O Corinthians enfrenta um cenário complexo fora de campo que pode impactar diretamente o futuro de Memphis Depay no clube. Segundo apuração do jornalista Pedro Lopes, do UOL Esporte, a renovação contratual do atacante encontra obstáculos financeiros e jurídicos que tornam o desfecho incerto.

Um dos pontos sensíveis envolve a autorização de residência do jogador no Brasil, válida até 21 de agosto, poucas semanas após o fim de seu contrato, em julho. O processo de renovação pode levar até 180 dias e depende, obrigatoriamente, da extensão do vínculo de trabalho, algo que ainda não avançou nos bastidores do Parque São Jorge.
Internamente, fontes da direção consideram improvável a permanência de Memphis no segundo semestre. Apesar da boa adaptação ao país, da relação próxima com companheiros e da satisfação pessoal no clube, as pendências financeiras acumuladas desde o fim do ano passado passaram a incomodar o atacante.
Dívida fora do RCE e pressão por solução imediata
O valor devido a Memphis gira em torno de R$ 30 milhões. Como o jogador não acionou a Justiça, essa dívida não integra o Regime Centralizado de Execuções (RCE), homologado recentemente para organizar o pagamento de aproximadamente R$ 450 milhões em débitos cíveis do clube.
O RCE busca evitar novos bloqueios judiciais e permitir previsibilidade financeira, mas o Corinthians ainda enfrenta dificuldades para cumprir o plano. Houve bloqueios posteriores à homologação, e o clube segue disputando judicialmente a inclusão de execuções na fila centralizada.
Nesse contexto, qualquer sinalização ao estafe de Memphis precisa ser cuidadosa. O clube tenta equilibrar o interesse esportivo na permanência do jogador com a necessidade de não comprometer pagamentos judiciais nem o funcionamento cotidiano da instituição.
Renovação exige corte salarial e aval político
Mesmo que a questão financeira avance, ainda será necessário negociar os termos de um novo contrato. A diretoria trabalha com a hipótese de redução salarial, buscando um modelo viável aos cofres do clube e, ao mesmo tempo, atrativo o suficiente para convencer o holandês a seguir no Brasil.
Somente após esse acerto seria possível renovar a autorização de residência e garantir a condição legal para atuação do atleta. Em entrevista recente, o presidente Osmar Stábile afirmou que as conversas ainda não começaram, mas devem ser iniciadas nos próximos 15 dias.
Nos bastidores, porém, a avaliação é cautelosa. A negociação é considerada difícil, longa e politicamente sensível. Embora ninguém admita publicamente, a tendência atual é de que o acordo não se concretize.