O Flamengo vive um momento de elenco estrelado e competitivo, mas isso tem impacto direto na base. Nos últimos meses, jovens formados no Ninho ganharam poucas chances no time principal. Alguns até subiram, mas rapidamente entraram na lista de negociáveis. O cenário reflete uma mudança clara de prioridade no clube, segundo o GE.

RJ – RIO DE JANEIRO – 09/11/2025 – BRASILEIRO A 2025, FLAMENGO X SANTOS – Filipe Luis tecnico do Flamengo durante partida contra o Santos no estadio Maracana pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
© Thiago Ribeiro/AGIFRJ – RIO DE JANEIRO – 09/11/2025 – BRASILEIRO A 2025, FLAMENGO X SANTOS – Filipe Luis tecnico do Flamengo durante partida contra o Santos no estadio Maracana pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

A saída de Wallace Yan simboliza bem esse processo interno. Promovido com expectativa, o atacante de 20 anos teve bons momentos, mas também enfrentou dificuldades fora das quatro linhas. Internamente, o clube avaliou que o comportamento pesou mais do que o potencial técnico. Assim, a venda acabou sendo vista como o melhor caminho.

Negociado por 10 milhões de euros com o Red Bull Bragantino, Wallace deixou o clube antes de se firmar. A diretoria entendeu que, sem espaço e com concorrência pesada, o jogador corria risco de desvalorização. Além disso, o Flamengo seguiu ativo no mercado, reforçando justamente as posições do jovem.

Perfil passa a ser decisivo nas decisões

Mais do que desempenho em campo, o Flamengo passou a priorizar perfil e mentalidade. A comissão técnica liderada por Filipe Luís exige alinhamento tático, disciplina e comprometimento diário. Jogadores que não se adaptam a esse padrão encontram mais dificuldade para permanecer. Esse filtro tem sido aplicado inclusive aos atletas da base.

RJ – RIO DE JANEIRO – 22/11/2025 – BRASILEIRO A 2025, FLAMENGO X BRAGANTINO – Wallace Yan jogador do Flamengo disputa lance com Pedro Henrique jogador do Bragantino durante partida no estadio Maracana pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Alexandre Loureiro/AGIF

Casos recentes reforçam essa linha de pensamento. Lorran, considerado uma das grandes promessas do clube, acabou emprestado ao Pisa após perder espaço. A avaliação interna era de que o jovem não conseguia executar as demandas técnicas e comportamentais exigidas no profissional. O potencial não foi suficiente para garantir continuidade.

Histórico recente mostra mudança de rota

Outros nomes também deixaram o Flamengo sem retorno esportivo ou financeiro relevante. Petterson e Felipe Teresa tiveram seus contratos rescindidos após problemas internos. Matheus Gonçalves foi negociado com o futebol saudita após avaliações negativas sobre seu jogo coletivo. A base, que antes tinha maior sequência, agora enfrenta um funil mais rígido.

Os números confirmam essa mudança. Em 2025, o Flamengo registrou a menor sequência de atletas da base no time principal desde 2019. Apesar de muitos jovens terem entrado em campo, a maioria atuou em contextos alternativos, sem o elenco principal. Poucos conseguiram se manter com regularidade.

O recado interno é claro: talento segue sendo valorizado, mas não caminha sozinho. No Flamengo atual, perfil, comportamento e adaptação pesam tanto quanto qualidade técnica. Em um elenco pronto para competir por tudo, o espaço ficou menor. E quem não se encaixa, sai cedo.