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Palmeiras muda a lógica das Crias e prepara soluções para Abel com um plano inusitado

A base deixou de ser apenas o último estágio antes do profissional. Agora, ela também passou a antecipar decisões importantes

Luis Pacheco, uma das promissoras crias da Academia, treina com o elenco profissional e abre o leque de possibilidades - Foto: César Greco - Sociedade Esportiva Palmeiras
Luis Pacheco, uma das promissoras crias da Academia, treina com o elenco profissional e abre o leque de possibilidades - Foto: César Greco - Sociedade Esportiva Palmeiras

Há uma mudança silenciosa acontecendo na relação do Palmeiras com suas Crias. No momento, ela aparece no espaço criado entre o Sub-20 e o elenco profissional. Depois das saídas de Kaique, Luighi e Riquelme Fillipi, o clube reorganizou esse setor e passou a trabalhar com um grupo de jogadores que circula mais próximo de Abel Ferreira, sem que todos precisem ser promovidos de imediato.

Essa diferença parece pequena, mas muda bastante a lógica. O Palestra não precisa mais esperar que uma necessidade apareça no elenco para descobrir se existe uma solução dentro da própria Academia. A ideia é antecipar esse processo. Luis Pacheco, Erick Belé, Heittor, Miguel Bilong e, em outro estágio, Kauan Lima, representam momentos diferentes de uma mesma engrenagem. Alguns já jogam pelo profissional, outros treinam com frequência e há quem continue atuando na base enquanto é observado de perto.

Kauan é um bom exemplo justamente porque não precisa ser promovido agora. O goleiro segue ligado ao Sub-20 e, ao mesmo tempo, participa do ambiente da equipe principal. Na atual Data Fifa, inclusive, foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20 ao lado de Heittor e Belé. É uma situação que resume bem a nova lógica, por estar no radar do profissional e não significar abandonar imediatamente a etapa em que o jogador ainda está se desenvolvendo. Vale lembrar, a contratação de Bruno Bertinato tem a ver com o plano da SEP para sua tradicional Academia de Goleiros.

Isso também ajuda a explicar por que as saídas recentes não produziram uma corrida automática ao mercado. Quando Luighi e Riquelme Fillipi deixaram o clube, o Verdão não tratou necessariamente cada espaço aberto como uma vaga a ser preenchida por uma contratação. Heittor passou a ocupar uma posição mais próxima do elenco, enquanto Miguel Bilong ganhou espaço depois de agradar nos treinamentos e jogos-treino. A reposição, em alguns casos, começou dentro de casa.

O emblemático caso de Luís Pacheco

O caso de Pacheco é ainda mais revelador. O volante de 18 anos não precisou virar titular para interferir no planejamento Alviverde. No início da temporada, a avaliação sobre seu potencial foi um dos fatores para o clube frear a busca por outro camisa 5. Abel chegou a explicar que a chegada de mais um jogador para a posição poderia reduzir o espaço do garoto. Ou seja, uma Cria ainda em formação já era considerada na equação antes de estar pronta para assumir o setor.

Dessa forma, a base deixa de ser apenas uma fonte de jogadores e passa a participar diretamente do planejamento do elenco. O enfoque do departamento de futebol muda. Em vez de começar por “quem podemos contratar?”, existe algo mais elaborado: “temos alguém aqui capaz de ocupar essa função em determinado momento?”. A resposta não precisa ser imediata. Pode significar esperar, testar, observar e só depois decidir se o mercado realmente é necessário.

Olhar diferenciado para cada caso das Crias da Academia

Essa estratégia também explica por que o Palestra não parece interessado em acelerar todos os jogadores pelo mesmo caminho. Miguel Bilong, por exemplo, chegou ao clube neste ano, passou por um período de testes, participou de atividades com o profissional e foi relacionado para algumas partidas, mas ainda não estreou. Heittor já recebeu minutos e vem ganhando força, enquanto Belé também transita entre os dois ambientes. Cada jogador parece obedecer a um relógio diferente.

Há uma consequência importante nisso. O Palmeiras começa a criar uma espécie de reserva estratégica de soluções. Não necessariamente jogadores prontos para substituir um titular amanhã, e sim atletas que já conhecem o ambiente profissional, já foram observados pela comissão técnica e podem encurtar o caminho caso uma necessidade apareça. Na prática, isso dá ao clube mais tempo para decidir. Tempo é uma vantagem considerável quando a alternativa é entrar no mercado pressionado por uma carência.

O ‘pulo do gato’ palestrino

As três saídas recentes ajudam a enxergar esse movimento com mais clareza. Kaique abriu espaço no grupo de goleiros, Luighi deixou uma vaga entre os atacantes e Riquelme Fillipi encerrou seu ciclo no clube. A SEP não tentou simplesmente reproduzir os jogadores que saíram. Reorganizou a fila. Kauan, Heittor e Bilong passaram a ocupar posições diferentes nessa estrutura, enquanto Pacheco e Belé continuaram sendo observados como peças que podem ganhar importância conforme as necessidades do elenco.

Contudo, o modelo de formação palmeirense vai fixando uma marca e um modus operandi: a Cria não precisa transitar entre base ou profissional de maneira tão brusca. Existe um corredor entre os dois mundos. Nele, o jogador pode treinar, jogar, ser testado, voltar ao Sub-20, ganhar minutos e continuar sendo avaliado. Para o Palmeiras, isso significa transformar a Academia em uma parte permanente do planejamento de elenco. Abel não recebe apenas jogadores prontos para utilizar. Passa a receber soluções que o clube vem preparando antes que ele precise delas.

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