No final da noite da última terça-feira (27), veio à tona que a negociação para a contratação do meio-campista Alisson fracassou nas tratativas com o São Paulo. A transferência, que aconteceria por empréstimo, foi encerrada pois o Timão sinalizou que não depositaria R$ 1 milhão, valor que liberaria o jogador. Entretanto, o revés de uma negociação que estava praticamente encaminhada, gerou atrito nos bastidores do Parque São Jorge.

Alisson foi barrado pelo financeiro do Timão – Foto: Marcello Zambrana/AGIF
© Marcello Zambrana/AGIFAlisson foi barrado pelo financeiro do Timão – Foto: Marcello Zambrana/AGIF

O atrito marca o primeiro choque entre dois setores do Corinthians: o departamento de futebol e o departamento financeiro. Ao descartar a contratação, ficou evidente que os planos da comissão técnica e direção, podem ser rechaçados por conta dos cofres do clube.

O negócio, tratado como praticamente certo nos bastidores, travou ao chegar à mesa do presidente Osmar Stábile. A questão financeira foi determinante para que o dirigente não desse o aval à operação, segundo informações do Uol Esporte, por meio da apuração dos jornalistas Fábio Lázaro e Valentin Furlan.

Stábile puxou para si o freio de mão. Amparado pelo time que tenta reorganizar as finanças do clube, decidiu interromper a negociação antes que o Corinthians cometesse mais um daqueles atos de coragem irresponsável tão comuns em sua história recente. Sem R$ 1 milhão disponível em caixa, insistir na operação soava menos como ousadia e mais como imprudência anunciada.

Motivos do cancelamento do negócio também tem pontos além do financeiro

Como se o rombo financeiro não bastasse, o alerta veio também pelo bom senso. Pessoas próximas ao presidente trataram de lembrá-lo de que investimento não se faz apenas com esperança.

Osmar Stabile brecou a transferência após receber orientações sobre os riscos do negócio – Foto: Ettore Chiereguini/AGIF

Havia dúvidas técnicas, receios quanto ao histórico físico e até questionamentos de ordem psicológica envolvendo Alisson. Em outras palavras: risco demais para um clube que já não pode errar.

Qual a única esperança de retomada por Alisson?

A porta não foi trancada, apenas encostada. O Corinthians até admite voltar à mesa, desde que o São Paulo abandone a rigidez e aceite um modelo de pagamento menos fantasioso e mais compatível com a realidade alvinegra. Dinheiro, afinal, não nasce em departamento financeiro — especialmente quando ele já vem combalido.