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Palmeiras tem 17 goleadores na temporada; 103 gols revelam uma vantagem que vai além da artilharia

Flaco segue como referência, mas outros goleadores dividem a responsabilidade ofensiva. Os números ajudam a identificar onde termina a concentração individual e começa a força coletiva

Flaco Lopez omemora seu gol com Piquerez, durante partida contra o Fluminense, no Maracanã, pela Copa Libertadores. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
© Thiago Ribeiro/AGIFFlaco Lopez omemora seu gol com Piquerez, durante partida contra o Fluminense, no Maracanã, pela Copa Libertadores. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

O Palmeiras chegou a 103 gols em 2026, depois de vencer o Athletico-PR por 2 a 0, na Arena da Baixada, e ampliou uma marca que merece ser examinada para além da artilharia individual. Flaco López continua como principal referência, com 23 gols, mas a produção da equipe também passa por Maurício, Ramón Sosa, Vitor Roque, Jhon Arias e jogadores de outros setores. A pergunta que interessa é como essa distribuição interfere nas alternativas que Abel Ferreira tem para atacar.

O primeiro dado relevante está na concentração. Flaco soma 23 gols, enquanto Maurício chegou a 12 após marcar em Curitiba. Juntos, os dois respondem por 35 gols, aproximadamente 34% dos 103 anotados pelo Palestra. O argentino concentra a maior parcela da produção, mas os números também mostram que quase dois terços dos gols não dependem dessa dupla. A leitura é de uma equipe que ativa seus principais finalizadores sem restringir a eles toda a responsabilidade de decidir.

A sequência da artilharia reforça essa interpretação. Ramón Sosa e Vitor Roque aparecem com nove gols cada, seguidos por Arias, com oito, e Allan, com seis. São jogadores com características distintas, capazes de oferecer soluções diferentes conforme o espaço disponível e o comportamento defensivo do adversário. A soma desses perfis amplia as possibilidades de finalização, embora a quantidade de gols, isoladamente, não prove que todos os mecanismos funcionem com a mesma frequência.

A participação dos defensores acrescenta outra camada à análise. Gustavo Gómez e Murilo têm cinco gols cada, enquanto Giay soma três. Barboza e Piquerez também aparecem na lista de autores, com um gol cada. A contribuição não se limita aos atacantes que recebem a última bola: zagueiros podem decidir em bolas paradas, laterais podem aparecer em situações de finalização e jogadores que começam a partida em posições mais recuadas podem ocupar a área quando o lance exige. Para quem enfrenta o Verdaço, proteger apenas o centroavante significa correr o risco de deixar outros alvos livres em situações decisivas.

O caso de Piquerez ganhou um exemplo concreto na vitória sobre o Athletico-PR. O lateral uruguaio marcou em cobrança de falta aos nove minutos, ampliando uma vantagem que Maurício havia aberto quatro minutos antes, após tabela com Flaco López. Dois gols em situações distintas, construídos logo no início: um a partir de uma combinação entre jogadores de ataque e outro em bola parada. A partida ilustra como a equipe pode construir vantagem por caminhos diferentes sem depender de uma sequência longa de posse.

Como o meio-campo entra na equação dos gols do Palmeiras?

O meio-campo também merece atenção, especialmente porque reúne jogadores que podem tanto participar da construção quanto aparecer para concluir. Andreas Pereira, Felipe Anderson e Marlon Freitas têm quatro gols cada. Paulinho soma dois, enquanto a contribuição de outros atletas depende também da função exercida em campo. A presença desses nomes na artilharia mostra que a produção não fica restrita aos jogadores posicionados permanentemente perto da área.

Essa distribuição ganha outro significado quando observamos os jogadores que não ocupam necessariamente o centro das atenções. Luighi tem dois gols, enquanto Khellven e Erick Belé aparecem com um cada. São contribuições menores em volume, mas relevantes para investigar a capacidade do elenco de produzir quando as primeiras opções não resolvem. Há, contudo, uma diferença importante entre ter muitos goleadores e apresentar um ataque imprevisível.

Um levantamento publicado pelo jornalista PVC, em 18 de outubro, contabilizou 53 gols em jogadas de posse e construção, 27 em bolas paradas, 11 em contra-ataques, oito em situações de pressão direta ao gol e 11 em finalizações de fora da área. A variedade está nos mecanismos, não apenas nos nomes. Os números oferecem uma pista concreta sobre a maneira como a SEP tem encontrado o caminho do gol. A distribuição pelos lados também merece entrar na discussão. No mesmo levantamento, 31 gols foram associados a jogadas pela direita, 41 pelo meio e 31 pela esquerda. O equilíbrio entre os corredores sugere que o Verdaço não concentrou sua produção em um único lado do campo.

O desafio é a versatilidade englobar gols importantes

O recorte por competição pode mostrar se essa variedade se mantém quando o nível de exigência aumenta. Na Libertadores, por exemplo, Flaco López e Arias apareciam entre os principais goleadores palmeirenses do torneio nos levantamentos anteriores. Já no Brasileirão, Flaco, Maurício e Vitor Roque figuravam entre os nomes de maior produção. A pergunta é pertinente: o Palestra distribui sua artilharia da mesma forma em jogos de liga, mata-matas nacionais e confrontos continentais? Se a participação dos coadjuvantes diminuir nos jogos mais exigentes, teremos uma nuance importante para a análise.

A vitória sobre o Athletico também expôs uma dimensão que os números da artilharia não conseguem medir sozinhos: a capacidade de administrar uma vantagem construída cedo. Depois dos gols de Maurício e Piquerez, o time precisou reorganizar a partida quando Andreas Pereira foi expulso ainda no primeiro tempo. A equipe passou a defender com um jogador a menos e sustentou o resultado até o fim. Essa atuação demonstra que a análise da produção ofensiva precisa considerar o contexto em que os gols acontecem e o efeito que exercem sobre o plano de jogo.

Quando o dado coletivo ganha supremo valor

O Palmeiras, portanto, tem razões para valorizar a distribuição de sua artilharia. Flaco López segue como principal referência, Maurício ganhou peso na temporada, e jogadores como Sosa, Vitor Roque, Arias, Allan, Gómez, Murilo e Piquerez ampliam as possibilidades de conclusão. A presença de atletas menos utilizados também merece ser considerada, desde que seus números sejam examinados à luz dos minutos em campo e da importância dos jogos em que marcaram.

O dado coletivo ganha valor quando explica uma vantagem prática: o adversário precisa preparar respostas para diferentes jogadores, setores e situações de finalização. A produção Alviverde combina gols de seus principais atacantes com contribuições de meio-campistas e defensores, além de mecanismos variados de construção e conclusão. Mostra que, para Abel Ferreira, o repertório ofensivo não se resume a encontrar Flaco López na área.

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