Neste mês, a atacante Bia Zaneratto foi reapresentada ao Palmeiras, enquanto Ana Vitória falou sobre sua volta ao Corinthians no CT Joaquim Grava. Clubes rivais, trajetórias distintas, mas um mesmo movimento ganha força no futebol feminino. O retorno ao Brasil acontece em um ano que antecede a Copa do Mundo. A decisão revela fatores esportivos, pessoais e estratégicos. Mais do que casos isolados, os retornos ajudam a explicar o momento da modalidade no país.

Zaneratto com a Amarelinha. Foto: Abner Dourado/AGIF
© Abner DouradoZaneratto com a Amarelinha. Foto: Abner Dourado/AGIF

Entre os principais fatores está o aspecto esportivo. O futebol feminino brasileiro passou a oferecer calendário mais robusto e maior competitividade interna. Além disso, clubes como Palmeiras e Corinthians apresentam estruturas mais próximas do padrão internacional. Esse cenário reduz distâncias históricas em relação à Europa. Para atletas consolidadas, competir em alto nível no Brasil deixou de ser um retrocesso. Pelo contrário, tornou-se uma opção estratégica.

O segundo pilar envolve aspectos pessoais. Família, identidade cultural e sensação de pertencimento pesam após anos atuando fora do país. Jogadoras que construíram carreiras internacionais relatam a importância desse equilíbrio. A volta também representa reconexão com ambientes formadores. Esse fator aparece de forma recorrente nos discursos das atletas. A decisão, portanto, não é apenas técnica ou financeira.

Ana Vitória com a Seleção. Foto: Thais Magalhães/CBF

Copa do Mundo no centro do planejamento

A proximidade da Copa do Mundo é outro elemento central. As convocações de Arthur Elias indicam atenção especial a atletas que atuam no Brasil. O acompanhamento mais próximo facilita avaliações físicas, técnicas e táticas. Não se trata de exclusividade, mas de contexto favorável. Historicamente, esse movimento já ocorreu em outros ciclos. Apenas Marta, entre os grandes nomes, ainda não retornou ao país.

No caso de Bia Zaneratto, o retorno ao Palmeiras carrega forte simbolismo. Esta é sua quarta passagem pelo clube, onde foi a maior artilheira da história até 2022. Naquele período, apesar do título da Libertadores, a estrutura era inferior à atual. O contexto mudou e a Copa voltou ao centro da decisão. “Ter grandes jogadoras aqui fortalece a liga, traz visibilidade. A Copa do Mundo está chegando”, afirmou Zaneratto.

Ana Vitória retorna ao Corinthians após deixar o clube em 2018, ano de títulos importantes. Na Europa, se consolidou esportivamente e também na Seleção Brasileira. O retorno une maturidade profissional e vínculo emocional. A meia revelou que sentia que ainda havia algo a concluir no clube. “Quando eu saí do Corinthians, saí com a sensação de que ainda tinha mais para fazer aqui”, disse. Para ela, a proposta surgiu no momento certo.

Tendência que reflete novo momento do país

Além delas, casos como Mary Camilo, no Bahia, e Layssa, no Palmeiras, seguem a mesma tendência. Os retornos indicam clubes mais preparados e um campeonato mais valorizado. A Seleção mais próxima e uma Copa do Mundo no horizonte reforçam o movimento. O Brasil volta a ser destino competitivo para talentos. Mais do que decisões pontuais, trata-se de um retrato do estágio atual do futebol feminino nacional.