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Direto da Redação

Mudança de Flaco López fez Abel ganhar leque de soluções que faltavam ao Palmeiras

Abel ganhou um recurso que antes não estava disponível na mesma dimensão e o argentino vira personagem de uma transformação na Academia de Futebol

Flaco López mudou e deu opções diversificadas a Abel - Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon
Flaco López mudou e deu opções diversificadas a Abel - Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

Existem transformações que aparecem na balança. Outras aparecem na escalação. A de Flaco López aconteceu nas duas, mas a segunda é a que, de fato, causou uma reviravolta impressionante nos planos de Abel e, consequentemente, na trajetória do argentino na Academia de Futebol.

O atacante chegou ao Palmeiras em 2022 com 74 quilos e um organismo que não conseguia sequer transformar adequadamente alimentação em massa muscular. Quatro anos depois, está entre 80 e 85 quilos, tornou-se um jogador capaz de sustentar mais de 90 minutos e, sobretudo, passou a fazer coisas que antes o próprio corpo não lhe permitia fazer.

Esse detalhe muda a leitura sobre Flaco. Não se trata de transformar uma história de futebol em uma história de consultório de nutricionista. O que interessa é descobrir o que esses quilos compraram para Abel Ferreira. A resposta está numa palavra pouco glamourosa, mas decisiva: sustentação.

O Núcleo de Saúde e Performance do Palmeiras identificou que Flaco tinha potencial para fazer mais do que atuar entre as linhas. O trabalho físico passou a perseguir também o pivô, a sustentação da jogada e o jogo aéreo. E há uma explicação quase prosaica para isso: antes, ele ainda não tinha composição corporal suficiente para sustentar essas ações. É aqui que a história deixa de ser sobre nutrição e passa a ser sobre Abel.

Transformando Flaco López

Um treinador não escala músculos. Escala possibilidades. Se um atacante consegue receber de costas, proteger a bola, suportar o contato do zagueiro e ainda fazer a equipe avançar alguns metros, ele oferece uma saída que simplesmente não existia antes na mesma proporção. O Verdão já percebia isso. Em abril, uma análise tática do ge apontava o pivô como uma das principais armas de Flaco, inclusive com a evolução do argentino para o pivô pelo chão, acionando jogadores como Andreas, Marlon Freitas e Mauricio.

Abel, meses depois, foi explícito ao falar sobre o que queria de seu Palestra, projetando mais equilíbrio entre jogo pelos lados e por dentro, mais cruzamentos e mais alternativas para atacar defesas fechadas. Flaco encaixa justamente nessa equação. Há uma ironia nisso, pois, durante algum tempo, Flaco pareceu um jogador que precisava convencer Abel de que poderia ser útil. Hoje, a situação se inverteu. É Abel quem tem à disposição um jogador capaz de ampliar aquilo que o treinador pode pedir à equipe.

Não é uma diferença pequena. O Verdão pode acelerar com Vitor Roque atacando a profundidade. Pode procurar o corredor, assim como pode jogar por dentro. Além disso, Flaco pode atuar como ponto de apoio, transformando uma bola aparentemente perdida em uma posse que ganha sentido. Que me perdoe a analogia pitoresca, mas o camisa 42, desta forma, se tornou uma espécie de dobradiça do ataque.

Por isso, a transformação física é apenas metade da história. O trabalho do Maior Campeão do Brasil levou cerca de um ano e meio apenas para adaptar o organismo do jogador à quantidade de alimento necessária; depois vieram o ganho estrutural, os testes de composição corporal e potência e a transferência dessas capacidades para o jogo.

Mudança que reverberou na Seleção Argentina

O resultado está à vista. Flaco vive sua melhor temporada, com 21 gols e nove assistências em 51 jogos segundo os dados apresentados pelo Núcleo de Saúde e Performance, e chegou à seleção argentina. O próprio Lionel Scaloni passou a descrevê-lo como um atacante muito completo, capaz de atuar em diferentes funções. Mas talvez a melhor conclusão seja menos estatística, pois a SEP descobriu quanto de futebol havia dentro do jogador que comprou.

Tal constatação leva a crer que o Palmeiras não fabricou um jogador diferente, mas potencializou um atleta para Abel, que ganhou um atacante que consegue jogar mais perto do gol, mais longe dele, de costas para a defesa, pelo alto e pelo chão. O comandante português também ganhou, principalmente, a possibilidade de escolher. No futebol de alto nível, isso costuma valer mais do que qualquer quilo a mais na balança.

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