados para 2026. Futsal, escolinhas e demais modalidades esportivas somam valores ainda menores, mas, mesmo assim, o futebol feminino permanece entre os setores menos contemplados. O cenário evidencia o desafio de ampliar investimentos estruturais.
Receitas estimadas sustentam o orçamento de 2026
Para viabilizar o planejamento financeiro, o Ceará projeta receitas diversificadas ao longo de 2026. Direitos de transmissão aparecem como uma das principais fontes, com R$ 28,1 milhões estimados. Patrocínio e marketing lideram, com previsão de R$ 42,4 milhões, enquanto o programa de sócio-torcedor deve gerar R$ 30 milhões. A venda de atletas é projetada em R$ 29,8 milhões, além de receitas com jogos, premiações e participações em competições. Esse conjunto sustenta a estrutura financeira do clube.
No detalhamento das despesas, o futebol feminino aparece com custo total de R$ 1,26 milhão, distante de setores como a base e a administração. O futsal terá R$ 71 mil, enquanto a escolinha contará com R$ 541 mil. Já as demais modalidades esportivas somam apenas R$ 12 mil no planejamento. O cenário reforça que, apesar do aumento nominal, o futebol feminino ainda ocupa papel periférico no orçamento. A previsão cobre custos operacionais básicos, sem margem para grandes investimentos estruturais.
Em 2025, o cenário era ainda mais restritivo para o futebol feminino do Ceará. O orçamento destinado às despesas de pessoal foi de apenas R$ 568 mil, cerca de R$ 47 mil mensais, o que representava 0,5% da folha total do clube. Esse valor incluía salários das atletas, comissão técnica e coordenação, sem previsão para infraestrutura ou melhorias específicas. A limitação orçamentária impactou diretamente o desempenho e as condições de trabalho. Ainda assim, a equipe manteve competitividade regional.
Desempenho esportivo e desafios para o futuro
Dentro de campo, as Alvinegras disputaram a Série A3 do Brasileirão Feminino em 2025, mas não conseguiram o acesso à segunda divisão nacional. No âmbito estadual, o time ficou com o vice-campeonato, mostrando competitividade apesar das limitações. Para 2026, o aumento no investimento pode representar um passo importante, mas ainda distante do ideal para um projeto sustentável. O desafio do Ceará será transformar crescimento orçamentário em estrutura, planejamento e continuidade. O futuro da modalidade dependerá de decisões fora das quatro linhas.